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Mostrando postagens com o rótulo Pajeú

A Dor de Ser Poeta, Vinícius Gregório

Talvez não seja tão bom Ser poeta nessa vida; Talvez seja até sofrida A vida com esse dom. Afirmo isso em bom som: Alegria nos renega! É que o poeta se entrega, Sente a dor de todo mundo... Tem sempre um choro profundo Que no sei peito se apega. Saudade é sempre pior No coração do poeta! Alegria é nossa meta, Mas a tristeza é maior! Eu sinto a dor do menor Abandonado e sem trilho,  Sinto a dor do andarilho, Sinto do velho a idade, Eu sinto até da saudade, Da mãe que perdeu o filho... Eu sinto a dor de quem ama, Mas não pode ser amado. Eu sofro multiplicado Quando a paixão não me inflama. Eu sinto o queimar da chama De quem sente solidão. Sinto a fome de um irmão Que a muito tempo não come, Eu sinto a praga da fome Que atrapalha meu sertão. O poeta nasce feito Com seu destino traçado. Já nasce predestinado A sentir dor no seu peito... Deus nos criou desse jeito: Uma raça diferente. Sinto a dor de toda gente Que não tem sonho nem meta... S...

Segunda-feira poética: Andar a Esmo, Sentir a Vida. José Antônio Pajeú

A esmo, caminhando pela Rua, Percorri, canto a outro, a Imensidão. O Imenso clarão da Bela Lua, Derramando Luz e Cores pelo chão. O cheiro denso da Brisa que flutua, A roçar no meu rosto em Efusão. O Barulho do Silêncio, eu só, a Rua, O Intenso desejo da Paixão. Tendo a vida, como Guia e Sentinela, A levar-me pelas vias da razão. A mostrar que a IMENSIDÃO é tão singela, E que ela, a vida, é tão, tão bela, Que vivê-la e sentir-se dentro dela, Nos faz ver, que é bela, até, a SOLIDÃO. Salve Jorge!

A Volta, Marcos Cirano

Trinta e sete anos depois, quando voltei pela primeira vez a minha cidade, só então descobri que aquela já não era mais a minha cidade. De tudo o que ali deixei, quase nada mais existia. As pessoas, também quase todas, não eram aquelas mesmas pessoas com as quais eu vivera sonhos e fantasias, vitórias e derrotas, tristezas e glórias... E, foi aí que me abateu uma gelada melancolia... Não é que não havia grandes explosões de vida naquela cidade que agora eu encontrava. Nem que eu quisesse que tudo tivesse permanecido estático, exatamente igual como nos tempos de quando ali vivi. Não é isso!... É que eu gostaria que, pelo menos, algumas daquelas coisas que várias gerações passadas construíram (e foi com tanto sacrifício!) existissem para sempre – ou para quase sempre, como se estivessem ali a dizer: - Olhem, foi assim que tudo começou!... E o que hoje eu mais queria de volta da minha velha cidade?... Simples! Primeiro, eu gostaria que devolvessem o charmoso prédio do cinema...

Decreto Batendo o Martelo, Antônio Marinho Nascimento

Meus senhores de letras e de anéis Por favor me escutem um minuto E observem um momento este matuto La da terra das feiras de cordéis Onde a voz dos poetas menestréis Tem a luz do improviso sobre-humano Canta a dor, a tristeza, o desengano Mas também canta o belo, a alegria Canta a noite com a lua, o sol com o dia Nos dez pés de martelo alagoano São José do Egito é sem igual Terra mágica que encanta o Pajeú No sertão que inspirou Zezé Lulu E o freqüente trocar de Lourival De Canção é a terra original E de Job o poeta mais humano Que no pé-de-parede mano a mano Foram todos uns grandes campeões De um duelo ilustrado de emoções Nos dez pés de martelo alagoano Um decreto por nos foi assinado Onde diz que quem nasce neste chão Se não escreve ou improvisa algum quadrão Tem que ter pelo menos decorado Algum verso que foi improvisado Por Marinho que foi nosso decano Ou saber algo de Rogaciano Pra se um dia um amor for pelos ares Tomar uma dizendo "SE VOLTARES...