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Os amigos, Camilo Castelo Branco

Amigos cento e dez, e talvez mais, Eu já contei. Vaidades que eu sentia! Supus que sobre a terra não havia Mais ditoso mortal entre os mortais. Amigos cento e dez, tão serviçais, Tão zelosos das leis da cortesia, Que eu, já farto de os ver, me escapulia Às suas curvaturas vertebrais. Um dia adoeci profundamente. Ceguei. Dos cento e dez houve um somente Que não desfez os laços quase rotos. – Que vamos nós (diziam) lá fazer? Se ele está cego, não nos pode ver… Que cento e nove impávidos marotos!

Fatita de Matos, a amante infeliz. José Eduardo Agualusa

                                                                 Na ampla sala de visitas da casa  de Fatita de Matos, Mana Fatita, como é mais conhecida, na Restinga do Lobito há cinco retratos a óleo, com um metro por 1,5 metro. Em todos eles Fatita de Matos está sentada  no mesmo cadeirão de verga, quase em idêntica posição, com um livro no regaço. A primeira tela foi pintada em 1946. Fatita tem vinte anos, ainda é virgem, e está a ler Amor de Perdição , de Camilo Castelo Branco. Na segunda tem trinta anos, quatro filhos ilegítimos, e está a ler Amor de Perdição . Na terceira  tem quarenta anos, veste de preto pela morte de filho mais novo, e está ...