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Mostrando postagens com o rótulo José Luís Peixoto

Fingir Que Está Tudo Bem, José Luís Peixoto

        Fingir que está tudo bem: o corpo rasgado e vestido com roupa passada a ferro, rastos de chamas dentro do corpo, gritos desesperados sob as conversas: fingir que está tudo bem: olhas-me e só tu sabes: na rua onde os nossos olhares se encontram é noite: as pessoas não imaginam: são tão ridículas as pessoas, tão desprezíveis: as pessoas falam e não imaginam: nós olhamo-nos: fingir que está tudo bem: o sangue a ferver sob a pele igual aos dias antes de tudo, tempestades de medo nos lábios a sorrir: será que vou morrer?, pergunto dentro de mim: será que vou morrer? olhas-me e só tu sabes: ferros em brasa, fogo, silêncio e chuva que não se pode dizer: amor e morte: fingir que está tudo bem: ter de sorrir: um oceano que nos queima, um incêndio que nos afoga. Fonte: Org.com Leia mais de José Luís Peixoto   /  Palavras para minha mãe

Morreste-me, José Luis Peixoto

Acabei de ler Morreste-me de José Luís Peixoto.  Pela capa do exemplar fico sabendo que foi o livro que revelou o autor em 2000. Estou, portanto, atrasada em 15 anos.  O livro trata  luto do autor ao mesmo tempo em que homenageia seu pai. Me chamou a atenção a forma concisa e poética de José  Luís Peixoto .  Recomendo a leitura. " Pai. A tarde dissolve-se sobre a terra, sobre a nossa casa. O céu desfia um sopro quieto nos rostos. Acende-se a lua. Translúcida, adormece um sono cálido nos olhares. Anoitece devagar. Dizia nunca esquecerei, e lembro-me. Anoitecia devagar e, a esta hora, nesta altura do ano, desenrolavas a mangueira com todos os preceitos e, seguindo  regras certas, regavas as árvores e as flores do quintal; e tudo isso me ensinavas, tudo isso me explicavas. Anda cá ver, rapaz. E mostravas-me. Pai. Deixaste-te ficar em tudo. Sobrepostos na mágoa indiferente  deste mundo que finge continuar, os teus movimentos, o eclip...