Há uns anos, quando abastecíamos o carro de gasolina no posto da Auto Bemguiados, havia um rapaz que nos dava beijinhos no pescoço. Era um rapaz com uma condição mental especial, é verdade, mas era absolutamente simpático. Talvez alguém lhe tivesse ensinado aquela malandrice, que era uma malandrice bonita, para surpreender as pessoas com um sorriso muito grande. Imagino que fosse algo que fizesse com candura em casa, aos avós, aos pais e às visitas. Dava um beijinho logo em fugida, recuando uns passos, alegre e expectante. Costumava vê-lo por ali. Às vezes, passava também pelo perímetro das escolas, caminhava um pouco como quem procurava divertir-se, como quem procurava amigos. Ao menos, amigos pequenos, daqueles de cinco minutos e muito entusiasmo. Lembro dele quando eu...
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