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Mostrando postagens de junho, 2023

Casa Velha, o romance esquecido de Machado de Assis.

Considerado por muito tempo um “romance esquecido” de Machado de Assis, Casa Velha foi a única narrativa não publicada em forma de livro enquanto o autor era vivo. Lançada primeiramente como folhetim entre 1885 e 1886 pela Revista Carioca, a obra que é um retrato dos traços da primeira fase literária do autor, permaneceu no esquecimento durante décadas até ser resgatada, em 1943, por críticos literários e pesquisadores. Com uma nova edição integral revisada pela Via Leitura, selo do Grupo Editorial Edipro, nesta obra o leitor acompanha as lembranças de um padre que investiga documentos sobre o Primeiro Reinado na residência de um falecido ministro: ele descobre uma história de amor incestuosa entre o herdeiro Félix e a agregada da casa, Lalau e faz um balanço das perdas e ganhos dessa paixão. Amor non inprobatur, escreveu o meu grande Santo Agostinho. A questão para ele, como para mim, é que as criaturas sejam amadas e amem em Deus. Assim, quando desconfiei, por aquele gesto, que esta

Minhas Leituras: Primeiro Semestre de 2023

 A melhor leitura foi o livro de Érico Veríssimo, Incidente em Antares . Li em grupo, apreciei e aprendi muito com os comentários e considerações das colegas.  Talvez Você Deva Conversar Com Alguém , Lori Gottlieb me agradou muito. Esclareço que não é livro de auto-ajuda e recomendo a leitura. 70 Historinhas é uma apanhado de pequenas crônicas de Drummond. Recomendo principalmente para quem só conhece Drummond como poeta. Tudo Nela Brilha e Queima foi uma agradável leitura. Descobri autora, Rayane Leão, por acaso. Vale conferir. Um Grão de Trigo , foi um feliz reencontro com o autor queniano Ngugi Wa Thiongo, recomendo. A Grande Solidão, foi um presente que adorei receber pelo carinho e pelo conteúdo. O livro me prendeu desde o início. Nada é obvio na história de onde tirei também conhecimentos sobre o mundo gelado onde a trama é ambientada. Obrigada, Madá!!

Estadão indica: Livros Para Ler No Inverno/Férias

Estadão escolheu para leitura de inverno/férias 12 livros dentre os recém lançados ficção e não ficção no Brasil. Vamos conferir? Ficção: Inverno, Karl Ove Knausgard Segundo volume da Quadrilogia das Estações, de Karl Ove Knausgård (1968), autor da série autobiográfica Minha Luta . Neste volume , Karl Ove Knausgård e sua mulher vivem o último semestre da gestação da filha. Assim como em Outono, mas agora motivado por um clima mais austero e vagaroso, ele elabora ensaios singulares sobre o mundo que ela irá encontrar ao nascer. A carta que abre o volume é destinada à menina. Por quase dois meses, a preparação para a sua chegada era feita por meio de pequenas mas extraordinárias reflexões sobre a neve, alguns objetos de casa, Natal e Papai Noel, animais, amigos. No meio da escrita do livro, porém, uma surpresa: o nascimento, um mês antes do planejado. Cinzas Na Boca, Branda Navarro Na história, uma jovem mexicana parte para a Espanha com o irmão para reencontrar a mãe, ausente desde a

São João Antigo, Luís Gonzaga.

     Li ontem uma matéria sobre quadrilha junina.  Gostei de saber da origem da dança por exemplo, mas o trecho final que menciona a "quadrilha estilizada" doeu.   Venho há muito tempo sentindo saudade  da quadrilha tradicional sem essas roupas mais próximas de blocos de carnaval, com encenações  ruins,  repetitivas e excludentes.   É meu único momento de saudosismo.   E, nessa questão  de festa de São João, estou com Luís Gonzaga.   ( Para ouvir a música clique nas palavras em azul) Festa Junina, Edilsom Silva Araújo São João Antigo, Luís Gonzaga Era a festa da alegria (São João) Tinha tanta poesia (São João) Tinha mais animação, mais amor, mais emoção Eu não sei se eu mudei ou mudou o São João São João (Tinha tanta poesia) São João (Tinha mais animação, mais amor, mais emoção) (Eu não sei se eu mudei ou mudou o São João) Vou passar o mês de Junho nas ribeiras do sertão Onde dizem que a fogueira ainda aquece o coração Pra dizer com alegria, mas chorando de saudade Não mudei,

No Ônibus, Carlos Drummond de Andrade

  A senhora subiu, Deus sabe como, em companhia de dois garotos. Cada garoto com sua merendeira e sua pasta de livros e  cadernos indispensáveis para a aquisição das preliminares da sabedoria. (Quando chegarem ao ensino médio, terão de carregar uma papelaria e uma biblioteca?) O ônibus não cabia mais ninguém. A bem dizer, não cabia nem o pessoal que se espremia lá dentro em estado de sardinha. Na massa compacta de gente, ou de seções de gente que a vista alcançava, percebi aquelas mãozinhas tentando segurar as pastas atochadas. – Deixa que eu carrego – falei na direção de um dos braços a meu alcance. Na qualidade de passageiro sentado, é irresistível minha inclinação para carregar embrulhos alheios. Estou sempre a oferecer préstimos, movido talvez pelo remorso de viajar sentado, e de só ceder lugar a pessoas mais idosas do que eu – pessoas que raramente aparecem no ônibus, de sorte que… – Eu carrego pra vocês – insisti, executando um movimento complicado, para enxergar os rostos dos ga

30 Melhores Livros Infantis de 2023, Revista Crescer

Balas mágicas Autora : Heena Baek Editora : Companhia das Letras Faixa etária:  a partir de 6 anos “Eu brinco sozinho”, anuncia o narrador-protagonista na primeira página. Mesmo ele dizendo que nem é tão ruim assim, vamos sentindo um nó na garganta: o texto tenta nos mostrar a perspectiva positiva, porém, nas imagens, o garoto está triste, os amigos estão longe e um pequeno cachorro aparece cabisbaixo, seguindo-o na coleira. É quando o menino compra novas bolinhas de gude que o leitor entende os detalhes: além de serem “balas-bolinhas”, elas são mágicas, e dão ao menino o poder de ouvir coisas especiais. A aclamada autora sul-coreana Heena Baek vai mostrando os silêncios com os quais este menino é desafiado a viver – o livro abaixo, Eu Sou Cachorro, é dela também e traz os mesmos personagens! Heena venceu o ALMA (Astrid Lindgren Memorial Award), uma das maiores premiações da área, de 2020. Eu sou cachorro Autora:  Baek Heena. tradução: Ara Cultural  Editora:  Amelí Faixa etária:  a par