Foi de incerta feita — o evento. Quem pode esperar coisa tão sem pés nem cabeça? Eu estava em casa, o arraial sendo de todo tranqüilo. Parou-me à porta o tropel. Cheguei à janela. Um grupo de cavaleiros. Isto é, vendo melhor: um cavaleiro rente, frente à minha porta, equiparado, exato; e, embolados, de banda, três homens a cavalo. Tudo, num relance, insolitíssimo. Tomei-me nos nervos. O cavaleiro esse — o oh-homem-oh — com cara de nenhum amigo. Sei o que é influência de fisionomia. Saíra e viera, aquele homem, para morrer em guerra. Saudou-me seco, curto pesadamente. Seu cavalo era alto, um alazão; bem arreado, ferrado, suado. E concebi grande dúvida. Nenhum se apeava. Os outros, tristes três, mal me haviam olhado, nem olhassem para nada. Semelhavam a gente receosa, tropa desbaratada, sopitados, constrangidos coagidos, sim. Isso por isso, que o cavaleiro solerte tinha o ar de regê-los: a meio-gesto, desprezivo, intimara-os de pegarem o lugar onde agora se encostavam. Dado qu...
Estou de férias. E é bom passar as féris na quinta. Quando quero distrair-me vou a Luanda: são só vinte quilômetros. Fico a ver os trabalhadores bailundos a tratar das árvores de fruta e a fazer a horta. Depois leio. Como, durmo, vejo os trabalhadores, leio. E brinco com o Lucapa. Não é uma rica vida? No outro dia veio a Odete visitar-me. ficámos todo o dia a convesar. Ela tem um exame na segunda época, por isso não pode ir passar férias comigo. É uam pena, é a minha melhor amiga. O António, o mais velho dos trabalhadores bailundos, trouxe-nos as primeiras goiabas. A Odete disse que na zona de Luanda nunca tinha visto goiabas tão boas. O meu pai é da mesma opinião. Vai começar a mandar vendê-las na cidade. As laranjas e as tangerinas ainda não estão maduras. A bunganvília continua a crescer e um ramo já se agarrou a um arame do alpendre e sobe. Em breve dará flores. De que cor ser...