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Mostrando postagens com o rótulo Paris

José do Patrocínio e Olavo Bilac Não Sabiam Dirigir (nem um triciclo!)

     Em 1897, José do Patrocínio, abolicionista, jornalista, dono do jornal A Cidade do Rio e fundador da Academia Brasileira de Letras, retornou de uma viagem a Paris com um   automóvel , um triciclo a vapor inventado pelo francês Léon Serpollet. O veículo era uma novidade tecnológica na Europa e, ainda mais, no Brasil, onde automóveis eram raridade. A invenção de Serpollet consistia em uma caldeira menor e mais eficiente, adequada para uso em automóveis, desenvolvida apenas um ano antes.      Patrocínio anunciou com entusiasmo a compra do  veículo : “Trago de Paris um carro a vapor… O Veículo do Futuro, meus amigos. Um prodígio! Léguas por hora. (…) É a morte de tudo, dos tílburis, dos carros [puxados por cavalos], do bonde… até da estrada de ferro. Ficamos senhores da viação. É a fortuna.”     O automóvel causou alvoroço entre os cariocas, que, conforme relatou o cronista João do Rio, viam o veículo com curiosidade e espanto.   ...

O Que Nossos Atletas Leem?

 O Estadão buscou saber se e o que nossos atletas das olimpíadas de Paris estão lendo, leram ou indicam para leitura.  Trouxe para o blog, um resumo da matéria feita por Júlia Queiroz e Sabrina Legramandi, jornalista do Estadão. Atleta: Hugo Calderano Modalidade:Tênis de mesa Livro: Cabeça de Campeão , François Ducasse "O François Ducasse trabalhou comigo na minha preparação mental antes dos  Jogos Olímpicos do Rio . Ele faleceu poucas semanas antes da minha estreia na Rio 2016, mas o seu livro me trouxe insights importantes que me ajudam até hoje". Atleta: Gabi Guimarães Modalidade: Vôlei Livro: O Obstáculo é o Caminho ,Ryan Holiday “Um dos melhores livro que já li. Aborda como podemos enfrentar as dificuldades que aparecem em nosso caminho e nos fortalecermos com elas. Como transformar os obstáculos em oportunidades pelo meio do estoicismo. Gosto muito de ler sobre o estoicismo e o Ryan é um autor que sempre usa os fundamentos do estoicismo em seus livros.” Atleta:Bia F...

Clube Errante: A Dama das Camélias, Alexandre Dumas Filho. Leitura de Outubro

 Um  dos mais célebres romances do século XIX,  A Dama das Camélias , de Alexandre Dumas, o filho, publicado em 1848 com enorme sucesso, foi adaptado, no ano seguinte, para teatro pelo próprio autor, mas só representado em 1852. Conta-nos a história de amor da belíssima plebeia Margarida Gautier com um jovem da alta burguesia francesa, Armand Duval. Deixando o  glamour  de  Paris , os dois amantes retiram-se para o campo, mas o pai de Armand procura impedir esta relação, implorando a Margarida que deixe o filho devido ao bom nome da família. Margarida, infeliz, aceita abandonar o seu amado, dizendo-lhe que está comprometida, mas enquanto tenta esquecê-lo, mergulhando de novo na vida cortesã, adoece gravemente com tuberculose. Quando Armand Duval descobre que a renúncia ao amor por parte de Margarida Gautier resulta da pressão do seu pai, é já muito tarde... A inspiradora deste romance foi a jovem cortesã Marie Duplessi (1824-1847) que Alexandre Dumas filho...

Existe Sempre Uma Coisa Ausente, Caio Fernando Abreu

       Paris — Toda vez que chego a Paris tenho um ritual particular. Depois de dormir algumas horas, dou uma espanada no rodenirterceiromundista e vou até Notre-Dame. Acendo vela, rezo, fico olhando a catedral imensa no coração do Ocidente. Sempre penso em Joana d’Arc, heroína dos meus remotos 12 anos; no caminho de Santiago de Compostela, do qual Notre-Dame é o ponto de partida — e em minha mãe, professora de História que, entre tantas coisas mais, me ensinou essa paixão pelo mundo e pelo tempo.      Sempre acontecem coisas quando vou a Notre-Dame. Certa vez, encontrei um conhecido de Porto Alegre que não via pelo menos á 20 anos. Outra, chegando de uma temporada penosa numa Londres congelada e aterrorizada por bombas do IRA, na época da Guerra do Golfo, tropecei numa greve de fome de curdos no jardim em frente. Na mais bonita dessas vezes, eu estava tristíssimo. Há meses não havia sol, ninguém mandava notícias de lugar algum, o dinheiro estava no f...

Colette, Uma Mulher Que Virou a Mesa.

