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Mostrando postagens com o rótulo Ironia

Pardon Anything, crônica de Gregório Duvivier

Hello, Gringo! Welcome to Brazil. Não repara a bagunça. Don’t repair the mess. In Brazil we give two beijinhos. Em São Paulo, just one beijinho. If you are em Minas, it’s three beijinhos, pra casar. It’s a tradition. If you don’t give three kisses, you don’t marry in Minas. In the other places of Brazil, you can give how much beijinhos you want. In Rio, the beijinho is in the shoulder. The house is yours. Fica à vontade. Qualquer coisa é só gritar. Shout. Mas keep calm. Como é que se fala keep calm em inglês? Here the things demoram. It’s better to wait seated. Everything is atrasado, it’s like subentendido that the person will be atrasada. For a meeting, it’s meia hora. For a party, it’s two hours. For a stadium, it’s one year. For the metrô, it’s forever. Never say you are a gringo. Yes, people love gringo but people also love money and gringos have money so people vai cobrar de você mais money because you are gringo. Say you are from Florianópolis. People de Florianópolis look like ...

O Pecado do Rio, poema de Mia couto

Na igreja, Rosarinho se confessou: engravidei do rio, senhor padre. Com gesto de água arredondou o ventre. O padre se enrugou: ela que não usasse desculpa para os seus mortais pecados. A ofensa tremia na voz dela quando retorquiu: - Desculpe, padre, mas Nossa Senhora não emprenhou de um feixe de luz? Para mais, acrescentou Rosarinho, o senhor padre nem nunca, nem jamis viu esse rio. E rematou com lânguida saudade: aquele ondear, as tonturas que ele traz... Pegou o padre pela mão e o convidou para descer o vale. Agora, todas as noites o padre se banha nas águas do rio pecador. Mia Couto Poemas Escolhidos, cia das Letras 2016 págs. 44-45 em: págs. 44-45

Bons Dias, crônica de Machado de Assis

     Eu pertenço a uma família de profetas après coup, post factum, depois do gato morto, ou como melhor nome tenha em holandês. Por isso digo, e juro se necessário for, que toda a história desta lei de 13 de maio estava por mim prevista, tanto que na segunda-feira, antes mesmo dos debates, tratei de alforriar um molecote que tinha, pessoa de seus dezoito anos, mais ou menos. Alforriá-lo era nada; entendi que, perdido por mil, perdido por mil e quinhentos, e dei um jantar.      Neste jantar, a que meus amigos deram o nome de banquete, em falta de outro melhor, reuni umas cinco pessoas, conquanto as notícias dissessem trinta e três (anos de Cristo), no intuito de lhe dar um aspecto simbólico.      No golpe do meio (coup du milieu, mas eu prefiro falar a minha língua), levantei-me eu com a taça de champanha e declarei que acompanhando as ideias pregadas por Cristo, há dezoito séculos, restituía a liberdade ao meu escravo Pancrácio; que entendi...

16 crônicas de Luís Fernando Veríssimo.

  16 crônicas de Luís Fernando Veríssimo   1 -  Dia de Ressaca , fevereiro de 2015 2 -  Outra de Elevador  junho de 2024 3 -  Tu e Eu   dezembro de 2023 4 -  Futebol de Rua  novembro de 2022 5 -  Conto de Verão Número 2: Bandeira Branca  janeiro de 2025 6 -  Conclusão  outubro de 2020 7 -  A Mulher Que Caiu do Céu  abril de 2024 8 -  Alto Nível  fevereiro de 2012 9 -  Pai Não Entende Nada,  agosto de 2012 10 -  Conto Erótico  agosto de 2011 11 -  O Estranho Caso da Repórter Que Perguntava  abril de 2013 12 -  Outra Carta de Dorinha  janeiro de 2016 13 -  O Travesseiro de Lenny Bruce  maio de 2022 14 -  Budum Filho  janeiro de 2012 15 -  Aprenda a Chamar a Polícia  maio de 2019 16 -  O Tridente  abril de 2018

