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Mostrando postagens com o rótulo O Cruzeiro

Nostalgia Em Vez de Greia, José Teles

           No primeiro ano do ginasial havia um garoto rico na minha turma. Rico pros padrões de então, em que a classe média possuía geladeira e TV. Telefone e carro eram coisa pra classe média alta. A família desse meu amigo possuía uma grande concessionária de automóveis. Era, pois, milionária. Eu e Thomas, o menino rico,nos tornamos muito amigos pela paixão em comum pelos Beatles e aqueles conjuntos todos da época, Gary and Pacemakers, The Monkees, Jay and The Americans, The Five Americans (do sucesso Western Union, cuja versão foi gravada por meu amigo Paulo Diniz), Renato e Seus Blue Caps, por aí.      Época de provas, esse meu amigo me convidou pra estudar na casa dele. Fui, pensando nos discos, porque ele ganhava tudo que era LP. Mas uma governanta que tomava conta da casa ficou de olhos e a gente teve de se concentrar nos estudos. Neste tempo, me apelidavam no colégio de Zé Dez, por motivos óbvios. Quando cheguei no cien...

Crônica cantada: Duas Polegadas.

Outro dia ouvindo Eduardo Dusek cantar uma marchinha de carnaval, fiquei pensando que aquelas músicas  contavam a história do país. De forma irreverente os cariocas riam da sociedade da época, da moda, e da política. Cronicava-se com notas musicais e as marchinhas, lançadas pelo radio e cinema, tomavam conta do país. Eram sucesso garantido. Nos anos 50 e 60, concursos de miss eram esperados e assistidos com a mesma alegria que jogos de futebol. Ouvi recentemente uma marchinha relativa  a um ícone: Marta Rocha. Hoje muita gente não sabe quem é essa Marta que nomeia algumas ruas no Brasil.  A  baiana, completará 77 anos em setembro. A bela miss Brasil de olhos verdes, não saiu vencedora do concurso miss universo de 1954. Foi a segunda colocada, mas voltou para o Brasil ovacionada. O jornalista brasileiro João Martins da Revista O Cruzeiro, inventou (com a coninvência da miss) que ouviu um jurado americano dizer que a bela Martha Rocha tinha 2 polegadas (aprox.5 ...

Inferno, Raquel de Queiroz

    NÃO me lembro que nenhuma cidade do Mundo seja assim. Cada cidade tem os seus ruídos, mas são ruídos toleráveis, a que a gente pode acostumar-se, dentro dos quais é possível a vida. Mas no Rio é diferente. No Rio parece que há uma deliberada campanha contra a sanidade das criaturas, um desafio de loucos para ver quem é que faz mais barulho.     Pràticamente, ao lado de cada casa há um prédio em construção; e por trás dos tapumes, metòdicamente, se organiza um inferno completo de ruídos intoleráveis - a começar pelo diabólico estrondar do mexedor de concreto, espécie de liquidificador gigante, onde em vez de pedaços de frutas se agitam pedras. E o ruído ao mesmo tempo cavo e estridente do batedor de estacas - mas, quando se diz cavo ou estridente, pense-se numa estridência multiplicada por mil - porque todo adjetivo é fraco para qualificar tal clamor: primeiro é a pancada surda - búuummm! num ronco fundo de terremoto, martelada cega nas entranhas da...