Ao chegar em casa para o almoço, encontrei um recado singular: uma leitora brasileira telefonara, de passagem por aqui, pedindo que eu mandasse tirar um gato de uma árvore, na Rua Honduras, em frente ao número 3805. Pensei tratar-se de uma confusão da empregada nova, que não entendera a mensagem, ou de um trote. Se fosse verdade, bem que daria uma crônica... À noite, de volta do trabalho, outro telefonema: era Neide, da Tijuca, que viera visitar um amigo argentino e regressava na madrugada seguinte para o Rio. Notara, há três dias, a presença de um gato na cima da árvore plantada diante da casa em que se hospedava, e não sabia como ajudá-lo, pois o bichinho, que miava desconsoladamente, parecia temeroso de pular. Acudira a um veterinário do bairro, que a aconselhou a chamar os bombeiros, estes a encaminharam à Sociedade Protetora dos Animais, cujo telefone não atendia. Aí lembrara-se de mim e das crônicas em que costumo proclamar meu encantamento pelos felinos; estivera até n...
Não sou fã de azul. Só do céu. de preferência como pano de fundo de uma frondosa bananeira, de uma mangueira, de pitangueiras ou jabuticabeiras. Por trás da montanha, enquadrando a paisagem bucólica, contrastando com um flamboyant. Não há rosas azuis. Nem tulipas. Nem comidas, nem bebidas. Fruta tropical não se passa por azul, nem mesmo mirtilo que e roxo e europeu. A baleia azul, não o é… Tampouco é o blue cheese. Azul, pra mim é cor triste. Não sou a única. Picasso triste é azul. No Irã é a cor do luto. É a cor do nada, na televisão. Indefinível, precisa de companhia para existir: azul-bebê, marinho, celeste, anil, cobalto, ardósia, petróleo, meia-noite, piscina, turquesa. Em inglês, significa tristeza. Are you feeling blue? “Não. Não estou triste, estou verde e amarela!” Em: À Meia Voz , Ladyce West 2020, pág.22