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Mostrando postagens com o rótulo são Bento do Una

Construção, poema de Mauro Mota

"Orgulho-me do meu curso de indigência." (De uma carta do poeta José Maria Cerqueira) Vem vindo José Maria, vem de São Bento do Una, vestido de roupa cáqui e de botinas reiúnas. No conselho da família, só encontra hierarquia do avô cabo de polícia. O pai na barbearia do povoado trabalha, mal completa o pagamento da prestação da navalha. Vem vindo José Maria, o amarelinho de São Bento do Una, sem genealogia. Vem montado no jumento. Saiu da escola. ( Não tinha nem livros nem fardamento. Aprendeu a ler sozinho.) Oh, que infância sem infância. essa de José Maria! Entrava na terra o casco do seu cavalo de pau, que o cabo da enxada era a escoiceante montaria. tirava leite das vacas, mas o leite não bebia. Os animais da fazenda, com que doçura tangia! Carregava areia e lenha com o gosto do engenheiro que uma obra construía. Foi bicheiro e negociante de passarinhos na feira. Vendeu frutas e roletas nas festas da Padroeira. Lavou frascos de botica, lavou os pratos do hotel, fez os ser...

Eu Conheço Esse Cara

  "Uma velha com cara de índia entreabriu o postigo e indagou o que era. Não houve resposta imediata à sua indagação: a pessoa que se encontrava do lado de fora parecia certa de ser reconhecida sem mais preâmbulo e, calada, imóvel, até com certo ar brincalhão, esperava que isso acontecesse. Noite cerrada, vivente alguma na rua, um silêncio de expectativa, frio seco.      Vento ralo na bainha das calças. A velha estática, apreendia tudo isso mais o cheiro do homem à sua porta. Seu rosto escuro, que surgira antes curioso, recebeu de súbito, uma aragem de dúvida, e endureceu retraído. Gilvan Lemos      A velha recuou meio passo, a mão firme protegendo o postigo, deixou-se envolver na escuridão da sala. A sombra que lhe caía no rosto evitava que suas feições pudessem ser identificadas." ( Em:Os Olhos da treva)         O autor de Olhos da Treva ,  é tímido, tem a cabeça ornada de algodão e fa...