Parte I Dr. Silveira atravessou a ante-câmara e aproximou-se do reposteiro.O contínuo velho barrou-lhe a passagem, quis exigir cartão de visita, mas vendo-lhe o rosto, a mão que se agitava como afastando uma coisa importuna,curvou-se,entreabriu o pano verde e foi encolher-se num vão de janela: - Deve ser troço na política. Dr. Silveira entrou no gabinete do governador. Entrou de coração leve, como se pisasse em terreno conhecido, os braços alongados para um abraço. Um abraço, perfeitamente. O homem que ali estava fora vizinho dele, colega de escola primária, colega de liceu, amigo íntimo, unha e carne. A mulher de dr. Silveira tinha dito: - Visita sem jeito. Esqueça-se disso. Política! ...