Meu amigo fê, filho do grande Isaac (várias vezes detentor do galardão "Mãe do ano"), está no ramo do bares. Fechava as contas do Portão Vermelho com a mulher Lina, quando uma ideia genial o deixou paralisado. Deu uma golada na boazinha para se refazer e explicou o plano: - Lina, vamos ficar ricos. vou abrir outro bar. - Você está maluco? - Não. Vai se chamar Ao Bar e Não Bebi. - ??? - Imagine aquele sujeito que sai domingo de manhã para comprar frango de padaria e volta na segunda, só com uma asa estragada. O pau come, com meu novo bar, essas crises conjugais acabarão. - Fê, devo chamar o médico? - Centenas de biriteiros voltarão para o lar triscados. A patroa: "Onde você esteve?" O cara: "Fui Ao Bar e Não Bebi." Ora, vai ser chamado de mentiroso, pulha, canalha, alcoólatra, até prova definitiva: "Você jura pela vida de nossos ...
Ler “Grande sertão: veredas”é uma experiência que se renova sempre a cada releitura, como ocorre com os livros que se tornam clássicos à medida que o tempo passa. Para Italo Calvino, um clássico é um livro que nunca termina de dizer o que tem para dizer, o que lhe assegura sobrevivida histórica, acrescentaria Walter Benjamin. É o que comprova a diversificada fortuna crítica do romance, da crítica sociológica à psicanalítica, da análise estrutural à antropológica, que atravessa gerações de pesquisadores e não para de crescer nos últimos 70 anos. Resultado de quinhentos anos de cultura oral reelaborada com o apuro da mais alta cultura letrada, a obra do poliglota Guimarães Rosa é um desafio à inteligência e à sensibilidade do leitor. Vencida a dificuldade inicial diante de uma “língua”outra – neologismos, arranjos sintáticos inesperados, aliterações, metáforas inusitadas –, acabamos por participar do que lemos como coautores e recriadores. E não paramos mais de ler. A leitura se abre, en...