      Ontem assisti ao filme Colette* julgando ser uma ficção. Foi uma surpresa  saber que era a biografia de uma mulher talentosa que foi roubada e escravizada por um homem inescrupuloso e machista. Apesar  da tristeza de vez uma relação tão ruim, acabei por sentir orgulho de escritora Gabrielle Colette, por ter virado a mesa e marcado a época e a cidade com seu próprio nome.  Vou procurar livros dela com certeza. Sobre Gabrielle Colete, leia a matéria abaixo: A escritora francesa Gabrielle Colette faz aniversário no dia 28 de janeiro. Com uma trajetória vanguardista em meio à sociedade conservadora de Paris no século passado. Ela passou anos na sombra do marido, até o momento em que subverteu as regras do machismo da época e se tornou uma das principais figuras lutando pelo reconhecimento feminino. Primeiros Trabalhos Colette chegou em Paris ao final do século XIX. Menor de idade, casou-se com o crítico e escritor Henry Gauthier-Villars. Durante o re...

O Que Estou Lendo? Kafka e a Boneca Viajante, Jordi Sierra i Fabra

       Os passeios pelo parque Steglitz eram um bálsamo.      E as manhãs, tão doces...      Casais precoces, casais parados no tempo, casais que ainda não sabiam que eram casais, velhos e velhas com mãos cheias de histórias e rugas cheias de passado procurando cantos de sol, soldados com galas distinção, criadas de uniforme impecável,  babás com meninos e meninas vestidos com esmero, casais com filhos recém-nascidos, casais com  sonhos recém-destruídos, solteiros e solteiras de olhar esquivo, solteiros e solteiras de olhar insinuante, guardas, jardineiros, ambulantes...      O parque Steglitz transpirava vida naquele início de verão.       Um presente. ( Pág.13)  Kafka e a Boneca Viajante , Jordi Sierra e Fabra Ed.Martins Fontes,2006 Páginas 127.

Crônica de Carnaval, Machado de Assis

      Faleci ontem, pelas sete horas da manhã. Já se entende que foi sonho; mas tão perfeita a sensação da morte, a despegar-me da vida tão ao vivo o caminho do céu, que posso dizer haver tido um antegosto da bem-aventurança.       Ia subindo, ouvia já os coros de anjos, quando a própria figura do Senhor me apareceu em pleno infinito. Tinha uma ânfora nas mãos, onde espremera algumas dúzias de nuvens grossas, e inclinava-a sobre esta cidade, sem esperar procissões que lhe pedissem chuva.   A sabedoria divina mostrava conhecer bem o que convinha ao Rio de Janeiro; ela dizia enquanto ia entornando a ânfora:       — Esta gente vai sair três dias à rua com o furor que traz toda a restauração. Convidada a divertir-se no inverno, preferiu o verão não por ser melhor, mas por ser a própria quadra antiga, a do costume, a do calendário, a da tradição, a de Roma, a de Veneza, a de Paris. Com temperatura alta, pod...

Paris é Uma Festa, Ernest Hemingway - Primeira Página

UM BOM CAFÉ NA PLACE SAINT-MICHEL                                                    Era época de mau tempo. Chegaria a qualquer momento, no fim do outono. Teríamos de fechar as janelas à noite, por causa da chuva, e o vento frio arrancaria as folhas das árvores de Place Contrescarpe. As folhas ficariam no chão, encharcadas, o vento atiraria a chuva contra os grandes ônibus verdes no ponto terminal e o Café des Amateurs ficaria cheio de gente, suas janelas embaçadas pelo calor e pela fumaça lá dentro. Era um café triste  e mal-administrado, o Amateurs, onde os beberrões do bairro se apinhavam e do qual eu eu me mantinha afastado por causa do cheiro de corpos sujos e do azedo da embriaguez. Os homens e mulheres que o frequentav...

A Cidade, Tahar Ben Jelloun

Rabat- Marrocos Não é suficiente um amontoado de casas para fazer uma cidade É preciso rostos e cerejas Andorinhas azuis e dançarinas delicadas Uma tela e imagens que contem histórias Como ruína apenas um céu mastigado por nuvens Uma avenida e águias pintadas sobre as árvores Pedras e estátuas que dissipem a luz E um circo que perde seus músicos Joalheiros retêm a primavera em suas mãos de cristal Sobre o solo pegadas de um tempo sem crueldade Uma camada e sílabas depositadas pelo suco de uma romã É o sol que se entedia e homens que bebem Uma cidade é um enigma iludido pelos espelhos Jardins de papel e fontes de água sem alma Somente as mulheres românticas o sabem Elas se vestem de luz e de sonho Metálica e altiva A cidade sacode a memória E dela caem livros e sarcasmos, rumores e risos E nós a atravessamos como se fôssemos eternos. Paris, 11 de novembro de 2005 - Tradução: Pedro Braga Fonte: Associação Nacional dos Escritores  Imagem: cidades em fotos...

A Caderneta Vermelha, Antoine Laurain.

