Acorda, João Que eu também quero ser Batizado nas águas do Rio Jordão Êta menino sapeca capeta Dispara espoleta Êta menino ladino porreta danado divino Acorda, São João, e faz o menino levado Saltar de dentro da velha E do velho enferrujado Mas não faz muita zuada João dorme seu sono em paz E se acorda assustado Nem sei do que é capaz Sei não, incendeia o mundo E até o meu coração Sapeca mandureba na fogueira E acabou-se a brincadeira Acorda, João Que eu também quero ser Batizado nas águas do Rio Jordão – Waly Salomão, em “Poesia total”. Editora Companhia das Letras, 2014. Imagem: Noite de São João- Portinari 1957
Meu São João, meu São Joãozinho! Quanto amô, quanto carinho, Quanto afiado e padrinho Nesta terra brasilêra Não tem a gente arranjado, No quilaro abençoado, Tão belo e tão respeitado, Da sua foguêra. Meu querido e nobre santo, Que a gente qué e ama tanto, Sua foguêra é o encanto Da gente do meu sertão. Não pode sê carculada A porva que vai queimada Nessas noite festejada Da foguêra de São João. Quantos véio bacamarte Virge, que nunca fez arte, Não tão guardado de parte, Com amô e devoção, Mode o povo sertanejo Com eles fazê trovejo, No mais alegre festejo Da foguêra de São João! Pois quarqué arma ferina, Bacamarte ou lazarina, Já criminosa, assarsina, Como é a do caçadô, Não tem a capacidade De atirá com liberdade Na santa quilaridade Desta foguêra de amô. Meu São João! Meu bom São João! Santo do meu coração, Repare e preste tenção Quanto é lindo o seu festejo. Repare lá do infinito Como isto tudo é bonito, Sempre digo e tenho dito Que o senhor é sertanejo! O homem pode sê ruim E tê ma...