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Soneto da Paz, Joaquim Cardozo

Este soneto é natureza morta, Traço na alvura, sobra de uma flor, Sinal de paz que inscrevo em cada porta, Gesto, medida de comum valor. É letra e clave, é modulo que importa Na redução da voz, do som. Calor Do que vivido foi e inda comporta Palpitação de implícito lavor. Moeda que correu por muitas mãos, Brinquedo que ficou perdido a um canto Num lago de esquecidas esperanças. Mas nos seus versos fecho os sonhos vãos E em notas claras, digo, exalto e canto: -Paz! Paz! Brincai, adormecei, crianças! Cardozo, Joaquim. Poesias Completas. Ed.Civilização Brasileira, Rio de Janeiro 1979, pág.64

A Recompensa,Lêdo Ivo

Eis a dádiva da noite: fenda, cova, gruta, porta casto pássaro sem canto cisterna oculta no bosque concha perdida na praia viva natureza-morta. Um corredor de coral matriz e canal de mangue trilha, sebe, valva, furna voluta cheia de adornos desfiladeiro da tarde tumba de sol e corola sereno da madrugada.