No fundo, ele sentia ainda algum esperança, tal era o péssimo conceito que fazia da natureza humana: - Esse juiz deve ter lá o seu fraco, - Não tem. Solteirão, reaça, Deus-Pátria-Família, só pensa em cumprir a lei. - De alguma coisa ele deve gostar - coçava a cabeça intrigado. - Não é possível que não tenha algum vício. - Se tem ninguém sabe. Não bebe, não fuma, não joga. E não aceita nem cumprimento. Já quis processar um advogado que lhe ofereceu um cigarro. Estas eram as desanimadoras informações que conseguia colher: inabordável e incorruptível. O meritíssimo era uma parada! Mas havia de dar um jeito. Verdadeiro mestre na arte da alta trampolinagem, não existia irregularidade que, como empreiteiro, não tivesse praticado ao longo dos secretos meandros que levam à conquista das concorrências oficiais e à majoração dos lucros na execução dos ser...
A noite durava vinte segundos, vinte segundos o GNAC. Durante vinte segundos se via o céu entrecortado de nuvens negras, a foice da lua crescente dourada, sublinhada por um halo impalpável, e depois estrelas que quanto mais se olhava para elas mais acentuavam sua pequenez, até a poeira da Via Láctea, tudo isso visto rápido rápido, cada detalhe no qual nos detínhamos era algo do conjunto que se perdia, pois os vinte segundos logo terminavam e começava o GNAC. O GNAC era uma parte de incrição publicitária SPAAK-COGNAC no telhado em frente, que ficava vinte segundos acesa e vinte segundos apagada, e quando estava acesa não se via mais nada. Inesperadamente, a lua empalidecia, o céu se tornava uniformemete negro e achatado, as estrelas perdiam o brilho, e os gatos e as gatas que havia dez segundos emitiam grunhidos de amor, mexendo-se lânguidos um na direção do outro ao longo das calhas e dos eirais, agora, com o GNAC, se agachavam sobre as telh...