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Mostrando postagens com o rótulo Migração

O Que Eu Estou Lendo? Só Sei Que Foi Assim, Octávio Santiago

Como é construído um estereótipo? Quando o Nordeste passou a ser retratado como sinônimo de atraso, miséria e ignorância? E por que essa imagem, injusta e imprecisa, persiste no imaginário? Essas são algumas das perguntas que movem  Só sei que foi assim: A trama do preconceito contra o povo do Nordeste  , do jornalista e pesquisador Octávio Santiago.  Resultado da pesquisa de doutorado do autor, realizada na Universidade do Minho, em Portugal, a obra revela como o preconceito contra os nordestinos foi construído historicamente a partir de interesses políticos, econômicos e simbólicos. Nesse manual antirracista, Santiago trilha a trajetória do preconceito contra os nordestinos desde a fundação do Brasil, revê a herança maldita da ditadura militar e analisa obras de nomes como Euclides da Cunha e Clarice Lispector, sem esquecer as telenovelas. Um livro para ajudar a reenquadrar um país.

Nordestinos em São Paulo, Aluízio Falcão.

      Leio uma publicação da ECA/USP com várias reportagens escritas por estudantes de jornalismo. O tema é a saga dos migrantes. Há depoimentos de intelectuais nordestinos residentes em São Paulo, mas principalmente daqueles anônimos viventes de periferia. Comove-me o testemunho de uma senhora que migrou em companhia da filha. Contando a estória, diz essa mãe-coragem que a sua menina, diante da miséria reinante no cafundó natal, assim propôs a retirada: "Mãe, vamos pra São Paulo, vamos lutar na vida". Não me lembro, em prosa brasileira, de registro mais bonito para o verbo lutar.      A onda migratória para os grandes centros tem vários intérpretes: antropólogos, sociólogos, romancistas, e até um vereador chamado Bruno Feder, autor daquele famigerado projeto que simplesmente proibia a entrada de nordestino em São Paulo. Muito já se analisou e escreveu, para o bem e para o mal, sobre os personagens desta humilhante diáspora. Nenhum intérprete do fen...

O Olho da Rua, Eliane Brum

     Terminei ontem um dos mais belos livros que já pude ler:  Olho da Rua, uma repórter em  busca da literatura da vida real.      Não  conhecia a autora, posto  que desde há algum tempo não leio a revista Época onde Eliane Brum publicou as matérias que pôs no livro. Agora que li admito  que minha ignorância sobre ela é imperdoável. O Olho da Rua , traz matérias feitas do cotidiano mais esquecido, diverso em  assunto  e localização, mais pungentemente brasileiro.  A autora diz que  não  sai a mesma de nenhum daqueles momentos e talvez não saiba que o leitor também não fica imune a seu livro.  O Olho da Rua conta histórias, como  a de Hustene, migrante nordestino em  São Paulo cuja dignidade entristece por ser minoritária mas, ao mesmo tempo, dá esperança a quem, como  eu, supunha já não haver mais quem  tivesse vergonha de não produzir.  Hust...