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Mostrando postagens com o rótulo Noite

Noite, Lirinha (em resposta a uma prosa de Manoel Filó)

Quando o dia cai vencido, cansado, fraco, doente, bem prá lá da luz da serra. A noite espelha o vestido, beija a tristeza da gente e cobre um lado da Terra. Quando a tarde cai calada e o dia despenca mudo, a noite estende o lençol. Um peito de mãe cansada muito maior do que tudo, muito mais quente que o sol. Noite do riso tristonho, noite que tanto me encanta, rainha e mãe da poesia. Dona da verve do sonho, muito mais pura que a santa, muito mais clara que o dia. Noite que leva os poetas pra dormir junto com ela. Zé da Luz foi ver Catulo, Florbela, Rita Medeiro, Noel Rosa teve pressa, Angel Augusto foi ligeiro, No peito da noite preta Cancão se sente tão bem, Pinto Velho não queria, pelejou mas foi também. E o tocadô de pandeiro, da Serra da Catingueira, Ascenso, Rogaciano, Camões, Manoel Bandeira E Lôro, do Pajeú, trocando as letras da lua, tira o L, bota o R, a lua ilumina a rua. Tira o R, bota um N, toda santa, toda nua. Tira um N, bota um S, Lourival até parece pensar que a lua é s...

Não Entre Na Noite Pra Se Render, Dylan Thomas

Não entre na noite pra se render Imagem: Regina Porto Velhice é pra arder até o fim, Lute, lute para a luz não morrer. O sábio aceita bem o escurecer Mas tem palavras de luz e por fim Não entra na noite pra se render. O justo, que ao partir irá sofrer Porque não lhe coube um melhor jardim, Luta, luta para a luz não morrer. O rude que põe o sol pra correr, E vê tarde demais o que é ruim, Não entra na noite pra se render. O sério, ao pé da morte, já sem ver, Acesos os olhos, alegre enfim, Luta, luta para a luz não morrer. E você meu pai, triste de se ver, Amaldiçoe, abençoe-me assim. Não entre na noite pra se render, Lute, lute para a luz não morrer. De: Do not go gentle into that good nigth. Tradução; Jorge Pontual Dylan Thomas era um escritor inglês, leia aqui sobre ele.

Noite, Cecília Meireles

Tão perto! Tão longe! Por onde é o deserto? Às vezes, responde, de perto, de longe. Mas depois se esconde. Somos um ou dois? Às vezes, nenhum. E em seguida, tantos! Avida transborda por todos os cantos. Acorda com modos de puro esplendor. Procuro meu rumo: horizonte escuro: um muro em redor. em treva me sumo. Para onde me leva? Pergunto a Deus se estou viva, se estou sonhando ou acordada. Lábio de Deus! - Sensitiva tocada.