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Recomendo: O Lugar das Coisas Possíveis, Nadezhda Bezerra

Falo novamente de Nadezhada Bezerra porque em dezembro li um livro dela que achei muito bom.  São crônicas curtinhas, algumas delas bem divertidas, outras muito doces... todas muito bem escritas.   Com muito talento Nadezhada prende o leitor com assunto diversos, simplérrimos, cotidianos. Ela é precisa nos toques de humor, de ternura, na capacidade de enxergar  crônica nas coisas mais inusitadas.  Recomendo muito a leitura de O Lugar das Coisas Possíveis. Leia a  autora no blog: Otávio,   postado em 14 de janeiro de 2026 Obrigada Por Vir, postado em 24 de novembro de 2023
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Fada da Rua Favorita, soneto de Luciano Maia

antes que a noite finde e se conclua o derradeiro gesto do luar ainda se vesta de mistério e lua o seu corpo de enigmas sem par. Seu gesto com aquele compactua e um fascínio de lua, singular cai sobre as pedras toscas desta rua a favorita rua do meu bar. Quem lhe dará o bem que ela lhe quer? Quem das perdas de noite se ressarce nas dádivas de amor dessa mulher? Se o seu gesto é sem medo e sem disfarce e se a paixão do mundo ela souber quem saberá por ela apaixonar-se? Em: Dunas, livro de sonetos, Luciano Maia, Academia Cearense de Letras 1984, pág.81

Acima de Tudo Ame, poema de Rupi Kaur

acima de tudo ame como se fosse a única coisa que você sabe fazerno fim do dia isso tudo não significa nada esta página onde você está seu diploma seu emprego o dinheiro nada importa exceto o amor e a conexão entre as pessoas quem você amou e com que profundidade você amou como você tocou as pessoas à sua volta e quanto você se doou a elas. Sobre a autora: Nascida em Panjabe, Índia Naturalizada: canadense Livros: A Cura pelas Palavras O Que o sol Faz Com as Flores Os Outros Jeitos de Usar a Boca Meu Corpo Minha Casa

Recomendo: Vidas de Algodão, contos de Ednice Peixoto

     Em dezembro fiz uma pequena viagem muito valiosa:  revi a encantadora Natal (RN) e estive no lançamento do livro de Ednice Peixoto, que eu só conhecia virtualmente.        Comecei assim, mas não vou falar da capital potiguar. Vim falar de Vidas de Algodão que comecei a ler ainda no hotel e terminei em casa:  São 39 contos que a autora selecionou entre os tantos que escreveu ao longo dos anos e que resolveu, agora sem timidez, mostrar ao público.        O livro caiu bem com o que gosto. Contos fáceis de ler, sem finais óbvios nem elaborados... nada do que chamo "sessão da tarde".  Conto realista, triste, engraçada, do tipo "nada a ver" como dizem os mais jovens. Ednice, que conheci grande leitora no velho e querido Orkut, sempre soube, escrevia muito bem.  Acho que ela também sabia disso, mas só recentemente perdeu a timidez e resolveu se lançar. Fez muito bem! Vidas de Algodão é um livro que eu rec...

O Livro da Vida, conto de Natascha Duarte

     Dois seres distintos encontram-se, pela primeira vez, num cenário épico, grandioso, como tudo por ali.           -  Choveu, foi?           - Ainda chove, não vê?      - É que estou dormindo e acho que não vou acordar, ouço apenas o barulho.      - E como é isso de não acordar?      - Bem, não sinto dor e... Aonde você vai? Falávamos sobre a chuva.      O gigante dera as costas ao homem, de repente, e bradou:      - Não tenho muito tempo e tenho muita pressa, sou como o vento sem trégua, seguindo por uma rota inespecífica, mesmo aqui - a voz do gigante se distanciava.      - Se tinha pressa, por que foi que veio? - o homem gritou.      - Porque um banho muda tudo e agora é hora do seu, espere...      - No céu se toma baaanho?      - Sim, aqui tambééémmm.     Seguiu-se um...

Adeus, poema de Ondjaki

no jardim da minha casa encruzilhei-me com uma lesma. ela ofereceu um olhar. vi o mundo pela sedução da lesma: tudo ardilhado de simplicidade. ofereci uma tristeza: ela quase cedeu a transparências. aprendi com a lesma: uma tristeza não deve ser emprestada. o mundo, mesmo partilhado é muito a pele de cada qual. na falta de dedos a lesma fez adeus com o corpo. e veio a chuva reaprendemos assim o lugar de nossas almas. Em: Materiais Para Confecção de Um Espanador de Tristezas, Ed. Caminho, 2009

O Moço do Saxofone, conto de Lygia Fagundes Telles

     Eu era chofer de caminhão e ganhava uma nota alta com um cara que fazia contrabando. Até hoje não entendo direito por que fui parar na pensão da tal madame, uma polaca que quando moça fazia a vida e depois que ficou velha inventou de abrir aquele frege-mosca. Foi o que me contou o James, um tipo que engolia giletes e que foi o meu companheiro de mesa nos dias em que trancei por lá. Tinha os pensionistas e tinha os volantes, uma corja que entrava e saía palitando os dentes, coisa que nunca suportei na minha frente. Teve até uma vez uma dona que mandei andar só porque no nosso primeiro encontro, depois de comer um sanduíche, enfiou um palitão entre os dentes e ficou de boca arreganhada de tal jeito que eu podia ver até o que o palito ia cavucando. Bom, mas eu dizia que no tal frege-mosca eu era volante. A comida, uma bela porcaria e como se não bastasse ter que engolir aquelas lavagens, tinha ainda os malditos anões se enroscando nas pernas da gente. E tinha a música ...