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Mostrando postagens com o rótulo literatura

Por Que Não Te Amaram, Francisco? crônica de Antonio Neto

O outono capixaba alterna dias ensolarados com outros nublados, atravessados por dias chuvosos, desfazendo um pouco do eterno verão que nos é peculiar. Nesses últimos dias, o mar tem nos trazido ventos tristes... Francisco é morto. Isso faz lembrar o trecho da música de Fernando Brant, Lô Borges e Márcio Borges; eternizada na voz de Milton Nascimento: “Por que você não verá Meu lado ocidental? Não precisa medo, não Não precisa da timidez Todo dia é dia de viver Eu sou da América do Sul Sei, vocês não vão saber” Jorge Mario Bergoglio nasceu em Buenos Aires, em 17 de dezembro de 1936, filho de imigrantes italianos. Quando eleito Papa, ele disse: “Parece que meus irmãos cardeais foram me buscar no fim do mundo”. Ele se declarava, assim, um homem do Sul Global. Proveniente dos países colonizados pelas nações europeias por cerca de 300 anos. Nós, a periferia do mundo. Nós somos o Extremo Ocidente, como cantou Caetano Veloso, na música Milagres do Povo: “Foi o negro que viu a crueldade bem...

Volta a Pernambuco, João Cabral de Melo Neto

     Em 1952 durante a ação de caça às bruxas no governo Vargas, João Cabral e mais quatro colegas foram acusados de subversão, graças a um "amigo" que, remexendo nas gavetas de seu escritório, encontrou o rascunho de uma carta dirigida a um deles.  Nessa carta, meu pai pedia um artigo sobre a disputa pelo mercado brasileiro entre os ingleses, alemães  e japoneses. Esse documento foi entregue pelo "amigo" que o subtraiu ao Itamaraty e acabou nas mãos de Carlos Lacerda, que o publicou em matéria de capa na  Tribuna de Imprensa, no dia 27  de junho do mesmo ano. entre outras barbaridades, o jornal afirmava:   a tipografia passou a servir para imprimir boletins de seus novos "amigos". Valéry já lhe parece uma expressão da burguesia decadente. E quando Moscou pela boca de Aragon, mandou adorar Victor Hugo, ele passou a considerar Victor Hugo seu mestre, o seu modelo. Seus versos estão agora repletos de alusões, são panfletários, ardentes e, por s...

A Lua Foi ao Cinema, Paulo Leminski

A lua foi ao cinema, passava um filme engraçado, a história de uma estrela que não tinha namorado. Não tinha porque era apenas uma estrela bem pequena, dessas que, quando apagam, ninguém vai dizer, que pena! Era uma estrela sozinha, ninguém olhava para ela, e toda a luz que ela tinha cabia numa janela. A lua ficou tão triste com aquela história de amor, que até hoje a lua insiste: – Amanheça, por favor!

Regresso, Alda Lara (Poesia da África)

quando eu voltar, que se alongue, sobre o mar, o meu canto ao creador! porque me deu, vida e amor, para voltar... voltar... ver de novo baloiçar a fronde magestosa das palmeiras que as derradeiras horas do dia, circundam de magia... regressar... poder de novo respirar, (oh!... minha terra!...) aquele odor escaldante que o húmus vivificante do teu solo encerra! embriagar uma vez mais o olhar, numa alegria selvagem, com o tom da tua paisagem, que o sol, a dardejar calor, transforma num inferno de côr...

Os Poemas, Mário Quintana - Segunda -feira poética

Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês. Quando fechas o livro, eles alçam voo como de um alçapão. Eles não têm pouso nem porto alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias, no maravilhado espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti…     (Ilustração: Cado)

Fatita de Matos, a amante infeliz. José Eduardo Agualusa

                                                                 Na ampla sala de visitas da casa  de Fatita de Matos, Mana Fatita, como é mais conhecida, na Restinga do Lobito há cinco retratos a óleo, com um metro por 1,5 metro. Em todos eles Fatita de Matos está sentada  no mesmo cadeirão de verga, quase em idêntica posição, com um livro no regaço. A primeira tela foi pintada em 1946. Fatita tem vinte anos, ainda é virgem, e está a ler Amor de Perdição , de Camilo Castelo Branco. Na segunda tem trinta anos, quatro filhos ilegítimos, e está a ler Amor de Perdição . Na terceira  tem quarenta anos, veste de preto pela morte de filho mais novo, e está ...

