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Mostrando postagens com o rótulo Minas Gerais

Arrasando na Terceira Idade(70 anos da primeira edição): Grande Sertão, Veredas de Guimarães Rosa

Ler “Grande sertão: veredas”é uma experiência que se renova sempre a cada releitura, como ocorre com os livros que se tornam clássicos à medida que o tempo passa. Para Italo Calvino, um clássico é um livro que nunca termina de dizer o que tem para dizer, o que lhe assegura sobrevivida histórica, acrescentaria Walter Benjamin. É o que comprova a diversificada fortuna crítica do romance, da crítica sociológica à psicanalítica, da análise estrutural à antropológica, que atravessa gerações de pesquisadores e não para de crescer nos últimos 70 anos. Resultado de quinhentos anos de cultura oral reelaborada com o apuro da mais alta cultura letrada, a obra do poliglota Guimarães Rosa é um desafio à inteligência e à sensibilidade do leitor. Vencida a dificuldade inicial diante de uma “língua”outra – neologismos, arranjos sintáticos inesperados, aliterações, metáforas inusitadas –, acabamos por participar do que lemos como coautores e recriadores. E não paramos mais de ler. A leitura se abre, en...

Com Licenca Poética, poema de Adélia Prado

Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira. Cargo muito pesado pra mulher, esta espécie ainda envergonhada. Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir. Não tão feia que não possa casar, acho o Rio de Janeiro uma beleza e ora sim, ora não, creio em parto sem dor. Mas, o que sinto escrevo. Cumpro a sina. Inauguro linhagens, fundo reinos — dor não é amargura. Minha tristeza não tem pedigree, já a minha vontade de alegria, sua raiz vai ao meu mil avô. Vai ser coxo na vida, é maldição pra homem. Mulher é desdobrável. Eu sou. Em: Bagagem Imagem: tela de Françoise Gilot A poeta mineira faz referência ao Poema das Sete Faces do também mineiro Carlos Drummond de Andrade: "Quando eu nasci, um anjo torto desses que vivem na sombre Disse: Vai, Carlos, ser gauche na vida..."

Poema da Pamonha, Luciano Spagnol

  Pamonha... Iguaria do quintal do Goiás Na tradição ponha A moda, aliás Saborosa Do milho verde, assaz Na palha, trouxa cheirosa Cremosa Apetitosa Também, das Gerais Quentinha e requentada É sempre mais... Tradição nos arraiais Da culinária ais, lais Dos milharais No costume instituído Quem nunca, jamais Servido! é demais... Fonte: Recanto das Letras Dia estadual ( Goiás) da pamonha: 3 de fevereiro pela Lei 22.535

Melhores Livros de Cada Estado Brasileiro - Região Sudeste

Recentemente a imprensa divulgou que uma influenciadora americana descobriu Machado de Assis e que a felicidade e comentários dela a respeito de Memórias Póstumas de Braz Cubas, teria viralizado e feito dele  o livro  mais vendido na Amazon americana. Depois disso, 4 professores brasileiros decidiram eleger os melhores livros de cada estado brasileiro. O site G1, divulgou o resutado e eu trouxe para o blog,  dividindo as postagens por região. SUDESTE ESPÍRITO SANTO Obra: Crônicas do Espírito Santo ; 50 Crônicas Escolhidas (1984),   Rubem Braga Sinopse:  Os textos de Rubem Braga, o maior cronista brasileiro, guardam as mais doces lembranças da infância passada no Espírito Santo, quando a natureza era indissociável da vida de um menino. Há também o olhar amoroso do autor sobre os necessitados e esquecidos, mescla de indignação e defesa pela sua terra de origem, tecidos com imenso lirismo.(Amazon) Nota do blog: Rubem Braga tem livro infantil: O Menino e o Tuim , co...

Escolas Públicas Brasileiras Melhores do Mundo, Agência Brasil

  Escolas públicas do CE e de MG estão entre melhores do mundo em prêmio Iniciativa é da plataforma britânica T4 Education O Prêmio Melhores Escolas do Mundo foi criado no ano passado. É uma iniciativa da plataforma britânica T4 Education, com apoio três instituições: Fundação Lemann, Accenture, American Express e Yayasan Hasanah. É a primeira vez que escolas públicas brasileiras estão entre as vencedoras. Instituições de ensino de outros quatro países foram agraciadas. São elas: Institución Educativa Municipal Montessori (Colômbia), na categoria Ação Ambiental; a Riverside School (Índia), na categoria Inovação; a Max Rayne Hand in Hand Jerusalem School (Israel), na categoria Superação de Adversidades; e a Spark Soweto (África do Sul), na categoria Colaboração Comunitária. A EEMTI Joaquim Bastos Gonçalves criou em setembro de 2021 o projeto Adote um Aluno ao perceber alunos ansiosos com a reabertura da sociedade após o fim das medidas de isolamento social implementadas em decorrên...

