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Mostrando postagens com o rótulo valter hugo mãe

Valter Hugo Mãe Não Voltaria Inteiro a Portugal Se Fosse Impedido de Entrar No Brasil

     Valter Hugo Lemos, mais conhecido como Valter Hugo Mãe (1971, Saurimo, Angola) cresceu acreditando que jamais chegaria aos 18 anos de idade. Filho único de uma família pobre —nasceu depois de que o irmão Casimiro morresse com um ano e meio—, em uma cidade periférica, Hugo Mãe foi "resistindo" vida afora, em suas próprias palavras. Ao chegar à idade adulta (frustrando as próprias expectativas) e tornar-se escritor, acreditava que jamais venderia livros suficientes para pagar as contas. “Sempre quis trabalhar perto da cultura. Achei que poderia trabalhar numa livraria ou como porteiro de um teatro e isso estaria bem para mim, porque eu escreveria sempre, mas pensava que talvez seria um poeta pouco lido, como são normalmente os poetas, lutando para conseguir editar os meus livros e seguindo assim, escondido”, diz. Nada mais longe da realidade.      Hoje, com mais de 30 livros publicados, entre romances, poesia e literatura infantil, e detentor do Prêmio ...
O Filho de Mil Homens , livro de Valter Hugo Mãe, tem adaptação para cinema feita pela Netflix.       A solidão, para Crisóstomo, é um filho que não se tem. Aos quarenta anos, o pescador decide buscar o que lhe falta. Vai encontrar no jovem Camilo, órfão de uma anã, a chance de preencher a metade vazia, e em Isaura, enjeitada por não ser virgem, a possibilidade de ser mais do que completo. Com personagens tão excêntricos quanto humanos, que carregam suas tragédias com lirismo e ingenuidade, o festejado Valter Hugo Mãe povoa o vilarejo litorâneo onde a vida é levada com singela tristeza e a esperança do amor faz surgir uma alegria pequena, mas firme, porque construída com o possível. (amazon) O personagem principal, Crisóstomo,  é vivido por   Rodrigo Santoro.    O longa conta a história de   Crisóstomo , um pescador solitário que, aos 40 anos, sente o vazio da ausência de um filho e sonha em ser pai. Em sua busca por relacionamentos verdadeir...

O Menino de Água, conto de Valter Hugo Mãe

O menino nadou para depois de uma onda grande e não voltou. A mãe estendeu as mãos na água buscando o seu corpo diluído. Julgava ela que o filho se diluíra como um cubo de açúcar incapaz de adocicar o mar. Jurou que o buscaria sempre. Haveria de o reconhecer nem que ele se tornasse ínfimo. Saberia dele escondido na mais insignificante gota de água. Jurava. Se o seu menino estivesse por ali, ela nunca o ignoraria.      Nadou ao fim do mar, à boca dos tubarões, dentro do vazia das baleias, sob as barrigas cegas dos barcos, no pensamento dos peixes e nas suas costas, entre as areias,  atrás das pedras e debaixo.  Buscou na cintilação quando a liuz entrava água adentro fazendo de tudo um cristal gigante, podia ser que o filho fosse agora uma estrela e só soubesse brilhar. A mãe olhava o brilho como se o brilho a tivesse também a observar. Esperava e, de todo modo, ficaria para sempre a esperar.      Nunca secava o corpo porque a água era agora o seu m...

Educar Os Vivos - Nota do autor em As Doenças do Brasil

     O velho no fim do caminho espalhou as cadeiras pelo campo para que ao longe imitassem o rebanho.Pastoreava as cadeiras brancas da cozinha,  quietas como bichos que pasmavam perante o paisagem. Sentava numa pedra e olhava também como sobrava por ali paenas o início do mundo.Tudo o que viera depois, era, afinal, passageiro, uma forma de esperança vã, um gesto inútil contra o regresso dos montes à silvestre vocação de se imaginarem continuamenr e à revelia das pessoas. Eram em ruínas as casas antigas, debaixo de plantas novas,tombadas como esqueletos de graniro desabitados de seus animais. As casas sem ninguém, e vê-las era já haver transcendido, estar para depis da normalidade, se depois, aberrante e ao abandono.      Escutava ainda as vozes dos vizinhos mortos. O que lhe dziam da disciplina dos invernos, do agreste do verão, a partida dos filhos, as doenças à espreita, a pressa, que nnenhum vagar se salva de ser um pouco ilusão. Escutava como canta...

