(...) Só havia um problema com o avô. Por vezes esquecia coisas A princípio, não era nada de mais. Depois comecei a dar conta Coisas pequenas, a princípio. "Onde ficou o raio do lápis?" "Onde pus a chata da caneta?" "Mas onde diabos deixei eu a caneta?" Uma vez o avô enganou-se na rua. Outra vez, enganou-se no meu nome. Outra vez, o avô de esqueceu-se do caminho para casa. Fui eu que tive de o levar. Até que um dia perguntei: "O que tem o avô?" Os meus pais hesitavam em dizer. Não era por mal. Os crescidos nem sempre sabem o que dizer a uma criança. E acabei por ser eu a responder: " O avô tem uma borracha na cabeça!" (...) As borrachas apagam coisas E a cabeça do meu avô apagava coisas. As coisas dele. A vida dele. A ele. A nós. (...) Eu não podia deixar isso acontecer. Eu precisava de fazer alguma coisa. E foi então que tive uma ideia. Trabalhei a noite toda com afinco. No dia seguinte, os meus pais ficaram surpreendidos por me verem...