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Mostrando postagens com o rótulo Xangai

Loja de Colchões, Antonio Prata

      A loja de artigos esportivos tem as paredes forradas por fotos de jovens correndo, escalando montanhas, remando canoas. O supermercado exibe cartazes com casais brindando, crianças babando sorvete, velhinhos comendo mamão. A confecção da esquina expõe as roupas na vitrine em manequins, como se fossem uma turma de amigos a contemplar a paisagem. Todo o comércio se esmera em criar um climinha em torno do produto, em imitar os ambientes e situações em que ele será usado: só as lojas de colchão é que não. Nesses cubos brancos, banhados de luz fria, os colchões são expostos nus, sem direito sequer a lençol, sobre camas em que ninguém dormiu nem dormirá - e isso me deixa triste como o diabo.      É o colchão, não o cachorro, o melhor amigo do homem. Do colchão viemos, ao colchão voltaremos, se não na última de nossas noites, aquela que não verá aurora, ai menos ao fim de cada dia, quando esgotados pela vigília e purificados pelo banho, sonhamos com mulhere...

Meninos, Juraildes de Cruz -Voz: Xangai

Vou pro campo No campo tem flores As flores tem mel Mas a noitinha estrelas no céu, no céu, no céu O céu, da boca da onça é escuro Não cometa, não cometa Não cometa furos Pimenta malagueta não é pimentão, tão, tão, tão Vou pro campo Acampar no mato No mato tem pato, gato, carrapato Canto de cachoeira Dentro dágua Pedrinhas redondas Quem não sabe nadar Não caia nessa onda Pois a cachoeira é funda É afunda Não sou tanajura mas eu crio asas, Com os vagalumes eu quero voar, voar, voar O céu estrelado hoje é minha casa Fica mais bonita quando tem luar, luar, luar Quero acordar com os passarinhos Cantar uma canção com o sabiá Dizem que verrugas são estrelas Que a gente conta Que a gente aponta Antes de dormir, dormir, dormir Eu tenho contato Mas não tem nascido Isso é estória de nariz comprido Deixe de mentir, mentir, mentir.. Os sete anões pequeninos Sete corações de meninos e a alma leve, leve, leve São folhas e flores ao vento O sorriso e o sentimento da Branca de Nev...