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Mostrando postagens com o rótulo crítica social

Marchinhas de Carnaval: verdadeiras crônicas (3)

Bem carioca, as marchinhas de carnaval refletiam a vida naquela cidade. Da falta de moradia (Daqui não saio) a gozações de toda espécie*  ( Cabeleira do Zezé) tudo era liberado e fazia sucesso no carnaval  Daqui Não Saio Paquito e Romeu Gentil (1949) Daqui não saio, Daqui ninguém me tira! Onde é que eu vou morar? O senhor tem paciência de esperar: Ainda mais com quatro filhos Onde é que vou parar? Sei que o senhor tem razão  Pra querer a casa pra morar, Mas onde eu vou ficar? No mundo ninguém perde por esperar, Mas já dizem por aí Que a vida vai melhorar. Cabeleira do Zezé João Roberto Kelly e Roberto Faissal(1963) Ei, ei Olha a cabeleira do Zezé Será que ele é? Será que ele é? Olha a cabeleira do Zezé Será que ele é? Será que ele é? Será que ele é bossa nova? Será que ele é Maomé? Parece que é transviado Mas isso eu não sei se ele é Corta o cabelo dele Corta o cabelo dele Corta o cabelo dele Corta o cabelo dele ( — " Cabeleira do Zezé " não foi feita com a inte...

O Que Mais Dói, Patativa do Assaré

  O que mais dói não é sofrer saudade Do amor querido que se encontra ausente Nem a lembrança que o coração sente Dos belos sonhos da primeira idade. Não é também a dura crueldade Do falso amigo, quando engana a gente, Nem os martírios de uma dor latente, Quando a moléstia o nosso corpo invade. O que mais dói e o peito nos oprime, E nos revolta mais que o próprio crime, Não é perder da posição um grau. É ver os votos de um país inteiro, Desde o praciano ao camponês roceiro, Pra eleger um presidente mau. Sobre o dia do Nordestino: Quem criou: Governo de São Paulo Quando? 2009 - ano do centenário de Patativa do Assaré, considerado o maior poeta popular da região. Fonte: Cultura Genial

Velha Praga, conto de Monteiro Lobato

Andam todos em nossa terra por tal forma estonteados com as proezas infernais dos belacíssimos “vons” alemães, que não sobram olhos para enxergar males caseiros. Venha, pois, uma voz do sertão dizer às gentes da cidade que se lá fora o fogo da guerra lavra implacável, fogo não menos destruidor devasta nossas matas, com furor não menos germânico. Em agosto, por força do excessivo prolongamento do inverno, “von Fogo” lambeu montes e vales, sem um momento de tréguas, durante o mês inteiro. Vieram em começos de setembro chuvinhas de apagar poeira e, breve, novo “verão de sol” se estirou por outubro a dentro, dando azo a que se torrasse tudo quanto escapara à sanha de agosto. A serra da Mantiqueira ardeu como ardem aldeias na Europa, e é hoje um cinzeiro imenso, entremeado aqui e acolá, de manchas de verdura – as restingas úmidas, as grotas frias, as nesgas salvas a tempo pela cautela dos aceiros. Tudo mais é crepe negro. À hora em que escrevemos, fins de outubro, chove. Mas que chuva caín...

Urupês, conto de Monteiro Lobato

     Esboroou-se o balsâmico indianismo de Alencar ao advento dos Rondons que, ao invés de imaginarem índios num gabinete, com reminiscências de Chateaubriand na cabeça e a Iracema aberta sobre os joelhos, metem-se a palmilhar sertões de Winchester em punho.      Morreu Peri, incomparável idealização dum homem natural como o sonhava Rousseau, protótipo de tantas perfeições humanas que no romance, ombro a ombro com altos tipos civilizados, a todos sobrelevava em beleza d’alma e corpo.      Contrapôs-lhe a cruel etnologia dos sertanistas modernos um selvagem real, feio e brutesco, anguloso e desinteressante, tão incapaz, muscularmente, de arrancar uma palmeira, como incapaz, moralmente, de amar Ceci.      Por felicidade nossa – a de D. Antonio de Mariz – não os viu Alencar; sonhou-os qual Rousseau. Do contrário lá teríamos o filho de Arará a moquear a linda menina num bom braseiro de pau brasil, em vez de acompanhá-la em adoraçã...

Agradável surpresa: Clara dos Anjos, Lima Barreto

Lí há muitos anos O Triste Fim de Policarpo Quaresma, lembro de ter gostado. Nunca mais voltei a Lima Barreto até que na  comunidade Livro Errante, no  grupo  que anualmente encerra nossas trocas, o Saideira, Eloisa Helena ofereceu Clara dos Anjos . Insistiu para que entrasse na fila. Entrei no  final do  trajeto e concordei com ela: livro sensacional.  Por causa dele, me obriguei a estudar sobre Lima Barreto e literatura Brasileira, que infelizmente não  tive em minha vida escolar. Nunca é tarde! * Lima Barreto se coloca em  vários personagens e de diversas formas.  Toda a história se passa no  subúrbio do  Rio  de Janeiro e seus personagens, muito bem criados por sinal, são pessoas comuns e possíveis em  qualquer lugar e época. Narrativa ágil e envolvente. Lima, foi criticado  por usar linguagem coloquial, abandonando (debochando talvez) do  rebuscamento ou excesso de capricho usados até então...