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Assim Termina O Livro Que Eu Terminei: O Silêncio de Kazuki, André Kondo

...Minha irmã, ela  é a melhor parte da minha infância, minha cúmplice que me ajudave quando meu pai me deixava de castigo, levando comida e mimos para mim. Ela me ajudou a relembrar muitas coisas para este livro. Ela também possui algumas mágoas com o pai, mas estas, deixei em silêncio. O importante é que o amor é sempre maior.      O Fábio, que nos  emprestou o carro e sempre nos apoiou.      A família toda do meu pai. Apesar de certa distância nos relatos, o fato é que tive os melhores primos, Kooji, Tiemi, Saori... E as irmãs do meu pai, Mimi e Eiko, sempre me acolheram em tantas e tants vezes, inclusive quando meus pais estavam no Japão. Na verdade, se falo que meu pais de certa forma cuidou de meus primos, minhas tias cuidaram da minha irmã e de mim também. ( O autor finaliza o livro com longo e carinhoso agradecimento a familiares e amigos, cujas razões o leitor vai vendo no decorrer da leitura do livro) O Silênio de Kazuki: Qual é a distân...
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Chuvas de Março, soneto de Luciano Maia

O arco da chuva disparou mil flechas de água sobre a caatinga de um tom gris. E o camponês ouvir ir pelas frestas da janela a canção - tarde feliz! O seu tosco aposento esguia réstia de lua, vinda a noite, também quis saudar e àquela alma tão modesta mas de crença e virtude as mais sutis. O arco da chuva, nos seguintes dias retesado, outras vezes enviou flechas de água, de verdes e alegrias. E o campônio outra vez o chão lavrou e as suas mãos calosas e vazia o céu daquele março abençoou. Em: Dunas, Livo de sonetos. Luciano Maia. academia Cearence de Letras 1984, pág.180

Elegia de Baby, crônica de Carlos Drummond de Andrade

     Tinha sete anos, e ainda era mais criança do que qualquer menina de sua idade. Pesava mil e quinhentos quilos, e chegaria a pesar quatro mil, se vivesse. Não viveu. Nascida na Índia, veio morrer no Leblon, sob a lona de um circo devastado pelo temporal — e essa madrugada de vento furioso, que ameaçava acabar com o mundo, terá sido um dos “fatos” de sua pequena vida sem acontecimentos.      Já se sabe que o necrológio é de Baby, a elefantinha que morreu de infecção na garganta. Esses animais são rústicos e delicados, e se no meio nativo se alimentam de plantas espinhentas, de cujo contato fugimos, padecem entretanto dos mesmos males que padecemos, e têm, quanto a nós, a desvantagem de uma sensibilidade que se ajustaria melhor ao nosso corpo que ao deles, ao passo que a nossa poderia chamar-se mais precisamente elefantina.      Vão rareando os elefantes, e com eles a doçura e a paciência na face da terra. Que a espécie caminha para o fim, ...

Trânsito,conto de Ednice Peixoto

     Obrigado a parar no sinal. Está atrasado como sempre, impacienta-se porque não vê carro nenhum no cruzamento, a presença da câmara o impede de continuar, cortar o sinal para compensar o atraso de ter acordado tarde. Um carro prateado para ao seu lado. Percebe uma mulher na direção e tem a impressão de ver asas. O sinal não abre, escuta o bater de uma porta e estranha. Olhando em direção ao carro de antes, não encontra mulher alguma, apenas um casaco preto repousa no banco do motorista. Tenta olhar em todas as direções, mas o cinto de segurança lhe impede os movimentos. Vira-se e destrava o cinto no mesmo instante em que o sinal abre. No para-brisa do carro, a mulher ergue a mão, estilhaça o vidro e o leva em direção ao céu.

Carta do Gatinho Preto. De Machado de Assis para D. Alba

          D. Alba,             Só agora posso pegar na pena e escrever-lhe para agradecer o obséquio que me fez mandando-me de presente ao velho amigo Machado. No primeiro dia, não pude conhecer bem este cavalheiro; ele buscava-me com palavrinhas doces e estalinhos, mas eu fugia-lhe com medo e metia-me pelos cantos ou embaixo dos aparadores. No segundo dia, já me aproximava, mas ainda cauteloso. Agora, corro para ele sem receio, trepo-lhe aos joelhos e às costas, ele coça-me, diz-me graças, e, se não mia como eu, é porque lhe custa, mas espero que chegue até lá"."Só não consente que eu trepe à mesa, quando ele almoça ou janta, mas conserva-me nos joelhos e eu puxo-lhe os cordões do pijama.      A minha vida é alegre. Bebo leite, caldo de feijão e de sopa, com arroz, e já provei alguns pedaços de carne. A carne é boa; não creio, porém, que valha a de um camundongo, mas camundongo é que não há aqui, por mais que os...

Fala,poema de Orides Fontela

Tudo será difícil de dizer: a palavra real nunca é suave. Tudo será duro: luz impiedosa excessiva vivência consciência demais do ser. Tudo será capaz de ferir. Será agressivamente real. Tão real que nos despedaça. Não há piedade nos signos e nem no amor: o ser é excessivamente lúcido e a palavra é densa e nos fere. (Toda palavra é crueldade. Imagem: Rascunho Veja aqui livros de Orides Fontela  e leia aqui sobre ela A poeta  Orides Fontela  (São João  da Boa Vista, SP, 1940 – Campos do Jordão, SP, 1998) construiu uma obra considerada renovadora do modernismo brasileiro. Publicou seu primeiro livro,  Transposição , em 1969, já cursando Filosofia na Universidade de São Paulo. Publicou ainda:  Helianto  (1973),  Alba  (1983) – obra pela qual ganhou o Prêmio Jabuti em 1983 –,  Rosácea  (1986),  Trevo  (1988) – uma coletânea de sua obra –  e Teia  (1996). Viveu uma vida de escassez e penúria financeira, com dificuldade...

Poema da Quarta-feira de Cinzas, Manuel Bandeira

Entre a turba grosseira e fútil Um Pierrot doloroso passa. Veste-o um túnica inconsútil Feita de sonho e desgraça. O seu delírio manso agrupa Atrás dele os maus e os basbaques. Este o indigita, este outro o apupa... Indiferente a tais ataques, Nublada a vista em pranto inútil, Dolorosamente ele passa. Veste-o uma túnica inconsútil Feita de sonho e desgraça