Tudo passado, tudo esquecido, só fumaça na terra, nuvens soturnas, e, sobre os rios de cinzas, asas em chamas e um sol envenenado se turva e um fulgor de condenação reponta nas marés. Tudo passado, tudo esquecido, então é tempo de te ergueres e fugir, embora não saibas o pouso, a margem além daqui, vês tão só que o mundo arde. E é tempo de odiar o que amaste, de amar o que odiaste, de pisar as faces dos que escolheram a beleza sem alarde. Pelo vazio, pela avenida, por desfiladeiros mudos — onde o vento converte toda voz em murmúrio ou por um sono duro com a cabeça desabada — seguir. Então… Então tudo em mim era grito e chamado. Com seu grito e seu chamado me dilacerava a ceifa de sombrias primaveras. Basta. Basta. Nada se sonhou, afinal. Ninguém sabe nada de ti. É só o vento no arame retesado. Então é tempo. Eu amei essa terra como ninguém poderia em melhor época, quando os dias são felizes e as noites, quietas, quando, sob o arco do ar, sob o portão das nuvens, avulta a grande a...