Debret Quando a mãe conseguia um trabalho, como diarista, para auxiliar nas despesas da casa, meu pai logo perguntava: - Quem vai ficar com as crianças? As crianças éramos eu e meus irmãos. Eu sou o filho da empregada, tenho histórias para contar. A mãe, então, partia para negociações delicadas, envolvendo preços e condições. A primeira a cuidar de nós foi a minha avó paterna, Dina. Estávamos acostumados com ela, pois morava bem perto. A Vó Dina já era idosa e tinha lá as suas enfermidades que a idade trouxe. Ela possuía todos os traços dos indígenas dos filmes da televisão: a cor da pele, os cabelos da cor da graúna - longos e lisos - e os traços fisionômicos dos primeiros habitantes do Brasil, como mostravam as ilustrações dos livros da escola. Naqueles dias, nos quais a Vó tomou conta de nós, aproveitávamos para ouvir as histórias da infância dela, vivida no Norte de Minas Gerais, na divisa com a Bahia. Ela gostava de ficar de cócoras. E acocorada, pintava, na tela do tem...