Morte das Casas de Ouro Preto, Carlos Drummond de Andrade

Sobre o tempo, sobre a taipa, a chuva escorre. As paredes que viram morrer os homens, que viram fugir o ouro, que viram finar-se o reino, que viram, reviram, viram, já não veem. Também morrem. Assim plantadas no outeiro, menos rudes que orgulhosas na sua pobreza branca, azul e rosa e zarcão, ai, pareciam eternas! Não eram. E cai a chuva sobre rótula e portão. Vai-se a rótula crivando como a renda consumida de um vestido funerário. E ruindo se vai a porta. Só a chuva monorrítmica sobre a noite, sobre a história goteja. Morrem as casas. Morrem, severas. É tempo de fatigar-se a matéria por muito servir ao homem, e de o barro dissolver-se. Nem parecia, na serra, que as coisas sempre cambiam de si, em si. Hoje, vão-se. O chão começa a chamar as formas estruturadas faz tanto tempo. Convoca-as a serem terra outra vez. Que se incorporem as árvores hoje vigas! Volte o pó a ser pó pelas estradas! A chuva desce, às canadas. Como chove, como pinga no país d...

Vó Barnabé, Antonio Neto

Debret Quando a mãe conseguia um trabalho, como diarista, para auxiliar nas despesas da casa, meu pai logo perguntava: - Quem vai ficar com as crianças? As crianças éramos eu e meus irmãos. Eu sou o filho da empregada, tenho histórias para contar. A mãe, então, partia para negociações delicadas, envolvendo preços e condições. A primeira a cuidar de nós foi a minha avó paterna, Dina. Estávamos acostumados com ela, pois morava bem perto.  A Vó Dina já era idosa e tinha lá as suas enfermidades que a idade trouxe. Ela possuía todos os traços dos indígenas dos filmes da televisão:  a cor da pele, os cabelos da cor da graúna - longos e lisos - e os traços fisionômicos dos primeiros habitantes do Brasil, como mostravam as ilustrações dos livros da escola. Naqueles dias, nos quais a Vó tomou conta de nós, aproveitávamos para ouvir as histórias da infância dela, vivida no Norte de Minas Gerais, na divisa com a Bahia. Ela gostava de ficar de cócoras. E acocorada, pintava, na tela do tem...

Nascido em 5 de outubro: Ciro dos Anjos

   O LUAR DE CARAÍBAS TUDO EXPLICA...      Há três ou quatro semanas não tenho tocado nestas notas senão ligeiramente, para acrescentar uma ou outra linha a esta ou àquela página.      Examinando-as, hoje, em conjunto, noto que, já de início, se compromete meu plano de  ir registrando lembranças de uma época longínqua e recompor o pequeno mundo de Vila Caraíbas, tão sugestivo para um livro de memórias.      Vejo que, sob disfarces cavilosos, o presente se vai insinuando nestes apontamentos e em minha sensibilidade, e que o passado apenas aparece aqui e ali, em evocações ligeiras, suscitadas por sons, aromas ou cores que recordam coisas de uma época morta.      Analisado agora friamente, o episódio do Carnaval me parece um ardil engenhoso, armado por mim contra mim próprio, nesses domínios obscuros da consciência. Tudo se torna claro aos meus olhos: depois de uma infância romântica e de uma adolescênc...

Estive Cara a Cara Com Deus, Ignácio de Loyola Brandão

Tiradentes – A semana para mim começou em Tiradentes, Minas Gerais. Na Pousada Alforria, subi para o café da manhã e encontrei Antonio Magalhães, o dono, que me saudou com a pergunta: “Tem visto Ana Helena?” A única que eu conheço, inesquecível,  é a Ana Helena da Capitu. Livraria que teve curta duração, mas marcou a vida cultural em São Paulo nos anos 1970 para 1980. Época em que pequenas livrarias sobreviviam, marcavam presença, cada uma com sua personalidade. Magalhães acrescentou: “Lembra-se daquele lançamento debaixo da chuva?”      Como esquecer? Era 1979, estava saindo a terceira edição do  Zero  a primeira liberada, após três anos de proibição. Mais do que um lançamento foi uma manifestação pela liberdade e contra a censura. Havia tanta gente que a fila se estendeu por quadras e quadras na Rua Pinheiros, porque a Capitu era pequena. Começou a chover, ninguém arredou pé, a festa continuou com as pessoas molhadas e felizes. De rep...

Lira Itabirana, Carlos Drummond de Andrade

I O Rio? É doce. A Vale? Amarga. Ai, antes fosse Mais leve a carga. II Entre estatais E multinacionais, Quantos ais! III A dívida interna. A dívida externa A dívida eterna.

