O Cego Estrelinho era pessoa de nenhuma vez: sua historia poderia ser contada e descontada não fosse seu guia, Gigito Efraim. A mão de Gigito conduziu o desvistado por tempos e idades. Aquela mão era repartimento comum, extensão e um no outro, siamensal. E assim era quase de nascença. Memória de Estrelinho tinha cinco dedos e eram de Gigito postos, em aperto, na sua própria mão. O cego, curioso, queria saber de tudo. Ele não fazia cerimônia no viver. O sempre lhe era pouco e o tudo insuficiente. Dizia deste modo: - Tenho que viver já, senão esqueço-me. Gigitinho, porém, o que descrevia era o não havia. O mundo que ele minuciava eram fantasias e rendilhados. A imaginação do guia era mais profícua que papaeira. ...
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