O táxi a deixou na esquina do bulevar. Ela só precisava caminhar cinquenta metros para chegar em casa. A rua era iluminada pelos lampiões que coloriam as fachadas com reflexo laranja, mas ainda assim, como sempre lhe acontecia tarde da noite, ela ficou apreensiva. Olhou para trás e não viu ninguém. A luz do hotel, ali em frente, inundava a calçada entre dois arbustos plantados em vasos que delimitavam a entrada do hotel três estrelas. Ela parou diante do seu prédio, abriu o zíper do meio de bolsa para pegar o chaveiro com o controle remoto, e depois tudo aconteceu muito depressa. Uma mão segurou a alça, uma mão surgida do nada e pertencente a um homem moreno, vestido com uma jaqueta de couro. O medo levou apenas um segundo para atravessar todas as suas veias e subir até o coração, para ali explodir numa chuva gelada. Por reflexo, ela se agarrou à bolsa, o homem puxou e, encontrando resistência, pousou a mão sobre o rosto dela e empurrou a cabeça contra o metal da porta. A cadern...

Depois do Terceiro Uísque, Aluízio Falcão

    Depois do terceiro uísque, qualquer paulista normal, com idade superior a trinta anos, passa a gostar de baladas de Roberto Carlos. A conclusão é também válida para acadêmicos de PUC/USP/UNICAMP, sociólogas descasadas, críticos pós modernos, jornalistas em geral.Dá-se, nesse momento, que o precioso líquido escocês, queimando nas fornalhas do metabolismo, ilumina uma zona escura de cérebro, onde secretamente habita nossa porção latino-brega. Afloram, de repente, canções baratas e adormecidas no inconsciente sob o véu de escrúpulos estéticos. Depois do terceiro uísque, ninguém é de ferro. Até o governador Mário Covas seria capaz de cantar, em lágrimas, "Os botões da blusa".       Não me perguntem detalhes da metodologia que usei par chegar a tais revelações. Este não é um texto científico e eu sou pago para escrevinhar amenidades. Não tenho comigo as planilhas. Mas, se a tanto for obrigado, posso exibi-las diante de um tribunal técnico. O máximo ...

Em Que Esquina Dobrei Errado? Martha Medeiros

     Aconteceu em Paris.Estava sozinha e tinha duas horas livres antes de chamar um táxi que me levaria ao aeroporto, de onde embarcaria de volta para o Brasil. Mala fechada, resolvi gastar esse par de horas caminhando até a Place des Voges, que era perto do hotel. depois de chuvas torrenciais, fazia sol na minha última manhã na cidade, então Place de Vosges, lá vou eu. E fui.      Sem um mapa na mão, tinha certeza de que acertaria o caminho, não era minha primeira vez na cidade. Mas por um desatino do meu senso de orientação, dobrei errado numa esquina. Em vez de ir para a esquerda, entrei à direita. Mais adiante, aí sim, virei à esquerda, mas não encontrei nenhuma referência do que desejava Segui reto: estaria a Place des Voges logo em frente? Mais umas quadras, esquerda de novo. gozado, era por aqui, eu pensava. Não que fosse um sacrifício se perder em Paris, mas eu parecia estar mais longe do hotel do que era conveniente. Mais caminhada, e ...

Com Camisa, Sem Camisa, Carlos Drummond de Andrade.

Cardin consulta o Novo Testamento (um grão de cultura ajuda o talento): Imagem de Daniela Fetzner/ Terra O primeiro homem não tinha camisa, expunha o tórax ao beijo da brisa. O sol lhe imprimia uns toques bronzeados, Eva, no peito, lhe fazia agrados... Tão bacaninha! Pierre decretou: "Camisa, mes chers, agora acabou." Os camiseiros já fundem a cuca, fecham-se teares, em plena sinuca. "Olha só que pão!" exclama no cock a moça vidrada, e tenta um bitoque em cada tronco miguelangelesco em que o pêlo põe grácil arabesco. Um convidado (?) chega de repente, manda parar a prática inocente: "Um lençol! uma toalha! um guardanapo para cobrir o nu, depressa, um trapo, um jornal de domingo,bem folhudo que esconda o peito, a perna, o pé e tudo! Tem estátua pelada no salão? Mesmo em foto é demais a apelação! Nu, nem no banheiro. Tá compreendido? Melhor é ensaboar-se alguém vestido." Viste, Pierre Cardin, o que fizeste? Ante o rigor de rep...

A História Acompanha o Leitor..

E se você descobrisse que os personagens do livro que começou a ler no Galeão, vão para Lisboa também, e uma semana depois vão para Paris junto com você? Coincidência? Nem tanto!   Os personagens viajam, sim, junto com você e isso é uma invenção   da FCB para um   programa de milhas. O nome dessa inovação? Trip Book.   Funciona assim: o ebook, usando uma tecnologia (e-paper) criada exclusivamente para o programa de milhagem, identifica onde o leitor/passageiro está e segue com ele. Bem a história que está no e-book com a inovação, conta as aventuras de viagem de   Theo   e   Maria Manoela , casal na faixa dos 40 anos de idade que mora em São Paulo e decide dar um tempo nas obrigações cotidianas. Juntos, eles fazem uma viagem para a mesma cidade onde passaram a primeira lua-de-mel, décadas antes, numa tentativa de reviver  a paixão.   Esse é o ponto inicial do romance escrito por Marcelo Rubens Paiva.   O especial é q...