Sou um homem incrédulo às profecias que não sejam as anunciadas pela boca das nuvens. Apesar disso, na tarde de domingo, entreguei afinal minha mão à quiromante, de quem a amiga querida me falava aconselhando-me a visitá-la, pois se tratava de "uma pessoa diferente". Ela pegou minha mão, ficou olhando, e de repente disse que eu era um caso perdido: haveria de viver sempre seguindo as falas do meu coração, que isso nos tempos modernos dava em sofrimento, mas eu nascera assim, assim morreria - não adiantava querer desentortar a vida. Fez uma pausa, fitou-me nos olhos com um jeito que me calou fundo, de tanta e doce ternura, e logo prosseguiu a falar de mim e de meus fados, com o rosto de novo inclinado sobre a minha mão direita. Confirmou a história dos sofrimentos: ainda me estavam reervados alguns, além dos muitos já curtidos, mas que não tardaria muito, não senhor, soprariam ventos meljores, melhorando sempre até a velhice, q...
Sentou-se ao meu lado um homem rico, meu velho conhecido, e para mostrar-me que continua rico foi logo dizendo: - estou com o meu carro em conserto. E esta história de oficina, hoje em dia, é uma miséria. Ninguém quer trabalhar. E tudo custa três vezes mais. O outro companheiro concordou carregando ainda mais na mão. - É isto mesmo, o brasileiro que se diz operário não passa de um malandro. Ganha o que quer, e faz o que quer. - O homem rico e o desconhecido estavam de inteiro acordo. Era malandro pra cá e malandro pra lá. - E que me diz sobre o aumento do funcionalismo? - Perguntou-me o homem rico Quis fingir que não era comigo pergunta, mas não consegui. quis fingir que não era comigo a perginta, mas não consegui. Sou funcionário, e acho mesmo que nossa vida aumentou de custo de maneira assombrosa. - Isso todos nós achamos. Mas então você acha que a medida sumária de aumento dos ordenados resolve o problema? Aí é que está a desgraça do brasileiro. somos um povo de soluções apres...