Perdoem a cara amarrada Perdoem a falta de abraço Perdoem a falta de espaço Os dias eram assim Perdoem por tantos perigos Perdoem a falta de abrigo Perdoem a falta de amigos Os dias eram assim Perdoem a falta de folhas Perdoem a falta de ar Perdoem a falta de escolha Os dias eram assim E quando passarem a limpo E quando cortarem os laços E quando soltarem os cintos Façam a festa por mim Quando largarem a mágoa Quando lavarem a alma Quando lavarem a água Lavem os olhos por mim Quando brotarem as flores Quando crescerem as matas Quando colherem os frutos Digam o gosto pra mim Ouça aqui Em: Saudade do Brasil - 1980
Ao organizar minha biblioteca, em desordem total, Carli, que dirigiu o Departamento Cultural da Porto Seguro, encontrou um postal da Muralha da China. Voltei aos 16 anos e às aulas de geografia do professor Walter. Mas como ele estava ali se eu o tinha dado a ele? No científico, final dos anos 1950 em Araraquara, havia um professor que, no último mês antes dos exames, facilitava aos alunos obter uma nota dez máxima, mediante um recurso. Walter Medeiros Mauro, mestre de geografia, prometia a nota a quem trouxesse dez cartões-postais do Brasil ou do mundo. Saíamos pela cidade, batíamos em todas as portas de pessoas que viajavam ou que se correspondiam com o mundo. Sabíamos quem eram porque essas pessoas, ao viajar, faziam questão de anunciar que tinham ido a Veneza, Lisboa, Madri, Paris e havia mesmo um ricão que garantiu ter ido à China. O cartão da China, segundo soubemos, tinha caído nas mãos de Roberto Ramalho. Como? Amigo meu de uma vida, provocava inveja porque t...