Sou versado em pouca coisa mas burro é que eu não sou; entre os bichos do presépio eu sei sempre onde estou. Se era preciso calor e uma eterna companhia, ali estava eu presente enquanto o menino nascia. Como não sou adivinho, nem sequer mestre em magia, quem esse menino era eu ao certo não sabia Filho de gente modesta, tinha um brilho no olhar que era só comparável ao das noites de luar. Velando pelo seu sono, sem o deixar despertar, eu ficava de atalaia evitando até zurrar. Sem que saiba bem o quê, qualquer coisa me fez pensar que essa noite em Belém o mundo iria mudar. Mal sabia nessa altura, num lugar de escassa luz, que essa criança, afinal, era o Menino Jesus. Em: O Livro do Natal
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