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Mostrando postagens com o rótulo poema de natal

O Burro do Presépio, José Jorge Letria

Sou versado em pouca coisa mas burro é que eu não sou; entre os bichos do presépio eu sei sempre onde estou. Se era preciso calor e uma eterna companhia, ali estava eu presente enquanto o menino nascia. Como não sou adivinho, nem sequer mestre em magia, quem esse menino era eu ao certo não sabia Filho de gente modesta, tinha um brilho no olhar que era só comparável ao das noites de luar. Velando pelo seu sono, sem o deixar despertar, eu ficava de atalaia evitando até zurrar. Sem que saiba bem o quê, qualquer coisa me fez pensar que essa noite em Belém o mundo iria mudar. Mal sabia nessa altura, num lugar de escassa luz, que essa criança, afinal, era o Menino Jesus. Em: O Livro do Natal

Natal, Olegário Mariano.

Presépio artesanal, da exposição Oriundi - SP “Filho! Serás feliz!” – Era a voz de Maria Que entre beijos e lágrimas dizia, Ao ver seu grande filho que nascia De olhos azuis e cabecinha loura. Foi no palácio de uma estrebaria, No berço de ouro de uma manjedoura. Lá fora, em céu tranquilo, uma estrela  luzia. A areia do areal machucada rangia: Eram os passos dos camelos, eram Três vultos numa sombra que crescia... E os Reis Magos trouxeram Para o Senhor do Mundo que dormia Ouro, Mirra e Incenso. Aleluia! Aleluia! Alegria! Alegria! Um era preto como a noite, Outro moreno como a tarde, Outro era claro como o dia. Ajoelharam-se trêmulos de espanto Diante da estrela humana que nascia. Mas, no silêncio, em torno só se ouvia: - “Filho! Serás feliz!”  Sempre a voz de Maria Martirizada, cadenciada. Era mãe e previa No seu saber profundo, Como ia ser rude a jornada E como sofreria Seu pequenino Deus – Senhor do Mundo. ...