Quem é Menos Chato? Machado de Assis ou José de Alencar

                        H á mais de dez anos, ao mediar uma oficina de leitura e escrita, um voraz leitor de Harry Potter me perguntou: “Qual é o autor menos chato: Machado de Assis ou José de Alencar?” A questão me intrigou: o que acontecia nas aulas de literatura daqueles estudantes para que os dois autores fossem considerados “chatos”? Durante oito anos investiguei, por meio de questionários e entrevistas com mais de 80 professores e 290 alunos, suas práticas de leitura literária. O cenário é preocupante. Na maioria das aulas, o trabalho com o texto é substituído pela memorização dos períodos históricos literários e das características de época. Além disso, a leitura dos clássicos, difícil sem uma mediação adequada, dá lugar à leitura de resumos, que obviamente não dão conta dos romances estudados.   Por outro lado, a pesquisa constatou que os alunos leem! Talvez não aquilo que seus professores gostariam, m...

Eu e os poetas do Recife, Manuel Bandeira

                  As imagens ao lado foram feitas no Espaço Pasárgada  que fica na Rua da União.   Manuel Bandeira refere-se à casa do avô no  do verso: "... tudo lá parecia impregnado de eternidade" .                    Acima estou com um boneco gigante de Manuel Bandeira, que sai no carnaval.  Abaixo, MB num desenho de Romero Brito. Posto um poema de que não lembrava, apesar de já ter lido, todos os livros do poeta. O Súcubo Quando em  silencio a casa adormecia e vinha Ao meu quarto a aromada emanação dos matos, Deslizáveis astuta, amorosa e daninha Propinando na treva o absinto dos contatos. Como se enlaça ao tronco a ondulação da vinha, Um por um despojando os fictícios recatos, Estreitáveis-me cauta e essa pupila tinha Fosforescências como a pupila dos gatos.  Tudo em vós flamejava em instintiva fúria. A gargan...

Cordel do Fogo Encantado canta João Cabral de Melo Neto

O Texto recitado pelo grupo Cordel do fogo encantado, é a fala de Joaquim no poema Dos Três Mal Amados,  de João Cabral de Melo Neto. O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome. O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos. O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina. O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos. Faminto...

Porque Esta é a Paz, Marina Colasanti

     O primeiro dia. Imagem de: myscoops.com      Barulho festivo de repente,já sem costume. E a luz que sobra, toda, acesa.      Os rádios ligados na notícia única.   "   o mundo inteiro... as assinaturas... sua Santidade... depois de tanto..."      Depois de tanto, tanto sofrimento.      Acabou      Gente na rua, e o sorriso permitido. Mãe, podemos ir à praça? Os americanos chegaram.      Os americanos chegaram um dia ao meu país, e a  guerra acabou.

Flagrantes da Fliporto 2013

Valter Hugo Mãe, escritor angolano que  domina a arte de escrever agradar e se vender, gosto dele. Grupo Literatrupe, mistura música, teatro e literatura. Antecedeu a apresentação de Pilar Del Rio. Exibição de alguns minutos do filme José e Pilar - o filme foi exibido na íntegra dois dias seguidos: uma vez com e outra sem legenda. Criança em um dos muitos espaços infantis da Fliporto Mais espaço para crianças. As crianças tiveram árvores de livros, almofadas, futons, tapetes, contadores de histórias, arte educadores e muitos livros.

Alice Munro,Nobel de Literatura 2013

Alice Munro que começou a escrever aos 18 anos é a ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura de 2013.   A autora canadense de 83 anos, tem 4 livros editados no Brasil, sendo que O Amor de Uma Boa Mulher , foi lançado esse ano .  Em 'O amor de uma boa mulher', Alice Munro oferece ao leitor mais uma fornada de seus contos de fôlego, marcados pela destreza dos planos cinematográficos e pelo olhar duplo, ao mesmo tempo panorâmico e intimista. A canadense fez das pequenas cidades espalhadas pelo condado de Huron o território privilegiado de sua ficção e detecta nas franjas do meio rural aqueles indivíduos de algum modo deslocados da norma. A velhice, a doença, o transtorno mental ou a simples diferença com relação à maioria pontuam os textos. Em Munro, há uma intuição de que a condição feminina se conecta por vários caminhos com a marginalidade. Uma personagem do conto 'Jacarta' sobrevive dando aulas de ballet depois que o marido jornalista supostamente morre num país d...

