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Mostrando postagens com o rótulo cigarro

5 Mini Contos, José Rezende

Vício Maldito!                     O marido que não fumava, saiu no meio da noite pra comprar cigarro. Voltou dez anos depois com câncer nos dois pulmões. Coletivo                   Se esfregando em tudo quanto é passageiro, todo dia, só pra fazer ciúme. Amanhã tiro satisfação: chego por trás e pergunto o nome dela. Caligrafia                  Voltou dos braços da amante decidido a propor divórcio. Encontrou a casa vazia e um bilhete na porta da geladeira. Chorou só de ver a letra. A Viagem do Infeliz Navegante                   Para esquecer o grande amor tornou-se marinheiro. Cruzou sete mares, até o fim do mundo. Inútil: era sempre a mesma mulher em cada porto. Formigu...

Bolo Podre, Alexandre Simas Dias

A  desilusão bebe café com a verdade todas as manhãs naquele café perfumado de sovaco e fumo de cigarros. Bebem café e no fim não se despedem. Olham lá para fora, e num esgar de desprezo e temor dizem uma para a outra: - Nah, é melhor ficarmos por aqui...! São duas tontas com medo do mundo. Esqueceram todas as palavras.E só sabem repetir uma para a outra, incessantemente e em silêncio: Desilusão – já estou em todo o lado, por isso, fico aqui. Verdade – estou esquecida, não sei o que sou, é melhor ficar por aqui. ( www.pedrocarneiro.com.br )

Café Bali, Marcos Rodrigues

Bauru, Eurico e Batata; Alvarenga, PK e Tonico; Edu, Fabrício e Bacalhau. Esse era o time do café. Por muitos anos nos reunimos pra tomar café lá pelas quatro da tarde no Esplanada Paulista. Mais por coincidência de hábitos do que por qualquer outra coisa. Quinze minutos no balcão, todo dia. O pessoal trabalhava por perto. Grupo bom, mas não perfeito. Me incomodava a relação do PK com o Batata. O Batata era baixo, gordo e agitado. Com os olhos pequenos e um bigode aparado, meio espetado. Estava seguro que o perseguiam ou conspiravam contra si. Sempre trazia as evidências. Era um paranoico. Limitado, mas boa gente. Sempre gentil. O PK era um advogado magro, amarelado pelo cigarro. Até no branco do olho. Sempre de terno marrom. Era um tipo estranho, mas não incomodava o grupo. O negócio dele era o Batata. Quando o Batata falava, o PK mostrava impaciência ou começava uma conversa paralela. Às vezes, quando o Batata fazia um comentário, ele virava de lado. Achei que podi...