Tudo será difícil de dizer: a palavra real nunca é suave. Tudo será duro: luz impiedosa excessiva vivência consciência demais do ser. Tudo será capaz de ferir. Será agressivamente real. Tão real que nos despedaça. Não há piedade nos signos e nem no amor: o ser é excessivamente lúcido e a palavra é densa e nos fere. (Toda palavra é crueldade. Imagem: Rascunho Veja aqui livros de Orides Fontela e leia aqui sobre ela A poeta Orides Fontela (São João da Boa Vista, SP, 1940 – Campos do Jordão, SP, 1998) construiu uma obra considerada renovadora do modernismo brasileiro. Publicou seu primeiro livro, Transposição , em 1969, já cursando Filosofia na Universidade de São Paulo. Publicou ainda: Helianto (1973), Alba (1983) – obra pela qual ganhou o Prêmio Jabuti em 1983 –, Rosácea (1986), Trevo (1988) – uma coletânea de sua obra – e Teia (1996). Viveu uma vida de escassez e penúria financeira, com dificuldade...
Entre a turba grosseira e fútil Um Pierrot doloroso passa. Veste-o um túnica inconsútil Feita de sonho e desgraça. O seu delírio manso agrupa Atrás dele os maus e os basbaques. Este o indigita, este outro o apupa... Indiferente a tais ataques, Nublada a vista em pranto inútil, Dolorosamente ele passa. Veste-o uma túnica inconsútil Feita de sonho e desgraça