Dos Grilhões do Orgulho Me Soltei, César Feitoza

Dos grilhões do orgulho me soltei E refiz meu amor na humildade O amor, muitas vezes, inocente Perambula e margeia em vis veredas Suas cabaças de mel ficam azedas E azedam o coração da gente O orgulho nos torna indiferente Arrogância nos toma e vira lei Contra a espada da empáfia então lutei Pra tornar meu viver felicidade Dos grilhões do orgulho me soltei E refiz meu amor na humildade O orgulho destrói e desagrega Apodrece o melhor dos sentimentos E nos faz esquecer os bons momentos Envenena e a, si mesmo, ele renega Pelo mar do rancor ele navega Nesse mar de engano eu naveguei E enganado pensava que era rei Mas fui bobo da corte na verdade Dos grilhões do orgulho me soltei E refiz meu amor na humildade Ser humilde não é ser alienado, Baixar sempre a cabeça pro que vem É pensar muito, muito mais além Ter a serenidade do seu lado Ser humilde é sentir-se magoado E não guardar pra si como guardei Arriscar um amor como arri...

Shakespeare em quadrinhos

Para jovens que não se interessariam por Shakespeare, talvez até nem saibam de quem se trata, mas que gostam de História em Quadrinhos a Editora Nemo tem uma coleção bastante interessante.  Os melhores artistas dos quadrinhos do Brasil, desenharam as mais famosas peças do poeta e dramaturgo inglês.   Aos professores que acham a linguagem tradicional do Rei Lear, por exemplo, pouco atrativa pra seus alunos  adolescentes... sugiro conhecer a Coleção Shakespeare .  Aposto que vão gostar. Três bruxas profetizam: “Macbeth será rei”, e tem início aí uma trama maligna, envolvendo assassinato, ambição e loucura. Uma HQ com reis e nobres, exércitos em guerra e uma bela e letal mulher. Uma história que nos fala da essência do Mal, em sua forma mais sedutora.   Ilustrador: Rafael Vasconcelos Uma terrível tempestade lança ao mar a tripulação de um navio, que encontra abrigo numa misteriosa ilha, povoada por monstros e espíritos. Uma ilha governada por um mag...

Menino de Cidade, Paulo Mendes Campos

           Papai, você deixa eu ter um cabrito no meu sitio?      Deixo.      E porquinho-da-índia? E ariranha? E macaco? E quatro cachorros? E duzentas pombas? E um boi? Um rinoceronte?      Rinoceronte não pode.      Tá bem, mas cavalo pode, não pode?      O sítio é apenas um terreno do Estado do Rio, sem maiores perspectivas imediatas. Mas o garoto precisa acreditar no sítio como outras pessoas precisam acreditar no céu. O céu dele é exatamente o da festa folclórica, a bicharada toda, e ele, que nasceu no Rio e, de má vontade, vive nesta cidade sem animais.      Aliás, ele mesmo desmente que o Rio seja uma cidade sem bicho, possuindo o dom de descobri-los nos lugares mais inesperados. Se entra na casa de alguém, desaparece ao transpor a porta, para voltar depois de três segundos com um gato ou cacho...

A Um Diamante Bruto, César Feitoza

Como decifrar-te? Diz! Como decifrar-te? És como a esfinge ou mesmo como a arte De Leonardo e sua Monalisa E és também como uma torrente De chuva fria ou de vento quente Que me atordoa e me faz demente E que me encharca e faz ranger meus dentes Que pra chegar, aviso não precisa. Como escalar-te? Diz! Como escalar-te? Como tocar teu cume invisível? Como transpor teu muro intransponível? Que cresce tanto mais agente escala Tantos pudores que me tiram a fala E me pergunto se não és de Marte. Como cavalgar-te? Diz! Como cavalgar-te? Como domar um coração ferido? O que fazer pra novamente dar-te A esperança que havias perdido? Como lapidar-te? Diz! Como lapidar-te? E um diamante bruto transformar E enxergar desejo em teu olhar Sem que tu penses que isso é pecado E não se importes se o alguém ao lado Censurará o fato de amar-te Como tocar-t...