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Vamos Apender? Festas Juninas

Origem das festas juninas Antes de se tornar uma festa em comemoração vinculada aos santos do catolicismo, as celebrações no mês de junho já eram realizadas muitos antes da era cristã. O solstício de verão no hemisfério norte ocorre em 21 ou 22 de junho, quando temos o dia mais comprido e a noite mais curta do ano. Os povos antigos, incluindo as civilizações gregas, egípcias e celtas, comemoravam essa passagem do calendário. Regadas com o calor do fogo e muita bebida e comida, eram celebrações à fertilidade e também para rogar aos seus deuses para que eles trouxessem fartura nas próximas colheitas. Com a evangelização da Europa na Idade Média, o ritual pagão foi incorporado ao calendário cristão e ganhou um cunho religioso. Isso ocorreu, basicamente, por dois motivos: para facilitar a catequese dos pagãos e esvaziar ideologicamente suas comemorações. Não é por acaso que as comemorações cristãs possuem relação com as principais passagens de tempo. É o caso da Páscoa (que ocorre no prime...
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A Bolsa Amarela, Lygia Bojunga - uma polêmica boba.

 Somente hoje vi a razão da polêmica sobre o livro A Bolsa Amarela de Lygia Bojunga: "O ambiente entre pais e responsáveis de alunos do  Colégio Militar Dom Pedro II , do  Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (CBMDF),  ficou tenso após a inclusão do livro  A Bolsa Amarela, da escritora Lygia Bojunga , na lista de leitura de turmas do 4º ano do ensino fundamental. A obra passou a ser alvo de críticas de famílias que consideram inadequada a abordagem de temas relacionados à  identidade de gênero para crianças de aproximadamente 9 anos . A reação ocorreu principalmente em grupos de  WhatsApp  utilizados para comunicação entre pais de alunos. Em mensagens compartilhadas entre os responsáveis, houve críticas à escolha pedagógica e questionamentos sobre a compatibilidade do conteúdo com os valores tradicionalmente associados ao ensino militar. " ( destaques feitos pela reportagem do site Metrópoles ) Fonte: Metrópolopes . O que penso:     ...

O Pecado do Rio, poema de Mia couto

Na igreja, Rosarinho se confessou: engravidei do rio, senhor padre. Com gesto de água arredondou o ventre. O padre se enrugou: ela que não usasse desculpa para os seus mortais pecados. A ofensa tremia na voz dela quando retorquiu: - Desculpe, padre, mas Nossa Senhora não emprenhou de um feixe de luz? Para mais, acrescentou Rosarinho, o senhor padre nem nunca, nem jamis viu esse rio. E rematou com lânguida saudade: aquele ondear, as tonturas que ele traz... Pegou o padre pela mão e o convidou para descer o vale. Agora, todas as noites o padre se banha nas águas do rio pecador. Mia Couto Poemas Escolhidos, cia das Letras 2016 págs. 44-45 em: págs. 44-45

Conjuga-me, poema de Fagner Mera

Na minha oração era você meu sujeito, meu predicado predileto. Onde eu, você e nós éramos além de pronomes. Mal sabia que, talvez o amor fosse apenas um objeto, direto. E eu no singular, pensando no plural, Acabei me tornando um mero sujeito oculto… Faltou concordância e não era nominal. Fui julgado, conjugado de forma errada, Me perdi no tempo, tornei-me passado, mais que imperfeito, faltaram verbos. E no futuro do pretérito havia um indicativo, um problema que talvez, não fosse simples, Composto talvez. E vendo aquele caos difícil de entender, na última lição de casa o verbo amar, decidiu me ensinar a conjugação do esquecer. Em: Leia Um Café e Tome Uma Poesia  

A Bolsa Amarela, conto de Lygia Bojunga

     Meu irmão chegou em casa com um embrulhão. Gritou da porta:      – Pacote da tia Brunilda!      Todo mundo correu, minha irmã falou:      – Olha como vem coisa.      Rebentaram o barbante, rasgaram o papel, tudo se espalhou na mesa. Aí foi aquela confusão:      – O vestido vermelho é meu.      – Ih, que colar bacana! Vai combinar com o meu suéter.      – Vê se veio alguma camisa do tio Júlio pra mim.      – Que sapato alinhado, tá com jeito de ser meu número.      Eu fico boba de ver como a tia Brunilda compra roupa. Compra e enjoa. Enjoa tudo: vestido, bolsa, sapato, blusa. Usa três, quatro vezes e pronto: enjoa.      Outro dia eu perguntei:      – Se ela enjoa tão depressa, pra que ela compra tanto? É pra poder enjoar mais? Ninguém me deu bola.       Não parava de sair coisa do pacot...

A História do Alfinete de Fralda ( que mora no bolso bebê da bolsa amarela) Lygia Bojunga

     Como ninguém conhece o Alfinete de Fralda, muito bem, eu acho melhor contar a história dele antes de continuar contando a minha:    Um dia eu ia passando e vi o Alfinete caído na rua. Peguei, limpei, desenferrujei, experimentei a pontinha dele no meu dedo, vi que ela era afiada toda a vida:      - Puxa!      E ela começou a riscar na minha mão tudo que o Alfinete queria dizer:      - Me guarda? Já não aguento mais viver aqui jogado: passa gente em cima de mim; chove, eu fico todo molhado, pego cada ferrugem medonha; e cada vez que varrem a rua eu esfrio: "pronto! vão achar que eu não sirvo mais pra nada, vão me levar no caminhão do lixo"; me encolho todo pra vassoura não me ver; e depois que ela passa, e depois que o susto passa, eu risco na calçada um anúncio de mim dizendo que eu sirvo sim; mas nunca acontece nada. Me guarda?      - Guardo.      - Então guarda.     ...

Desertificação, conto de Marina Colasanti

 O deserto começou a infiltra-se na casa por baixo da porta, areia tangida por invisível sopro. Abriram, espiaram o elevador, examinaram as escadas. Nada. Nem areia nem vento. Em casa, porta fechada, halitava o siroco. Abrasivo debaixo dos pés, suave concha nos cantos, a areia  acumulava-se. Desapareceram as flores do tapete, secaram as folhagens do sofá. Quando o desero sufocou os pássaros da tapeçaria, nenhum verde rstava na sala. Sem chuva, breve morreria também o oásis do quarto. Formada a primeira duna, o pai trouxe a cabra e o cabrito amarrados de corda. Garantiriam o leite. A mãe, arrancando as cortinas, providenciou panos, folgadas roupas, turbantes que protegiam a cabeça e a boca. Os olhos, na claridade, trabalhavam para descobrir entre frestas algum alimento para as cabras. E à noite acendiam em fogueiras o que restava dos móveis. Mas logo a duna começou a mover-se. Desfaziam-se as ondas do cimo para ondularem mais adiante. Era hora de partir. Desmontaram a tenda, a...