O que é que pode fazer o homem comum Neste presente instante Senão sangrar tentar inaugurar A vida comovida Inteiramente livre e triunfante O que é que eu posso fazer com a minha Juventude Quando a máxima saúde hoje É pretender usar a voz O que é que eu posso fazer Um simples Cantador das coisas do porão Deus fez os cães da rua pra morder vocês Que sob a luz da Lua Os tratam como gente é claro Aos pontapés Era uma vez um homem e seu tempo Botas de sangue nas roupas de Lorca Olho de frente a cara do presente e sei Que vou ouvir a mesma história porca Não há motivo para festa Ora esta eu não sei rir a toa Fique você com a mente positiva Que eu quero a voz ativa Ela é que é uma boa Pois sou uma pessoa Esta é minha canoa Eu nela embarco Eu sou pessoa A palavra pessoa hoje não soa bem Pouco me importa Não você não me impediu de ser feliz Nunca jamais bateu a porta em meu nariz Ninguém é gente Nordeste é uma ficção Nordeste nunca houve Não eu não sou do lugar Dos esquecidos Não sou da nação ...
Não entre na noite pra se render, Velhice é pra arder até o fim, Lute, lute para a luz não morrer. O sábio aceita bem o escurecer Mas tem palavras de luz e por fim Não entra na noite pra se render. O justo, que ao partir irá sofrer Porque não lhe coube um melhor jardim, Luta, luta para a luz não morrer. O rude que põe o sol pra correr, E vê tarde demais o que é ruim, Não entra na noite pra se render. O sério, ao pé da morte, já sem ver, Acesos os olhos, alegre enfim, Luta, luta para a luz não morrer. E você meu pai, triste de se ver, Amaldiçoe, abençoe-me assim. Não entre na noite pra se render, Lute, lute para a luz não morrer.