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Arrasando na terceira idade: Livraria Saraiva 100 anos

·                     De um pequeno comércio de livros usados, do imigrante português Joaquim Inácio da Fonseca Saraiva, nasceu o que conhecemos hoje nas principais cidades do país. Uma cadeia de 98 livrarias. A Livraria Saraiva, que começou como Livraria Acadêmica e tinha acervo apenas de livros jurídicos, hoje possui 98 lojas.  Antes iniciada no largo do ouvidor próxima da mais importante faculdade de direito da USP, no Largo de São Francisco,  cresceu  e diversificou mix de produtos de acordo com a demanda.  À época da loja pioneira, Livraria Acadêmica, o Sr. Joaquim, recebeu dos estudantes e professores  apelido de Conselheiro Saraiva, pela orientações que deste recebiam. O conselheiro era homem de visão e inaugurou a fase editorial da livraria, com o livro O Casamento Civil, de Aniceto Corrêa. Pouco depois e ainda nos anos 30 passou a editar livros didáticos, literatur...

O Lírico Lamartine, conto de Alcântara Machado

      Desembargador. Um metro e setenta e dois centímetros culminando na careca aberta a todos os pensamentos nobres, desinteressados, equinânimes. E o fraque. O fraque austero como convém a um substituto profano de toda. E os óculos.Sim: os óculos. E o anelão de rubi. É verdade: o rutilante anel de rubi. E o todo de balança. Principalmente o todo de balança. O tronco teso, a horizontalidade dos ombros, os braços a prumo. Que é que carrega na mão direita? A pasta. A divina Têmis não se vê. Mas está atrás. Naturalmente. Sustentando sua balança. Sua balança: o Desembargador Lamartine de Campos.      Aí vem ele.      Paletó de pijama sim. Mas  colarinho alto.      - Joaquina, sirva o café.      Por enquanto o sofá da saleta ainda chega para Dona Hortênsia. Mas amanhã? No entanto o desembargador desliza um olhar untuoso sobre os untos da metade. O peso da esposa sem dúvi...

O Doido, Artur Azevedo

Não havia dúvida: o pobre Canuto estava completamente doido. A princípio, foram uns acessos profundos de melancolia, um desejo de andar metido pelos cantos, com a cara para o lado da parede. Como se o mundo não lhe importasse para mais nada, contemplando as unhas, sorrindo. Vieram depois o monólogos, os longos monólogos incoerentes, em que ele não dizia coisa com coisa, até que um dia ficou furioso, quebrou pratos e garrafas, escangalhou um velho relógio d          e armário e, descendo ao terreiro da fazenda, espancou um moleque, matou algumas galinhas, e espojou-se no chão, às gargalhadas! A família fechou-se toda num quarto, aos gritos. Foram os pretos que subjugaram o doido e conseguiram metê-lo num pardieiro arruinado, que havia sido senzala noutro tempo, e amarrá-lo solidamente a uma viga. Imagine-se a aflição do obre Miranda, o velho fazendeiro, com o filho doido – um filho querido, rapaz inteligentíssimo, que concluíra o te...