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Mostrando postagens com o rótulo descrença

Poemas da M.P.B: O Ateu Comovido, Alceu Valença ( canção dedicada a Dom Helder Câmara)

Eu vinha descendo a ladeira E ouvi no sussurro do vento Que a vida se dá por inteiro Ao homem que é só sentimento Eu vinha descendo a ladeira E ouvi no sussurro do vento Que a vida se dá por inteiro Ao homem que é só sentimento Descendo a ladeira (descendo a ladeira) Da Igreja da Sé (da Igreja da Sé) Ateu comovido (ateu comovido) Em busca de fé Descendo a ladeira Da Igreja da Sé Ateu comovido Em busca de fé Fé em Deus, fé na terra, nos astros Nos riachos, nas matas, nos lagos No trabalho, fé nos sindicatos Fé nos búzios, nas conchas do mar Descendo a ladeira (descendo a ladeira) Da Igreja da Sé (da Igreja da Sé) Ateu comovido (ateu comovido) Em busca de fé Descendo a ladeira Da Igreja da Sé Eu, ateu comovido Em busca de fé Fé em Deus, fé na terra, nos astros Nos riachos, nas matas, nos lagos No trabalho, fé nos sindicatos Fé nos búzios, nas conchas do mar Alceu homenageia d.Helder

O Ateu, conto de Rachel de Queiroz

     Era uma vez, já faz muito tempo, havia um homem que era ateu. Naquele pequeno povoado onde morava não existia nenhum outro ateu igual a ele, de forma que o coitado vivia em grande isolamento. Mas era orgulhoso e não se queixava, mesmo quando se sentia mais solitário, por exemplo nos dias de domingo, em que todo o povo da terra ia ouvir missa e ele ficava vagando entre as árvores da praça; ou na véspera de Natal, quando as pessoas só se preocupavam com o Presépio e com a Missa do Galo. Tocavam os foguetes, os sinos repicavam, todo o mundo se alegrava e ia cear, mas o ateu declinava os convites que lhe faziam: não tendo rezado, não se achava com direito à ceia, pois ele com ser ateu não deixava de ser honesto; trancava-se em casa e ficava de vela acesa, lendo um dos seus livros de ateísmo. E, se alguma das pessoas vindas de longe para assistir às festas naquele povoado estranhava a silhueta do homem solitário a ler junto à fresca da janela e perguntava por que não esta...

Vamos Pensar? (27) Hannah Arendt

   “Mentir constantemente não serve mais para fazer as pessoas acreditarem em uma mentira, mas p ara garantir que ninguém acredite em nada.” A filósofa alerta para o perigo de uma sociedade mergulhada na desconfiança, onde a manipulação das narrativas não visa apenas enganar, mas anular a própria capacidade de distinguir entre verdade e falsidade. Esse estado de confusão fragiliza os vínculos sociais, mina a ética e abre espaço para regimes autoritários que se alimentam do descrédito coletivo. Mas o que acontece com uma comunidade quando a fronteira entre verdade e mentira deixa de existir? Nesse cenário, a perda da confiança transforma-se em descrença generalizada, tornando os indivíduos incapazes de julgar o que é justo ou injusto. A verdade deixa de ser parâmetro, e o bem e o mal tornam-se categorias maleáveis, moldadas pelo poder de quem controla o discurso. Arendt nos mostra que o maior perigo não é a mentira em si, mas a erosão da confiança pública, que enfraquece a libe...

O Mal e o Sofrimento, Leandro Gomes de Barros

Se eu conversasse com Deus Iria lhe perguntar: Por que é que sofremos tanto Quando viemos pra cá? Que dívida é essa Que a gente tem que morrer pra pagar? Perguntaria também Como é que ele é feito Que não dorme, que não come E assim vive satisfeito. Por que foi que ele não fez A gente do mesmo jeito? Por que existem uns felizes E outros que sofrem tanto? Nascemos do mesmo jeito, Moramos no mesmo canto. Quem foi temperar o choro E acabou salgando o pranto?” Leandro Gomes de Barros :  poeta paraibano cuja obra foi usada por Ariano Suassuna em, por exemplo, O Auto d Compadecida. Leia sobre ele clicando aqui Imagem e mais informações sobre o autor, clique aqui  

Crônica cantada:Sandy e Gilberto Gil Se Eu Quiser Falar Com Deus

Se Eu Quiser Falar Com Deus Gilberto Gil Se eu quiser falar com Deus Tenho que ficar a sós Tenho que apagar a luz Tenho que calar a voz Tenho que encontrar a paz Tenho que folgar os nós Dos sapatos, da gravata Dos desejos, dos receios Tenho que esquecer a data Tenho que perder a conta Tenho que ter mãos vazias Ter a alma e o corpo nus Se eu quiser falar com Deus Tenho que aceitar a dor Tenho que comer o pão Que o diabo amassou Tenho que virar um cão Tenho que lamber o chão Dos palácios, dos castelos Suntuosos do meu sonho Tenho que me ver tristonho Tenho que me achar medonho E apesar de um mal tamanho Alegrar meu coração Se eu quiser falar com Deus Tenho que me aventurar Tenho que subir aos céus Sem cordas pra segurar Tenho que dizer adeus Dar as costas, caminhar Decidido, pela estrada Que ao findar vai dar em nada Nada, nada, nada, nada Nada, nada, nada, nada Nada, nada, nada, nada Do que eu pensava encontrar