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Mostrando postagens com o rótulo Czeslaw Milosz

Julgamentos, Czeslaw Milosz

  Tudo passado, tudo esquecido, só fumaça na terra, nuvens soturnas, e, sobre os rios de cinzas, asas em chamas e um sol envenenado se turva e um fulgor de condenação reponta nas marés. Tudo passado, tudo esquecido, então é tempo de te ergueres e fugir, embora não saibas o pouso, a margem além daqui, vês tão só que o mundo arde. E é tempo de odiar o que amaste, de amar o que odiaste, de pisar as faces dos que escolheram a beleza sem alarde. Pelo vazio, pela avenida, por desfiladeiros mudos — onde o vento converte toda voz em murmúrio ou por um sono duro com a cabeça desabada — seguir. Então… Então tudo em mim era grito e chamado. Com seu grito e seu chamado me dilacerava a ceifa de sombrias primaveras. Basta. Basta. Nada se sonhou, afinal. Ninguém sabe nada de ti. É só o vento no arame retesado. Então é tempo. Eu amei essa terra como ninguém poderia em melhor época, quando os dias são felizes e as noites, quietas, quando, sob o arco do ar, sob o portão das nuvens, avulta a grande a...

Esperança, Czeslaw Milosz.

Esperança surge, quando se acredita Que a Terra não é um sonho, mas um corpo vivo, Que não mentem o ouvido, o tacto, a visão E que todas as coisas que aqui conhecias São como um jardim visto do portão. Entrar lá não se pode. Mas ele existe com rigor. Se melhor olhássemos e com mais sabedoria, No jardim do mundo uma nova flor E mais do que uma estrela se avistaria. Há quem diga que os olhos nos iludem E que nada existe, apenas aparenta, Mas justamente esses não têm esperança. Pensar que ao virar as costas O mundo desaparecerá de repente Como que roubado por um delinquente. in “Ocalenic” (Salvação), 1945 Fonte: Vício de Poesia  Leia sobre o autor aqui   e aqui   Obras do autor em português: Testemunho da Poesia   Obras do autor em inglês aqui Fonte: Livraria Cultura