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Fada da Rua Favorita, soneto de Luciano Maia

antes que a noite finde e se conclua o derradeiro gesto do luar ainda se vesta de mistério e lua o seu corpo de enigmas sem par. Seu gesto com aquele compactua e um fascínio de lua, singular cai sobre as pedras toscas desta rua a favorita rua do meu bar. Quem lhe dará o bem que ela lhe quer? Quem das perdas de noite se ressarce nas dádivas de amor dessa mulher? Se o seu gesto é sem medo e sem disfarce e se a paixão do mundo ela souber quem saberá por ela apaixonar-se? Em: Dunas, livro de sonetos, Luciano Maia, Academia Cearense de Letras 1984, pág.81

Sonho Gelado, Cizenando Cipriano

     A noite já dança sensualmente entre luas, olhares e esbarrões. Porto seguro, a mesa de bar é a casa do boêmio. Entre encontros originais, alegrias desdobradas e tristezas destiladas, nascemorrem   madrugadas e sonhos, enquanto sobrevive a ilusão. No copo úmido, a ideia vem lenta como o próximo gole:   por que não?   É a pergunta fatal. O vão entre o brilhantismo e a estupidez, dizem, é de 20 andares. Como só esteve em um dos lados da equação, ele não pode confirmar a tese. Reunido com os amigos, deixa-se levar pela possibilidade antes desejada, há pouco palpável e agora real: com a experiência de quem já transitou dos botequins mais vagabundos às franquias assépticas, tinham condições de abrir seu próprio bar. Nada mais perfeito do que fazer do prazer uma fonte de renda, não? E, ainda, após tantos golpes de água fria nos pés e ofertas de retirada das mais sutis às mais grosseiras, manteriam a porta de ferro levantada pelo tempo que deseja...

Nós Três, Paulo Maldonado

     Dirijo de volta, Sílvio emborcado ao meu lado. Passa da meia-noite. Deixamos Pedro no Flamengo e atravessamos Botafogo, em direção à Barra.     Nossos encontros servem de refresco para as aporrinhações do trabalho, mulher e filhos. São a confirmação de nossa amizade, valor maior que cultuamos nesse tempo de puro egoísmo e solidão. As regras foram se estabelecendo naturalmente: só a pedido falamos de assuntos pessoais e de família; evitamos o mau humor e a depressão e só faltamos em casos graves. Discutimos futebol, política, mulheres, assuntos da semana, contamos piadas, falamos mal de conhecidos, fazemos todas as gozações permitidas pela intimidade. Mas, principalmente, enchemos a cara.       Pedro, antes de saltar no Flamengo, reclamou muito, contando que está de saco cheio da mulher, fica acordada esperando ele chegar, cheia de ciúmes, diz que somos viados, tem muita chiação, choro e há semanas ele está dormindo na...