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Mostrando postagens com o rótulo diabo

Crônica Cantada: Bela Inês, Alceu Valença

Uma musa matriz de tantas músicas Melindrosa mulher e linda, e única Como o lado da Lua que se oculta Escondia o mistério e a sedução Comovida com a revolução De Guevara, Camilo e Sandino Escutou meu Espelho Cristalino Viajou nosso sonho libertário Bela Inês, com seu peito de operário A burguesa que amava o Capitão Acontece que a história não tem pressa E o amor se conquista passo a passo O ciúme é a véspera do fracasso E o fracasso provocar o desamor Bela Inês teve medo do condor Queimou cartas, lembranças do passado E nessa guerra de Deus e do diabo Entre fogo cruzado desertou Bela Inês, com seu peito de operário Não me esconde seu ar conservador Mas eu tenho um espelho cristalino Que uma baiana me mandou de Maceió Ele tem uma luz que me alumia Ao meio dia clareia a luz do Sol Olha que eu tenho um espelho cristalino Que uma baiana me mandou de Maceió Ele tem uma luz que me alumia Ao meio dia clareia a luz do Sol Acontece que a história não tem pressa E o amor se conquista passo a pa...

A Igreja do Diabo (3 e 4) Machado de Assis

(3) A Boa Nova Aos Homens      Uma vez na terra, o Diabo não perdeu um minuto. Deu-se pressa em enfiar a cogula beneditina, como hábito  de boa fama, e entrou a espalhar uma doutrina nova e extraordinária, com uma voz que reboava nas entranhas do século. Ele prometia aos seus discípulos e fiéis as delícias da terra, todas as glórias, os deleits mais óntimos. Confessava que era o Diabo; mas confessava-o para retificar a noção que os homens tinham dele e desmentir as histórias que a seu respeito contavam as velhas beatas.       - Sim, sou o diabo, repetia ele; não o Diabo das noites sulfúreas, dos contos soníferos, terror das crianças, mas o Diabo verdadeiro e único, o próprio gênio da natureza, a que se deu aquele nome para arredá-lo do coração dos homens. Vede-me gentil e airoso. Sou o vosso verdadeiro pai. Vamos lá: tomai daquele nome, inventado para meu desdouro, fazei dele um troféu e um lábaro, e eu vos darei tudo, tudo, tudo, tudo,...

Papa Escreve Para Lula Diabo Escreve Para Bozo, Pedro Paulo Paulino

Pelas redes sociais, Quase todo mundo leu Carta que o Papa Francisco Recentemente escreveu, Seu nome embaixo assinou E para Lula enviou, Que bastante o comoveu. Nessa carta já histórica, Fala Sua Santidade Em amor, em esperança, Em justiça e liberdade. E de maneira envolvente, Expõe ao ex-presidente Sua solidariedade. Por outro lado, no inferno, O diabo, com mais de cem, Todo cheio de rancor, Resolveu lá do além, De modo bastante claro Escrever pra Bolsonaro A sua carta também. Pela inveja, todos sabem, O capeta vive cego. Quando soube da notícia, Viu insultado o seu ego, Uma carta logo fez E lançou, por sua vez, No site da caixa-prego. Um internauta que viu, Leu a carta até o fim, Aproveitou, fez um print Da letra do “coisa ruim”, Um escrito bem graúdo E todo seu conteúdo Diz mais ou menos assim:  “Inferno, trinta de maio, Caro Bozo presidente, Desde que você ganhou, Vivo aqui muito contente! Lhe apoiei, não me arrependo, Aprovo o que ...

Cântico Negro, José Régio

Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces Estendendo-me os braços, e seguros De que seria bom que eu os ouvisse Quando me dizem: "vem por aqui!" Eu olho-os com olhos lassos, (Há, nos olhos meus, ironias e cansaços) E cruzo os braços, E nunca vou por ali... A minha glória é esta: Criar desumanidades! Não acompanhar ninguém. — Que eu vivo com o mesmo sem-vontade Com que rasguei o ventre à minha mãe Não, não vou por aí! Só vou por onde Me levam meus próprios passos... Se ao que busco saber nenhum de vós responde Por que me repetis: "vem por aqui!"? Prefiro escorregar nos becos lamacentos, Redemoinhar aos ventos, Como farrapos, arrastar os pés sangrentos, A ir por aí... Se vim ao mundo, foi Só para desflorar florestas virgens, E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada! O mais que faço não vale nada. Como, pois, sereis vós Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem Para eu derrubar os meus obstáculos?... Corre, nas vossas veias, sangue velho do...

Conversa Com o Diabo I, Rubem Alves.

         Ele chegou e foi falando num tom queixoso:    “Falam mal de mim. Dizem que gosto das coisas feias, que tenho cheiro de enxofre, chifres e patas de bode. Houve mesmo maledicentes que disseram que eu e Lutero inventamos a guerra química, pois nos atacávamos fazendo uso de gases mal cheirosos expelidos pelo orifício inferior. O Riobaldo, conhecedor das tolices da cabeça dos homens, sabia do gosto que têm as pessoas pelas invencionices.”    Para documentar o que ia dizer, abriu a mala 007 e tirou de lá de dentro um volume do livro Grande sertão: veredas . Estava caindo aos pedaços, folhas soltas, folhas rasgadas.    “O senhor me perdoe pelo estado do livro. É que ele é minha segunda Bíblia, do jeito coo diz Adélia. Todo dia leio um pedacinho. Nem sei mesmo quantas vezes já li o livro de cabo a rabo. Modéstia à parte, é preciso que se saiba que eu ajudei o João. Acham que ele a inventar tudo...