Mané-Paciência é triste, esquelético e bambo. Barba sem côr, pele rugosa, olhar sem brilho. Se a vida transformou seu corpo num molambo, O infortúnio o adotou como se adota um filho. Pede esmolas, rodando entre as mãos a sacola. O grande chapelão lhe aumenta o ar de inocência. Se alguém dêle sorri quando lhe nega esmola, Mané- Paciência se descobre e diz: paciência... Mas, através daquele corpo, nas encolhas, Vive em sua humildade, uma alma nordestina Que se debruça como uma árvore sem fôlhas Procurando esconder aquela humana ruína. Mané-Paciência é bem a paisagem nativa, O anônimo infortúnio e a miséria sem nome. Tanto esplendor no céu de uma chama tão via E debaixo do céu tanta gente com fome!