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Mostrando postagens com o rótulo Artur Azevedo

Nascido em 7 de Julho: Artur Azevedo

    Um Capricho      Em Mar de Espanha havia um velho fazendeiro, viuvo que tinha uma filha muito tola, muito mal-educada, e, sobretudo. muito caprichosa. Chamava-se Zulmira. Um bom rapaz, que era empregado no comércio da localidade, achava-a bonita, e como estivesse apaixonado por ela, não lhe descobria o menor defeito. Perguntou-lhe uma vez se consentia que ele fosse pedi-la ao pai. A moça exigiu dois dias para refletir. Vencido o prazo, respondeu: — Consinto, sob uma pequena condição. — Qual? — Que o seu nome seja impresso. — Como? — É um capricho. — Ah! — Enquanto não vir o seu nome em letra redonda, não quero que me peça. — Mas isso é a coisa mais fácil... — Não tanto como supõe. Note que não se trata da assinatura, mas do seu nome. É preciso que não seja coisa sua. Epidauro, que assim se chamava o namorado, parecia ter compreendido. Zulmira acrescentou: — Arranje-se! E repetiu: — É um capricho. Epidauro aceitou...

O Doido, Artur Azevedo

Não havia dúvida: o pobre Canuto estava completamente doido. A princípio, foram uns acessos profundos de melancolia, um desejo de andar metido pelos cantos, com a cara para o lado da parede. Como se o mundo não lhe importasse para mais nada, contemplando as unhas, sorrindo. Vieram depois o monólogos, os longos monólogos incoerentes, em que ele não dizia coisa com coisa, até que um dia ficou furioso, quebrou pratos e garrafas, escangalhou um velho relógio d          e armário e, descendo ao terreiro da fazenda, espancou um moleque, matou algumas galinhas, e espojou-se no chão, às gargalhadas! A família fechou-se toda num quarto, aos gritos. Foram os pretos que subjugaram o doido e conseguiram metê-lo num pardieiro arruinado, que havia sido senzala noutro tempo, e amarrá-lo solidamente a uma viga. Imagine-se a aflição do obre Miranda, o velho fazendeiro, com o filho doido – um filho querido, rapaz inteligentíssimo, que concluíra o te...