O Menino e o Homem (Prólogo) Fernando Sabino

Quando chovia, no meu quarto de menino, a casa virava um festival de goteiras. Eram pingos do teto ensopando o soalho de todas as salas e quartos. Seguia-se um corre-corre dos diabos, todo mundo levando e trazendo baldes, bacias, panelas, penicos e o que mais houvesse para aparar a água que caía e para que os vazamentos não se transformarem em numa inundação. Os mais velhos ficavam aborrecidos, eu não entendia a razão: aquilo era uma distração das mais excitantes.      E me divertia a valer quando uma nova goteira aparecia, o pessoal correndo para lá e para cá, e esvaziando as vasilhas que transbordavam. Os diferentes ruídos das gotas d'água retinindo no vasilhame, acompanhados do som oco dos passos em atropelo nas tábuas largas do chão, formavam uma alegre melodia, às vezes enriquecida pelas sonoras pancadas do relógio de parede dando horas.      Passado o temporal, meu pai subia ao forro da casa pelo alçapão,o mesmo que usávamos como entrada ...

Caso Pluvioso, Carlos Drummond de Andrade

A chuva me irritava. Até que um dia descobri que Maria é que chovia. A chuva era Maria. E cada pingo de Maria ensopava o meu domingo. E meus ossos molhando, me deixava como terra que a chuva lavra e lava. Eu era todo barro, sem verdura... Maria, chuvosíssima criatura! Ela chovia em mim, em cada gesto, pensamento, desejo, sono, e o resto. Era chuva fininha e chuva grossa, matinal e noturna, ativa... Nossa! Não me chovas, Maria, mais que o justo chuvisco de um momento, apenas susto. Não me inundes de teu líquido plasma, não sejas tão aquático fantasma! Eu lhe dizia em vão - pois que Maria quanto mais eu rogava, mais chovia. E chuveirando atroz em meu caminho, o deixava banhado em triste vinho, que não aquece, pois água de chuva mosto é de cinza, não de boa uva. Chuvadeira Maria, chuvadonha, chuvinhenta, chuvil, pluvimedonha! Eu lhe gritava: Pára! e ela chovendo, poças d'água gelada ia tecendo. Choveu tanto Maria em minha casa que a correnteza forte criou asa e um rio se formou...

Lira itabirana, Carlos Drummond de Andrade

I O Rio? É doce. A Vale? Amarga. Ai, antes fosse Mais leve a carga. II Entre estatais E multinacionais, Quantos ais! III A dívida interna. A dívida externa A dívida eterna. IV                                                         Quantas toneladas exportamos                                                                       De ferro? ...

Adeus, poeta Fernando Brant

Da janela lateral do quarto de dormir Vejo uma igreja, um sinal de glória Vejo um muro branco e um vôo pássaro Vejo uma grade e um velho sinal Mensageiro natural, de coisas naturais Quando eu falava dessas cores mórbidas Quando eu falava desses homens sórdidos Quando eu falava desse temporal Você não escutou Você não quis acreditar, mas isso é tão normal Você não quis acreditar e eu apenas era Cavaleiro marginal lavado em ribeirão Cavaleiro negro que viveu mistérios Cavaleiro e senhor de casa e árvores Sem querer descanso nem dominical Cavaleiro marginal banhado em ribeirão Conheci as torres e os cemitérios Conheci os homens e os seus velórios Eu olhava da janela lateral Do quarto de dormir Você não quis acreditar, mas isso é tão normal Você não quis acreditar, mas isso é tão normal Um cavaleiro marginal banhado em ribeirão Você não quis acreditar que eu apenas era... Você não quer acreditar que eu apenas era...

Grande Sertão, Veredas. É um livro, é um filme? Não. É um parque nacional

 Dar a um parque de preservação ecológica o nome de   O Parque Nacional Grande Sertão Veredas, é uma belíssima homenagem a Guimarães Rosa.   Sobre esse Parque Nacional, qualquer pessoa pode ler clicando aqui .  O livro Grande Sertão Veredas, foi escrito a 57 anos, está quase chegando na terceira idade.  Guimarães Rosa teria hoje 105 anos. Foi um modernista e permanece referência da literatura brasileira e da língua portuguesa.   O Parque não é aberto ao público, nem possui qualquer infraestrutura. Faz-se necessário pedir uma licença junto ao IBAMA para conhecê-lo.   As cidades mais próxima são Arinos - MG e São Francisco -MG a 95 Km  e 130 Km de distância respectivamente.   Acesso: Saindo de Brasília, pode ser feito através da BR-020 (Brasília-Salvador), até o km 202, onde segue em direção a Formoso por 65 km de estrada de terra. Saindo de Belo Horizonte, e através BR-040 até São Francisco (500 km). Nesta cidade se pega a ba...