Esse homem caminha chorando; Ninguém saberia dizer por quê. Alguns pensam que ele chora amores perdidos Como os que nos atormentam tanto, No verão, junto ao mar, com os fonógrafos. Outros pensam em suas tarefas cotidianas, Papéis inacabados, filhos que crescem, Mulheres que envelhecem com dificuldade. Ele possui dois olhos como papoulas, Como papoulas colhidas na primavera, E duas pequenas fontes no canto dos olhos. Ele caminha nas ruas, não se deita nunca, Transpondo pequenos quadrados sobre o dorso da terra, Máquina de viver um sofrimento sem limite Que termina não tendo mais importância. Outros ouviram-no falar Sozinho, enquanto passava, De espelhos partidos há muitos anos, De rostos partidos no âmago dos espelhos, Que ninguém poderá jamais restaurar. Outros ouviram-no falar do sono, De visões horríveis nas portas do sono, De rostos insuportáveis de ternura. Habituamo-nos a ele, ele é correto, é tranquilo Só que caminha chorando sem parar, Como os salgueiros à beira dos rios que per...
Essa, a rosa da promessa da noite do nosso amor, murcha rosa indiferente, sem alma, escassa de olor? Por que essa rosa de pedra, o meu presente nupcial? – Pantanosa flor de lama gerada em brisas de sal. O riso da minha infância, gritam-no abismos de sangue onde boia impura, incauta, flor de pedra, flor de mangue. A vã promessa incumprida na noite do nosso amor repousa em praias de sombra navega em mares de dor. Sobre a autora: 1928-1985 - Nasceu na Paraíba mas está mais ligada às letras e à cultura do Rio Grande do Norte, onde viveu a maior parte de sua vida e onde o mar a levou para sempre. O poema Elegia, incluído na presente seleção, é como um prenúncio de seu destino. Formada em biblioteconomia, tendo exercido cargos de importância no Instituto Nacional do Livro (em Brasília) e como diretora da Biblioteca Central da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Seus principais livros: Rosa de Pedra (1953), Salinas (1958), O Arado...