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Pastor Amoroso, Alberto Caeiro

O Pastor Amoroso Quando eu não te tinha  Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo...  Agora amo a Natureza  Como um monge calmo à Virgem Maria,  Religiosamente, a meu modo, como dantes,  Mas de outra maneira mais comovida e próxima.  Vejo melhor os rios quando vou contigo  Pelos campos até à beira dos rios;  Sentado a teu lado reparando nas nuvens  Reparo nelas melhor...  Tu não me tiraste a Natureza...  Tu não me mudaste a Natureza...  Trouxeste-me a Natureza para ao pé de mim.  Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,  Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,  Por tu me escolheres para te ter e te amar,  Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente  Sobre todas as cousas.  Não me arrependo do que fui outrora  Porque ainda o sou.  Só me arrependo de outrora te não ter amado.  II  Está alta no céu a lua e...

Soneto 16, José da Natividade Saldanha

Aquela que na flor da primavera Ontem perpétua ser nos prometia, Hoje, quando mais bela parecia Ao golpe sucumbiu da Parca fera. Sua alma, já vingando a azul esfera, Vai o nume buscar, que veste o dia, E do corpo, que é terra, a terra fria Apesar dos amantes se apodera. Que ilusa vives, néscia formosura, Pensando eternizar-se loucamente Se Nize bela vês na sepultura! Não se evade ao cutelo um só vivente, Corta co'o mesmo gume a Parca dura O mísero pastor, o rei potente. (In Poesias oferecidas aos amantes do Brasil, Lisboa 1822) ( José da Natividade Saldanha, 1776-1832)