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O Atraso, Aline Bei


chutei as pedrinhas da estrada quando senti que você não vinha
Mais.
Tirei elas do meu caminho, deixei só
a Terra,
que sempre levantava com o vento, nascido das rodas rápidas que passavam por ali e
não paravam.
Estava tudo certo para termos a melhor semana das nossas vidas, pelo menos eu.
De noite conversamos por telefone, você disse
das malas prontas, mas hoje
desviou o caminho,
preferiu pegar a estrada sem mim e eu aqui, na rodoviária feito
Besta, num choro engasgado de
peito, uma
ânsia.
Pensei que podia ir atrás de você até a sua cidade, mas que ridículo isso seria.
Porque um dia
Morro
e não sei
Quando, desperdiçar o tempo é criminoso por ser jeito de matar, também.
Olhei minha mala em estado de
Espera, era
triste. Eu de calça jeans, batom e bota te esperando era
ainda mais Triste, o amor
é história pra boi
Dormir. O que existe
é a sede,
amor é feito de 2 ou mais pessoas e 2 ou mais pessoas
Raramente concordam em qualquer coisa, por isso viram pó e
desilusão.
Você foi muito Covarde, hoje.
Avisar antes
pode ser legal. Passou um ônibus escrito
Salvador
que parou para uma família entrar. Entrei junto,
pra não voltar, esperando sinceramente que você se Foda porque eu
estava Machucada
Demais.
O pessoal que ficou na rodoviária
Te viu
Chegando
20 minutos depois, mas o pessoal da rodoviária não sabia quem era você e também não sabia
quem era Eu, 1 mulher sem celular
desde semana passada, por culpa do filho
da puta de um
Ladrão chamado Pedro, um garoto de
17 anos
que pretendia se casar com a namorada assim que tivesse grana
o Suficiente
pra isso.
_________________________________________________________________


Aline Bei

É de São Paulo, formada em Letras pela PUC - SP e em artes cênicas. Romance de estreia O Peso do Pássaro Morto (2017) venceu o prêmio São Paulo de literatura. Pequena Coreografa do Adeus é seu segundo livro.














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