O Príncipe Feliz, conto de Oscar Wilde

     Na parte mais elevada da cidade, sobre uma coluna bem alta, ficava a estátua do Príncipe Feliz. Ela era toda dourada coberta por finas folhas de ouro, seus olhos eram duas safiras brilhantes, e um grande rubi vermelho brilhava no punho da espada.       O príncipe era realmente admirado.       - Ele é tão lindo quanto um cata-vento - observou um dos veradores que desejava ganhar fama por ter gostos artísticos. - Pena que não seja tão útil - ele acrescentou realista, o que ele realmente não era.       - Por que você não pode ser como o Príncipe Feliz? - perguntou uma mãe sensata a seu filhinho que estava chorando porque queria a lua. - O Príncipe Feliz nunca pensa em chorar para conseguir alguma coisa.      - Fico muito contente em saber que há alguém no mundo que seja muito feliz - murmurou um homem desiludido enquanto contemplava a estátua maravilhosa.      - Parece um anjo - disseram as ...

Porque Hoje É Sábado...(1)

 

O Alienígena, humor de Gherard Haderer

 

Marchinhas de Carnaval: verdadeiras crônicas (2)

     Dois carnavais muito distantes, duas marchinhas. Em comum, falam fatos de suas respectivas épocas.       A primeira (1957) desagrado pela possível mudança da capital federal para Goiás. A segunda (2021) ironiza  a ideia da terra plana.        O Rio de Janeiro deixou mesmo de ser a capital pouco tempo depois do lançamento da música, a terra, no entanto, continua redonda e não vai ficar plana.. Nova Capital Aldacir Louro, Sebastião Mota e Edgard Cavalcanti Dizem, é voz corrente Em Goiás será a Nova Capital Leve tudo pra lá seu Presidente Mas deixe aqui o nosso carnaval O carioca chora, da lágrima cair Se o reinado de Momo Também te transferir Terra Plana Bloco Saia de Chita (SP) A terra plana parou fora do tempo Quarta-feira de Cinzas sem final Sem multidão, em casa, eu me monto e não escondo A saudade de outro carnaval Vai passar rápido Já já acaba Botei a saia pra secar no meu varal Não é possível Já faz um ano que Mi...

Poemas da M.P.B: A Cara do Brasil. Voz: Ney Matogrosso

Eu estava esparramado na rede Jeca urbanóide de papo pro ar Me bateu a pergunta, meio à esmo Na verdade, o Brasil o que será? O Brasil é o homem que tem sede Ou quem vive da seca do sertão? Ou será que o Brasil dos dois é o mesmo O que vai é o que vem na contramão? O Brasil é um caboclo sem dinheiro Procurando o doutor nalgum lugar Ou será o professor Darcy Ribeiro Que fugiu do hospital pra se tratar A gente é torto igual Garrincha e Aleijadinho Ninguém precisa consertar Se não der certo a gente se virar sozinho Decerto então nada vai dar A gente é torto igual Garrincha e Aleijadinho Ninguém precisa consertar Se não der certo a gente se virar sozinho Decerto então nada vai dar O Brasil é o que tem talher de prata Ou aquele que só come com a mão? Ou será que o Brasil é o que não come O Brasil gordo na contradição? O Brasil que bate tambor de lata Ou que bate carteira na estação? O Brasil é o lixo que consome Ou tem nele o maná da criação? Brasil Mauro Silva, Dunga e Zinho Que é o Brasil...

Os Bruzundangas (Prefácio de ) Lima Barreto.

Pre fácio   Na A Arte de Furtar, que ultimamente tanto barulho causou entre os eruditos, há um capítulo, o quarto, que tem como ementa esta singular afirmação: “Como os maiores ladrões são os que têm por ofício livrar-nos de outros ladrões.”   Não li o capítulo, mas abrindo ao acaso um exemplar do curioso livro, achei verdadeira a coisa e boa para justificar a publicação destas despretensiosas “Notas”.   A B ruzundanga fornece matéria de sobra para livra-nos, a nós do Brasil, de piores males, pois possui maiores e mais completos. Sua missão é, portanto, como a dos “maiores” da Arte, livra-nos dos outros, naturalmente, menores.   Bem precisados estávamos nós disto quando temos aqui ministros de Estado que são simples caixeiros de venda, a roubar-nos muito modestamente no peso da carne-seca, enquanto a Bruzundanga os tem que se incubem unicamente, no seu ofício de ministro, de encareceram o açúcar no mercado interno, conseguindo isto com o vend6...