Assisti de minha varanda a um crime de morte: a vítima devia ter vinte ou vinte e cinco anos. Era uma bela árvore de copa redonda, no terreno junto à praia, onde havia antes uma casinha verde. A casa já fora derrubada, mas a árvore durou ainda algumas semanas, como se os criminosos, antes de matá-la, resolvessem passar ainda algum tempo gozando a sua sombra imensa. Assisti à queda; os homens gritaram, ela estremeceu toda e houve primeiro como um gemido do folhame, depois baque imenso, um fragor surdo; no mar uma grande onda arrebentou; e o mar e a árvore pareceram estrondar de depois chorar juntos. Houve como um pânico no ar, pássaros voaram janelas se abriram; e a grande ramaria ficou tremendo, tremendo. Anteontem e ontem os homens passaram o tempo a cortar os galhos, esquartejando a morta para poder retirá-la; o tronco mutilado ainda está lá, com uma dignidade dolorosa de estátua de membros partidos. ...
Uma musa matriz de tantas músicas Melindrosa mulher e linda, e única Como o lado da Lua que se oculta Escondia o mistério e a sedução Comovida com a revolução De Guevara, Camilo e Sandino Escutou meu Espelho Cristalino Viajou nosso sonho libertário Bela Inês, com seu peito de operário A burguesa que amava o Capitão Acontece que a história não tem pressa E o amor se conquista passo a passo O ciúme é a véspera do fracasso E o fracasso provocar o desamor Bela Inês teve medo do condor Queimou cartas, lembranças do passado E nessa guerra de Deus e do diabo Entre fogo cruzado desertou Bela Inês, com seu peito de operário Não me esconde seu ar conservador Mas eu tenho um espelho cristalino Que uma baiana me mandou de Maceió Ele tem uma luz que me alumia Ao meio dia clareia a luz do Sol Olha que eu tenho um espelho cristalino Que uma baiana me mandou de Maceió Ele tem uma luz que me alumia Ao meio dia clareia a luz do Sol Acontece que a história não tem pressa E o amor se conquista passo a pa...