Eu pertenço a uma família de profetas après coup, post factum, depois do gato morto, ou como melhor nome tenha em holandês. Por isso digo, e juro se necessário for, que toda a história desta lei de 13 de maio estava por mim prevista, tanto que na segunda-feira, antes mesmo dos debates, tratei de alforriar um molecote que tinha, pessoa de seus dezoito anos, mais ou menos. Alforriá-lo era nada; entendi que, perdido por mil, perdido por mil e quinhentos, e dei um jantar. Neste jantar, a que meus amigos deram o nome de banquete, em falta de outro melhor, reuni umas cinco pessoas, conquanto as notícias dissessem trinta e três (anos de Cristo), no intuito de lhe dar um aspecto simbólico. No golpe do meio (coup du milieu, mas eu prefiro falar a minha língua), levantei-me eu com a taça de champanha e declarei que acompanhando as ideias pregadas por Cristo, há dezoito séculos, restituía a liberdade ao meu escravo Pancrácio; que entendi...
João Pereira da Silva, que também poderia chamar-se Aluísio Lisboa ou João Silveira, via na praia de Copacabana - o luar dava nas águas e se prolongava em praia oscilante sobre as ondas - a jovem Luizinha Arruda, que também se poderia chamar Yvete, Daniela ou Maria disso ou daquilo. O nome de fato, não importa. Não foi pelo nome nem pelo sobrenome que eles reciprocamente ignoravam, que o amor chegou. Foi pelo jeitão alto dele, pelo jeito redondinho dela. E pelos olhos, que nela eram negros e nele azuis. O primeiro olhar bastou. Parou o coração dela. Ele parou também. Não o coração, a marcha. Parou, voltou-se, acompanhou. Quando se viu seguida, Luizinha teve uma festa na alma. Quis fugir de contente. Quis morrer de alegria. Não sabia ao certo. E quando José Pereira da Silva falou - o nome ela saberia depois - Luizinha Arruda - o nome ele conheceria mais tarde - ficou plantada no lugar, muda e feliz, tal a grande emoção que sentia. “Permite-me acompanhá-la, senhorita...