Estou de férias. E é bom passar as féris na quinta. Quando quero distrair-me vou a Luanda: são só vinte quilômetros. Fico a ver os trabalhadores bailundos a tratar das árvores de fruta e a fazer a horta. Depois leio. Como, durmo, vejo os trabalhadores, leio. E brinco com o Lucapa. Não é uma rica vida? No outro dia veio a Odete visitar-me. ficámos todo o dia a convesar. Ela tem um exame na segunda época, por isso não pode ir passar férias comigo. É uam pena, é a minha melhor amiga. O António, o mais velho dos trabalhadores bailundos, trouxe-nos as primeiras goiabas. A Odete disse que na zona de Luanda nunca tinha visto goiabas tão boas. O meu pai é da mesma opinião. Vai começar a mandar vendê-las na cidade. As laranjas e as tangerinas ainda não estão maduras. A bunganvília continua a crescer e um ramo já se agarrou a um arame do alpendre e sobe. Em breve dará flores. De que cor ser...
A pergunta que agora mesmo está a ser posta às selecções de futebol de todo o mundo, pela boca dos treinadores, é esta: "mas porque é que vocês não são mais como os jogadores de Cabo Verde?" Foi este o grande triunfo dos cabo-verdianos no mundial: demonstraram que não há desculpas. Os "tubarões azuis" - à maneira dos tubarões não se deixam impressionar pelas pernas que entram no mar. Para os tubarões, todas as pernas são iguais - as dos presidentes e as dos serventes, as dos génios e as dos tontos. E são iguais porque todas servem para comer. Todas são nutritivas. E nunca se deve ter medo de um petisco. Os treinadores estão a pedir aos jogadores que adoptem, por amor de Deus, a atitude da selecção de Cabo Verde. Mas não é só a atitude - não ter medo, quere ganhar, ter orgulho na camisola - são coisas que muitas outras selecções têm. Na selecção de Cabo Vede havia maia qualquer coisa. E não era amor à camisola. Era...