Se sois, inverno, no cerrado se sente De tempos frios com tal bravio vento Que tomais a secura como elemento E neste movimento, és inteiramente Nuvioso,horas breves, chão sedento Da mesma natureza, e tão diferente Dias vão que passa no fugaz poente Rubente o céu num encaixotamento E desta vida em tudo ó mês valente Sê da metade do ano, planejamento Férias breves do docente e discente Como do calendário és afolhamento E teu entardecer não mais reluzente Tudo em vós, julho, traz sentimento
Era terça-feira, quase feriado. Dia de jogo da Copa em Porto Alegre. Serviço público em ponto facultativo, bancos fechados, empresas em férias coletivas, pequenos comerciantes em dúvida. Pra mim, praticamente feriado: a Universidade fechada, sem aulas. Sem clima de trabalho. Decidi viver um dia de Copa do Mundo, do meu jeito, é claro. Já sabia que o trânsito estava em colapso. Vi a Osvaldo Aranha parada quando levei os cães para o passeio matinal no parque. Sabia também que os ônibus não seriam confiáveis. Peguei minha bicicleta e rumei para a Praça Argentina. Não que houvesse encontro da torcida hermana por lá, e sim porque era o lugar marcado para o Ato convocado pelo Bloco de Lutas de Porto Alegre. Contra a Copa. Remoções forçadas de milhares de famílias, morte de operários nas obras dos estádios, elitização do futebol e privatização de espaços públicos estavam na pauta. Já imaginava que não seria massivo, haviam poucas confirmações na chamada ...