Obrigado a parar no sinal. Está atrasado como sempre, impacienta-se porque não vê carro nenhum no cruzamento, a presença da câmara o impede de continuar, cortar o sinal para compensar o atraso de ter acordado tarde. Um carro prateado para ao seu lado. Percebe uma mulher na direção e tem a impressão de ver asas. O sinal não abre, escuta o bater de uma porta e estranha. Olhando em direção ao carro de antes, não encontra mulher alguma, apenas um casaco preto repousa no banco do motorista. Tenta olhar em todas as direções, mas o cinto de segurança lhe impede os movimentos. Vira-se e destrava o cinto no mesmo instante em que o sinal abre. No para-brisa do carro, a mulher ergue a mão, estilhaça o vidro e o leva em direção ao céu.
D. Alba, Só agora posso pegar na pena e escrever-lhe para agradecer o obséquio que me fez mandando-me de presente ao velho amigo Machado. No primeiro dia, não pude conhecer bem este cavalheiro; ele buscava-me com palavrinhas doces e estalinhos, mas eu fugia-lhe com medo e metia-me pelos cantos ou embaixo dos aparadores. No segundo dia, já me aproximava, mas ainda cauteloso. Agora, corro para ele sem receio, trepo-lhe aos joelhos e às costas, ele coça-me, diz-me graças, e, se não mia como eu, é porque lhe custa, mas espero que chegue até lá"."Só não consente que eu trepe à mesa, quando ele almoça ou janta, mas conserva-me nos joelhos e eu puxo-lhe os cordões do pijama. A minha vida é alegre. Bebo leite, caldo de feijão e de sopa, com arroz, e já provei alguns pedaços de carne. A carne é boa; não creio, porém, que valha a de um camundongo, mas camundongo é que não há aqui, por mais que os...