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Mostrando postagens com o rótulo Cidade Maravilhosa

Rio Em Flor de Janeiro, Carlos Drummond de Andrade

A gente passa, a gente olha, a gente pára e se extasia. Que aconteceu com esta cidade da noite para o dia? O Rio de Janeiro virou flor nas praças, nos jardins dos edifícios, no Parque do Flamengo nem se fala: é flor é flor é flor, uma soberba flor por sobre todas, e a ela rendo meu tributo apaixonado. Pergunto o nome, ninguém sabe. Quem responde é Baby Vignoli, é Léa Távora. (Homem nenhum sabe nomes vegetais, porém mulher se liga à natureza em raízes, semente, fruto e ninho.) Iúca! Iúca, meu amor deste verão que melhor se chamara primavera. Yucca gloriosa, mexicana dádiva aos canteiros cariocas. Em toda parte a vejo. Em Botafogo, Tijuca, Centro, Ipanema, Paquetá, a ostentar panículas de pérola, eretos lampadários, urnas santas, de majestade simples. Tão rainha, deixa-se florir no alto, coroando folhas pontiagudas e pungentes. A gente olha, a gente estaca e logo uma porção de nomes populares brota da ignorância de nós todos. Essa gorda baiana me sorri: ? Círio de Nossa Senhora? (ou de I...

A Última Viagem, Fernando Sabino

      Então,quando fazia a barba, um verso me saltou à cabeça, cortante como a própria lâmina de barbear:      "Acordo para a morte"      Era o poema do Drummond: "Barbeio-me, visto-me, calço-me. É meu último dia"...      O voo estava marcado para as duas da tarde, e ainda eram onze da manhã. A verdade é que até então viajara sempre de avião com o mais leviano destemor.      Só que aquele era o meu dia       Fui para a cidade com o Otto. Acabei lhe confiando meu pressentimento:      - Você acha que esse avião vai cair?      Ele  sabia de cor o poema. Como se não bastasse, a primeira pessoa com quem esbarramos, ali na Esplanada, foi o próprio poeta. Otto lhe expôs sem rodeios o meu problema:      Ele vai hoje para Belo Horizonte de avião e está com pressentimento de que o avião vai cair . Você, que entende dessas coisas,que é que  acha...