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O Que Estou Lendo? A Casa do Mar Cerúleo, TJ Klune

 Meu neto, Theo, me falou que está lendo A Casa do Mar Cerúleo e que faz relatório da leitura por etapas determinadas pelo colégio onde estuda.  Respondi não conhecer o tílulo nem autor, TJ Klune.  Theo já havia passado da metade do livro de 384 páginas estava gostando mas não me adiantou nada a respeito: "não vou dar spoiler!"  Me bateu curiosidade e eu comprei. É uma aventura adolescente com seres fantásticos num ambiente com humanos.  De forma convidativa o autor americano TJ Klune trata de aceitação do diferente, explorando o medo e a desconfiança que os grupos, humano e sprite, despertam entre si.  Fazendo o que meu neto não faz por nada, dou um pequeno spoiler.  O departamento de Jovens Mágicos, envia seu funcionário, assistente social, Linus, para fazer avaliação detalhada e rigorosa como só ele é, de um orfanato onde estariam seis crianças perigosas... uma delas chama Lucy, o Anticristo.   O Sr. Linus Baker, passa alguns perrengues,...
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A Árvore, crônica de Rubem Braga

     Assisti de minha varanda a um crime de morte: a vítima devia ter vinte ou vinte e cinco anos. Era uma bela árvore de copa redonda, no terreno junto à praia, onde havia antes uma casinha verde. A casa já fora derrubada, mas a árvore durou ainda algumas semanas, como se os criminosos, antes de matá-la, resolvessem passar ainda algum tempo gozando a sua sombra imensa.      Assisti à queda; os homens gritaram, ela estremeceu toda e houve primeiro como um gemido do folhame, depois baque imenso, um fragor surdo; no mar uma grande onda arrebentou; e o  mar e a árvore  pareceram estrondar de depois chorar juntos. Houve como um pânico no ar, pássaros voaram janelas se abriram; e a grande ramaria ficou tremendo, tremendo.      Anteontem e ontem os homens passaram o tempo a cortar os galhos, esquartejando a morta para poder retirá-la; o tronco mutilado ainda está lá, com uma dignidade dolorosa de estátua de membros partidos.    ...

Crônica Cantada: Bela Inês, Alceu Valença

Uma musa matriz de tantas músicas Melindrosa mulher e linda, e única Como o lado da Lua que se oculta Escondia o mistério e a sedução Comovida com a revolução De Guevara, Camilo e Sandino Escutou meu Espelho Cristalino Viajou nosso sonho libertário Bela Inês, com seu peito de operário A burguesa que amava o Capitão Acontece que a história não tem pressa E o amor se conquista passo a passo O ciúme é a véspera do fracasso E o fracasso provocar o desamor Bela Inês teve medo do condor Queimou cartas, lembranças do passado E nessa guerra de Deus e do diabo Entre fogo cruzado desertou Bela Inês, com seu peito de operário Não me esconde seu ar conservador Mas eu tenho um espelho cristalino Que uma baiana me mandou de Maceió Ele tem uma luz que me alumia Ao meio dia clareia a luz do Sol Olha que eu tenho um espelho cristalino Que uma baiana me mandou de Maceió Ele tem uma luz que me alumia Ao meio dia clareia a luz do Sol Acontece que a história não tem pressa E o amor se conquista passo a pa...

Chorar Já Não Basta, artigo de Shakira ( Jornal O Globo)

Há uma pergunta que me faço desde o dia em que recebi o convite. Precisei percorrer muito quilômetros e refelti bastante para conseguir respondê-la: por que eu? Por que Copacabana? Por que Rio de Janeiro? Por que agora?      Precisei voltar a um dia em que tudo o que eu havia construido desmoronou. Não foi um processo longo, não houve sinais graduais. Foi uma única manhã em que acordei uma mulher diferente, com uma vida diferente. No dia seguinte, tive de me levantar da mesma forma, preparar o café da manhã, levar as crianças para a escola, atender o telefone, manter a carreira. A vida não dá descanso às mulheres quando elas se veem repentinamente sozinhas, com tudo sobre os ombros.      Precisei me reinventar completamente. Como mãe, provedora, artista, muher. Desse aprendizado, nasceu esta turnê Las Mujeres Ya No Lloran. Não é um grito de vingança nem uma declaração de vitimização. É exatamente o oposto: a serena constatação de que chorar já não basta, há...

Não Sou Eu, crônica de Rubem Braga

Confesso que achei graça na primeira história que me contara: um bêbado usava o meu nome em um bar, tomando grande uiscada à custa de um meu admirador - a quem agradeço a intenção. Depois passei a achar menos graça: o falso Rubem Braga aparecia chorando na estação das barcas, ou gritando dentro de um lotação, ou fazendo comício na Rua Farani. Volta e meia ouço outras proezas desse cavalheiro que perambula pela cidade, dando vexames em meu nome - e agora parece que está agindpo pelo Bar Vinte e Leblon. Ora, eu já posso ser culado legitimamente de tanta oisa que não me agrada acumular os pecados de outrem. Peço às pessoas que não me conhecem pessoalmente que, quando aparecer um Rubem Braga falando alto, citando crônicas e dando alteração, tenham a fineza de chamar a polícia. Não quero que maltratem o rapaz, mas uma noite no xadrez deve lhe fazer bem, e talvez ele perca essa mania insensata de assumir a personalidade desse apagado cronista. Com este pedido estou correndo o risco de ir eu...

A Estranha Quiromante, crônica de Thiago de Mello

     Sou um homem incrédulo às profecias que não sejam as anunciadas pela boca das nuvens. Apesar disso, na tarde de domingo, entreguei afinal minha mão à quiromante, de quem a amiga querida me falava aconselhando-me a visitá-la, pois se tratava de "uma pessoa diferente".      Ela pegou minha mão, ficou olhando, e de repente disse que eu era um caso perdido: haveria de viver sempre seguindo as falas do meu coração, que isso nos tempos modernos dava em sofrimento, mas eu nascera assim, assim morreria - não adiantava querer desentortar a vida. Fez uma pausa, fitou-me nos olhos com um jeito que me calou fundo, de tanta e doce ternura, e logo prosseguiu a falar de mim e de meus fados, com o rosto de novo inclinado sobre a minha mão direita.      Confirmou a história dos sofrimentos: ainda me estavam reervados alguns, além dos muitos já curtidos, mas que não tardaria muito, não senhor, soprariam ventos meljores, melhorando sempre até a velhice, q...

Sentou-se ao Meu Lado, crônica de José Lins do Rego

Sentou-se ao meu lado um homem rico, meu velho conhecido, e para mostrar-me que continua rico foi logo dizendo: - estou com o meu carro em conserto. E esta história de oficina, hoje em dia, é uma miséria. Ninguém quer trabalhar. E tudo custa três vezes mais. O outro companheiro concordou carregando ainda mais na mão. - É isto mesmo, o brasileiro que se diz operário não passa de um malandro. Ganha o que quer, e faz o que quer. - O homem rico e o desconhecido estavam de inteiro acordo. Era malandro pra cá e malandro pra lá. - E que me diz sobre o aumento do funcionalismo? - Perguntou-me o homem rico Quis fingir que não era comigo pergunta, mas não consegui. quis fingir que não era comigo a perginta, mas não consegui. Sou funcionário, e acho mesmo que nossa vida aumentou de custo de maneira assombrosa. - Isso todos nós achamos. Mas então você acha que a medida sumária de aumento dos ordenados resolve o problema? Aí é que está a desgraça do brasileiro. somos um povo de soluções apres...