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Mostrando postagens com o rótulo Manuel Bandeira

Porquinho da Índia, Manuel Bandeira (infantil)

Quando eu tinha seis anos Ganhei um porquinho-da-índia. Que dor de coração me dava Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão! Levava ele pra sala Pra os lugares mais bonitos e limpinhos Ele não gostava: Queria era estar debaixo do fogão. Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas… – O meu porquinho-da-índia foi a minha primeira namorada Em: Libertinagem (1930)

O Último Bloco, Antonio Falcão

     A fome pra quem come, a cama e o amor, a liberdade do homem, o peso diário do corpo a corpo com a palavra escrita. O frio da ci ência, o universo, a correnteza e o rio, o movimento, a cor, o som, a forma, as artes... Eu digitava este texto e Áu rea, min ha mul her, pôs uma fita pra tocar. Foi quando a voz mansa da compositora Lêda Valença entoou: Um novo amigo abriu as cortinas do tempo / que o sopro do vento se encar regou de esgarçar .. .        Em matéria de inédito, o melhor que há por estas bandas de frevo- canção.      Mas me levou a um outro fevereiro...      De catapora, aos 12 anos, de bruços na janela suburbana, minha rua empoeirada de acanhados papangus e la ursas, tão pobres - nós todos e o bairro, uma miséria só. A alma, palco e palhaço de perdida ilusão. E o bloco "Sou eu o teu amo...

Porquinho-da-Índia, Manuel Bandeira

Quando eu tinha seis anos Ganhei um porquinho-da-índia. Que dor de coração me dava Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão! Levava ele prá sala Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos Ele não gostava: Queria era estar debaixo do fogão. Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas… — O meu porquinho-da-índia foi minha primeira namorada. Fonte: Revista Bula Nota: o blog manteve a grafia original  Imagem: Lívia Novakova - Pixabay

Infância, Manuel Bandeira

Corrida de ciclistas. Só me lembro de um bambual debruçado no rio. Três anos? Foi em Petrópolis. Procuro mais longe em minhas reminiscências. Quem me dera recordar a teta negra de minh’ama-de-leite… … meus olhos não conseguem romper os ruços definitivos do tempo. Ainda em Petrópolis… um pátio de hotel… brinquedos pelo chão… Depois a casa de São Paulo. Miguel Guimarães, alegre, míope e mefistofélico, Tirando reloginhos de plaquê da concha da minha orelha. O urubu ousado no muro do quintal. Fabrico uma trombeta de papel. Comando… O urubu obedece. Fujo, aterrado do meu primeiro gesto de magia. Depois… a praia de Santos… Corridas em círculos riscados na areia… Outra vez Miguel Guimarães, juiz de chegada, com seus presentinhos. A ratazana enorme apanhada na ratoeira. Outro bambual… O que inspirou a meu irmão o seu único poema: “Eu ia por um caminho, Encontrei um maracatu. O qual vinha direitinho Pelas flechas de um bambu.” As marés de equinócio. O jardim subm...

Lenine, Manuel Bandeira.

  Homens há que levam uma vida obscura e só depois da morte se vai tecendo a lenda em que se lhes perfaz a glorificação. A outros, ao contrário, a lenda os anuncia. Surge primeiro um nome, até então de todo desconhecido, e em torno dele as imaginações trabalham, as informações contraditórias pululam, e à mercê desse lento processo de cristalização uma estranha figura vai avultando extra-real e muitas vezes com proporções até nitidamente inumanas. Lenine era para mim um desses nomes. E no entanto, preciso dizê-lo, Lenine foi uma das grandes decepções da minha vida. Assim acontece sempre quando a imaginação superexcitada longamente se encontra de repente face a face com a realidade no cotidiano das coisas. Lenine!... Lembram-se como essas três sílabas começaram a aparecer no serviço telegráfico da guerra? No atordoamento das derrotas russas o nome se insinuava misteriosamente como de um habilíssimo espião a soldo de agentes alemães e servindo contra a própria pátria. Lenin...

Circuito da Poesia, Recife

            No último final de semana, dei início a uma passeada pelo Circuito da Poesia  com a postagem Eu e os Poetas do Recife.  Abracei o primeiro autor do circuito: Antônio Maria e coloquei um texto dele.  Vou repetir o trabalho trazendo um a um todos os artistas homenageados.  Mas, antes vamos saber sobe  projeto Circuito da Poesia: O que é?      Projeto da prefeitura, que colocou estátuas de poetas pernambucanos em diversos pontos no centro da cidade. O projeto que traz expoentes da cultura do estado ficou pronto em 2007. Dá pra fazer todo o percurso a pé. Todos os poetas são do Recife?      Não, mas todos moraram aqui e em algum momento e de alguma forma  dedicaram seu amor à cidade. Quem são eles?   Antônio Maria Joaquim Cardozo, Capiba,Carlos Pena Filho, João Cabral de Melo Neto,  Manoel Bandeira,  Clarice Lispector,  Mauro Mota,  Chico Science, ...

Oceano, Manuel Bandeira

Oceano Olho a praia. A treva é densa. Ulula o mar, que não vejo, Naquela voz sem consolo, Naquela tristeza imensa Que há na voz do meu desejo. E nesse tom sem consolo Ouço a voz do meu destino: Má sina que desconheço, Vem vindo desde menino, Cresce quanto em anos cresço. -Voz de oceano que não vejo Da praia do meu desejo...

Hoje é dia de Rachel de Queiroz:

Louvada Manuel Bandeira  para Rachel de Queiroz Louvo o Padre, louvo o Filho, O Espírito Santo louvo. Louvo Rachel, minha amiga, Nata e flor do nosso povo. Ninguém tão Brasil quanto ela, Pois que, com ser do Ceará, Tem de todos os Estados, do Rio Grande ao Pará. Tão Brasil: quero dizer Brasil de toda maneira - Brasília, brasiliense, - Brasiliana, brasileira. Louvo o Padre, louvo o Filho, O Espírito Santo louvo. Louvo Rachel e, louvada Uma vez, louvo-a de novo. Louvo a sua inteligência, E louvo o seu coração. Qual maior? Sinceramente, Meus amigos, não sei não. Louvo os seus olhos bonitos, Louvo a sua simpatia. Louvo a sua voz nortista, Louvo o seu amor de tia. Louvo o Padre, louvo o Filho, O Espírito Santo louvo. Louvo Rachel, duas vezes Louvada, e louvo-a de novo. Louvo o seu romance: O Quinze E os outros três; louvo As Três Marias especialmente, Mais minhas que de vocês. Louvo a cronista gostosa. Louvo o seu teatro: Lampião E a nossa Beata ...