O vento varria as folhas O vento varria os frutos, O vento varria as flores... E a minha vida ficava Cada vez mais cheia De frutos, de flores, de folhas. O vento varria as luzes O vento varria as músicas, O Vento varria os aromas... E a minha vida ficava Cada vez mais cheia De aormas, de estrelas, de cânticos. O vento varrria os sonhos E varria as amizades... O vento varria as mulheres. E a minha vida ficava Cada vez mais cheia De afeto e de mulheres. O vento varria os meses E varria os teus sorrisos... O vento varria tudo! E a minha vida ficava Cada vez mais cheia De tudo. ( Em: Bandeira -Seleta em Prrosa e Verso, 1975, págs. 151-152)
A buganvília continua a crescer. Apareceu no alpendre ao lado da casa, mesmo por baixo do meu quarto e ninguém sabe como. António diz que deve ter sido cortada antes do pai comprar a quinta e ter ficado alguma raiz. Eu vi o primeiro ramito aparecer. Era tenrinho, de um verde tenrinho. Mais tarde cobriu-se de espinhos. Outro raminho surgiu e depois mais outro. Desde o princípio, o Lucapa, o nosso pastor-alemão, tem horror à buganvília. Não é por causa dos espinhos, pois já antes de ela ter os espinhos o Lucapa a odiava. Passava de lado e ladrava para ela. Um dia tentou mesmo esmagar com as patas o único raminho que na época ela tinha. Várias folhas foram arrancadas e ficaram espalhadas pelo chão. O ramo ficou estropiado, mas sobreviveu. O Lucapa contempla a sua impotência e ladra. Creio que protesta para um ponto qualquer no futura. Em: O Cão e os Caluandas, Pepetela, pág. 17