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Mostrando postagens com o rótulo biografia

Minha Próxima Leitura: Cavalos Partidos, Jeannette Walls

 Aquelas vacas velhas sabiam, antes de nós, quando ia haver encrenca.      Era um fim de tarde em agosto, o ar estava quente e pesado como costumava ficar na estação das chuvas. Mais cedo, tínhamos visto umas nuvens carregadíssimas perto das colinas Burnt Spring, mas elas foram levadas para o norte. tinha praticamente terminado as tarefas do dia e estava caminhando na direção do pasto com meu irmão, Buster, e minha irmã, Helen, para levar as vacas para a ordenha. Mas, ao chegarmos lá, aquelas meninas estavam agitadas.  Em vez de zanzar em torno da porteira, como sempre faziam na hora da ordenha, elas estavam paradas, de pernas crispadas, rabos esticados, balançando nervosamente as cabeças, tentando ouvir.      Buster e Hele olharam para mim, e, sem uma palavra, ajoelhei no chão e encostei meu ouvido na terra batida. Dava para ouvir um rugido, tão baixo e indistinto que era mais sentido que ouvido. Foi aí que entendi o que as vacas já sabiam: um en...

Volta a Pernambuco, João Cabral de Melo Neto

     Em 1952 durante a ação de caça às bruxas no governo Vargas, João Cabral e mais quatro colegas foram acusados de subversão, graças a um "amigo" que, remexendo nas gavetas de seu escritório, encontrou o rascunho de uma carta dirigida a um deles.  Nessa carta, meu pai pedia um artigo sobre a disputa pelo mercado brasileiro entre os ingleses, alemães  e japoneses. Esse documento foi entregue pelo "amigo" que o subtraiu ao Itamaraty e acabou nas mãos de Carlos Lacerda, que o publicou em matéria de capa na  Tribuna de Imprensa, no dia 27  de junho do mesmo ano. entre outras barbaridades, o jornal afirmava:   a tipografia passou a servir para imprimir boletins de seus novos "amigos". Valéry já lhe parece uma expressão da burguesia decadente. E quando Moscou pela boca de Aragon, mandou adorar Victor Hugo, ele passou a considerar Victor Hugo seu mestre, o seu modelo. Seus versos estão agora repletos de alusões, são panfletários, ardentes e, por s...

Prêmio Jabuti de 2013

“A vidinha do escritor é tão lerda, a gente vende tão pouco, é uma choradeira, e um prêmio é sempre um tapinha nas costas ”.   Assim pensa  Evandro Affonso Ferreira, vencedor na categoria romance , da 55ª edição do Prêmio Jabuti com o livro O Mendigo que Sabia de Cor os Adágio de Erasmo de Rotterdam. A obsessão com a originalidade da linguagem sempre foi uma marca registrada de Evandro Affonso Ferreira, cuja literatura, iniciada em 2000 com o elogiado Grogotó, chegou a ser comparada à de Guimarães Rosa. Mas agora, aos 66 anos e em seu sexto livro, o escritor está mais reflexivo. Deixou de lado o cuidado excessivo com a forma, mas sem abrir mão da musicalidade, do cuidado com as palavras, da concisão — o que já vinha fazendo desde seu romance anterior, Minha mãe se matou sem dizer adeus, vencedor do Prêmio APCA de melhor romance de 2010 e finalista dos prêmios São Paulo de Literatura e Jabuti de 2011. Páginas Sem Glória deu o prêmio de contos/crônicas a Sérgio S...

Eu Não Vim Fazer Um Discurso. Grabiel García Márquez

     Comprei o livro de García Márquez por acaso. Já conhecia o autor,de quem gosto  imensamente. Não sabia, porém, que ele estava com livro novo na praça.       O exemplar, cuja capa não tem nada de atraente, estava bem à minha frente quando entrei na livraria.      Fazer o quê? Eu Não Vim Fazer Um Discurso   é uma coletânea de textos, discursos feitos em diversas ocasiões e lugares ao longo de boa parte de sua vida.       Inicia com o que ele fez em 1944 despedindo-se dos colegas de turma do ensino médio.  Simples, abrangente, afetivo, bem humorado e elaborado.       A primeira surpresa foi quando confirmei no próprio livro que o autor  tinha, à época, apenas 17 anos.        A cada texto uma satisfação. Em Como Comecei a Escrever (03.05.1970), García Márquez diz francamente do medo que está sentindo por falar e...

Elvis em quadrinhos

Está no mercado uma biografia de Elvis Presley feita em  quadrinhos. Reinhard Kleist e Titus Ackermann organizaram a biografia do rei do  rock, em forma de coleção. Dez dos melhores quadrinhistas alemães da atualidade, foram escolhidos e cada um ficou responsável por uma parte. Alguns dos artistas, são: Nic Klein, Uli Oesterle, Isabel Kreitz e Thomas von Kummant e o próprio Reinhard Kleist. Elvis Organizado por: Reinhard Kleist e Titus Ackermann Tradutor: Margit Neumann & Michael Korfmann Páginas: 128 R$ 63,00 (Fonte: Estadão de 23/10/10)

Escritor não tem tempo para escrever?

Ernest Hemingway escrevendo Em 2007 fiquei bastante desapontada porque Marçal Aquino, convidado, não viria à Bienal Internacional do livro de Pernambuco. O escritor informou que estaria em outro evento. Naquela época me perguntava se todo escritor também gostava de ler e o que Marçal estaria lendo caso gostasse. Havia conversado com um autor que me afirmara gostar de escrever e não de ler embora achasse e recomendasse a leitura para todos independente da profissão. Uns dias depois da Bienal de 2007, vi Marçal Aquino em duas entrevistas e minha pergunta mudou para como é que dá tempo de escrever um livro, se escritores precisam aparecer tanto? Ainda mais livro com título tão longo como Eu Receberia as Piores Notícias De Seus Lindos Lábios?? Chateada por não ter a chance de conseguir dedicatória no meu exemplar, esqueci o fato. Agora, próximo à Bienal deste ano, me deparo com matéria do Estadão (Ubiratan Brasil) dando conta de que escritores não têm tempo para? Para? Escrever! Uau....