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           Gosto de fazer a retrospectiva, porque revejo postagens e comentários. Este ano, o texto de uma amiga está entre as cinco mais lidas. Fiquei feliz por ela.    Clique no título e releia.  Vale a pena. Um Cinturão , Graciliano Ramos.  7 de maio 8 Mulheres Que Brilharam e Não Podem Ser Esquecidas - 8 de março Os Tigres de Tozamurai-No-Ma , Manuel António Pina - 26 de abril Aprenda a Chamar a Polícia , Luis Fernando Veríssimo - 31 de maio Corporiedade Feminina , Janete Barros - 12 de março

Um Cinturão, Graciliano Ramos

     As minhas primeiras relações com a justiça foram dolorosas e deixaram-me funda impressão. Eu devia ter quatro ou cinco anos, por aí, e figurei na qualidade de réu. Certamente já me haviam feito representar esse papel, mas ninguém me dera a entender que se tratava de julgamento. Batiam-me porque podiam bater-me, e isto era natural.      Os golpes que recebi antes do caso do cinturão, puramente físicos, desapareciam quando findava a dor. Certa vez minha mãe surrou-me com uma corda nodosa que me pintou as costas de manchas sangrentas. Moído, virando a cabeça com dificuldade, eu distinguia nas costelas grandes lanhos vermelhos. Deitaram-me, enrolaram-me em panos molhados com água de sal – e houve uma discussão na família. Minha avó, que nos visitava, condenou o procedimento da filha e esta afligiu-se. Irritada, ferira-me à toa, sem querer.    Não guardei ódio a minha mãe: o culpado era o nó. Se não fosse ele, a flagelação me haveria causa...