As Doenças do Brasil, Marcio Salgado sobre o livro de Valter Hugo Mãe

O escritor português Valter Hugo Mãe inspirou-se nos povos originários da Amazônia para criar o seu novo romance  As doenças do Brasil . Nele, o guerreiro abaeté, filho do estupro de uma índia por um homem branco, vive um grande conflito ao descobrir-se diferente dos demais. Trata-se de um ato de violência que se repete historicamente de outros modos, e não deveria jamais ser naturalizado. A história é contada a partir da perspectiva abaeté – uma comunidade imaginária –, numa linguagem com todas as licenças poéticas, pois, conforme o autor, escrever é o “caminho para uma coisa nova, como se a própria língua se tornasse estrangeira”. O título do romance é uma referência ao  Sermão da visitação de Nossa Senhora , de padre Antônio Vieira (1608-1697), como mostra a extensa epígrafe do livro. Nela, o teólogo e filósofo alerta para “a causa original das doenças do Brasil: tomar o alheio, cobiças, interesses, ganhos e conveniências particulares, por onde a justiça se não guarda, e o ...

O Rapaz Que Habitava Os Livros, Valter Hugo Mãe

Barafustaram comigo, nem escutaram o que eu queria que entendessem. Diziam que os livros queimavam os olhos, eram diurnos, não serviam para  as noites. As regras do nosso colégio interno, para meninos casmurros  como eu,  mandavam assim.  Queriam os livros no corredor. As luzes apagadas às nove. Eu ainda deitei mão a alguns volumes, toquei-lhes brevemente igual a quem cai num precipício e procura agarrar-se, mas não me deixaram nada. Apenas o candeeiro já apagado, como se a luz tivesse morrido de tristeza. Adormeci muito mais tarde, de todo o modo. O coração rasgado em papelinhos pequenos. E uma gula esquisita embrulhada no estômago parecia dizer que eu não havia jantado. Fui ver a minha nova estante logo pela manhã. Era um bocado de espaço arranjado entre tralhas meio esquecidas. Fiquei ofendido. Os livros não esquecem nada. Eles são para sempre a mesma memória admirável. Esquecer livros é uma agressão à sua própria natureza. Embora, na verdade, eles nem se devam i...

Os Professores, Valter Hugo Mãe

        Achei por muito tempo que ia ser professor. Tinha pensado em livros a vida inteira, era-me imperiosa a dedicação a aprender e não guardava dúvidas acerca da importância de ensinar. Lembrava-me de alguns professores como se fossem família ou amores proibidos. Tive uma professora tão bonita e simpática que me serviu de padrão de felicidade absoluta ao menos entre os meus treze e os quinze anos de idade.       A escola, como mundo completo, podia ser esse lugar perfeito de liberdade intelectual, de liberdade superior, onde cada indivíduo se vota a encontrar o seu mais genuíno, honesto, caminho. Os professores são quem ainda pode, por delicado e precioso ofício, tornar-se o caminho das pedras na porcaria do mundo em que o mundo se tem vindo a tornar.      Nunca tive exatamente de ensinar ninguém. Orientei uns cursos breves, a muito custo, e tento explicar umas clarividências ao cão que tenho há umas semanas. Sinto-me sempre mais afe...

Bibliotecas, Valter Hugo Mãe

As bibliotecas deviam ser declaradas da família dos aeroportos porque são lugares de partir e de  chegar.      Os livros  são parentes directos dos aviões, dos tapetes-voadores ou dos pássaros. Os livros são da família das nuvens e, como elas, sabem tornar-se invisíveis enquanto pairam, como se entrassem dentro do próprio a ar, a ver o que existe para depois do que não se vê.      O leitor entra com o livro para para o depois do que não se vê. O leitor muda para o outro lado do mundo ou para outro mundo, do avesso da realidade até ao avesso do tempo. Fora de tudo, fora da biblioteca. As bibliotecas não se importam que os leitores se sintam fora das bibliotecas.      Os livros são também toupeiras ou minhocas, troncos caídos, maduros de uma longevidade inteira, os livros escutam e falam ininterruptamente. São estações do ano, dos anos todos, desde o princípio do mundo e já do fim do mundo. Os livros esticam e tapam buracos na cabeça....

