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A Igreja do Diabo (1 e 2), Machado de Assis

(1) Uma Idéia Mirífica*      Conta um velho manuscrito beneditino que o Diabo, em certo dia, teve a idéia de fundar uma igreja. Embora os seus lucros fossem contínuos e grandes, sentia-se humilhado com o papel avulso que exercia desde séculos, sem organização, sem regras, sem cânones, sem ritual, sem nada. Vivia, por assim dizer, dos remanescentes divinos, dos descuidos e obséquios humanos. Nada fixo, nada regular. Por que não teria ele a sua igreja? Uma igreja do Diabo era o meio eficaz de combater outra religiões, destruí-las de uma vez.       - Vá, pois, uma igreja, conclui ele. Escritura contra Escritura,breviário contra breviário. Terei a minha missa, com vinho e pão à farta, as minhas prédicas, bulas, novenas e todo o aparelho eclesiástico. O meu credo será o núcleo universal dos espíritos, a minha igreja uma tenda de Abrão. E depois, enquanto a outras religiões se combatem, se dividem, a minha igreja será única; não acharei diante d...

Magdalena, Paulo Bomfim

    Tia Magdalena é das melhores lembranças que trago da infância.       Foi companheira e confidente das travessuras do menino solitário rodeado de gente muito mais velha e dos altos muros que cercavam a casa dos avós na Vila Buarque.       Colecionamos juntos marcas de cigarros que recebíamos das visitas, e, depois, no porão da casa, acabávamos sempre fumando toda a coleção.       Essencialmente musical, escrevia bem e tinha o dom da sátira. Imitava com muita graça os outros; e os poemas onde retrata as fraquezas e o ridículo de pessoas e situações são peças dignas de serem assinadas por um Moacyr Piza ou por Juó Bananere.       Ao lado desse aspecto curioso da personalidade, foi durante alguns anos a melhor aluna de piano de Marieta Lion.       A peça “Noite de São Paulo” de Alfredo Mesquita, encenada no Municipal em 1936, é o divisor de ág...