As Mais Belas Coisas do Mundo, professores - Valter Hugo Mãe

     Eu queria ser sagaz, ter perspicácia, estar sempre inspirado. O meu avô pedia que não me desiludisse. Quem se desilude morre por dentro. Dizia: é urgente viver encantado. O encanto é a única cura possível para a inevitável tristeza. Havia, às vezes, um momento em que discutíamos a tristeza. Era fundamental sabermos que aconteceria e que implicaria uma força maior.      Um dia, explicou, eu passaria a ser capaz de colocar as minhas próprias questões. ofício mais difícil ainda do que procurar respostas. Sozinho, saberia inventar um mistério até para mim mesmo. Como se eu fosse o lado de cá e o lado de lá das coisas. O lado de cá e o lado de lá do mundo. Um cristal com emissão de luz para todos os sentidos, para todas as direções.       Ponderávamos mistérios. O meu avô dizia que as evidências eram todas sustentadas por mistérios. Criava jogos para inventarmos perguntas só para ver se todas as perguntas teriam uma solução. As mais absu...

Modo de Amar, Valter Hugo Mãe

 Eu queria era ter um cão, mas a minha mãe diz que os cães fazem muito barulho a ladrar e que, por vezes, mordem. Diz também que se tivermos um cão durante muito tempo ficamos com a cara parecida com o seu focinho. A mim custa-me acreditar, mas é isso que a minha mãe me responde. Nem imagina  o quanto fico infeliz, parecido  a ter vazios por dentro.      Eu pedi:      - E se tivéssemos um gato? Um gato, nem que seja pequeno, para eu brincar.      E a minha mãe respondeu:      - Um gato nunca. Larga pêlo e afia as unhas nos cortinados.       Oh, mãe, um gato quase nem precisa de gente, vive sozinho com o seu nariz. E se fosse um peixe? Um coelho? E se fosse um crocodilo bebé?  - insisti eu.      E ela explicou:      - Os  peixes entristecem num aquário  e os coelhos trincam-te os dedos. Os crocodilos bebés crescem muito para serem crocodilos adultos...

Recomendo o Blog: Como Conversar Com Seres Humanos

 A jornalista Suzana Valença, tem um blog bem legal.  Em Como Conversar Com Seres Humanos , ela fala de Cancelamento ,   Luta contra o racismo ,    Empatia , Ser ouvinte...  Coisinhas de nosso dia a dia sobre as quais poderíamos pensar melhor.

Livro Errante: Melhores Leituras de 2020

Carta à Rainha Louca , Maria Valéria Rezende A Lebre Com Olhos de Âmbar , Edmund De Waal Homens Imprudentemente Poéticos , Valter Hugo Mãe O Pecado de Porto Negro , Norberto Morais A Sombra do Vento , Carlos Ruiz Zafón Em 2020  vários  livros circularam entre  18 leitores no grupo LivroErrante . No momento 41 exemplares estão sendo lidos e/ou em trânsito enviados de um leitor a outro pelos Correios.  Os livros acima ( em ordem alfabética) foram os que consideramos nossas melhores leituras.  À parte trago um livro excelente e recém lançado livro: À Meia Voz , de Ladyce West. Já li e recomendo. Vai circular no grupo LivroErrante no próximo ano.

Para Fechar o Mês de Abril, Regina Porto

     Encerrando o mês de abril, deixo aqui minhas descobertas, sugestões e recomendações, vamos lá?          Por Que É Tão Dificil Ficar Com Você Mesmo , da jornalista Suzana Valença foi a postagem que mais gostei de fazer. Agora recolhidos em casa vamos ter de olhar melhor e mais seriamente pra nós mesmos. Isso pode ser rico ou assustador.  Pense a respeito ...      Recomendo a leitura   e sugiro o blog Como Conversar Com Seres Humanos , que eu achei bem interessante.         Também adorei conhecer uma autora nova indicada por uma amiga de grupo de leitura.  Está la na postagem do dia 3: Um Pedaço de Nós , de Natascha Duarte, vale conferir.      Assisti a 2 séries completamente diferentes que me agradaram muito: A Vida E A História de Madam.C.J. Walker com a brilhante atriz Octavia Spencer   e  Anne with E com Amybeth McNulty, ambas na Netf...