Maio acabou. E com ele se foi aquele encantamento que tombava do céu e subia do chão, tornando as mulheres extraordinariamente belas no instante do pôr do sol e fazendo com que o nosso amor florescesse mais radioso e mais puro. Nesta cidade como olhares, todas as criaturas , durante trinta e um dias, foram roçadas ou feridas por maio,mesmo aquelas que jamais se comoveram ou se perturbam ante a beleza de suas tardes e de suas madrugadas. Maio saiu do céu. Sei que às vezes ele ressuscita, louco, em pleno outubro e há certos fins-de-tarde em dezembro que acordam em nós saudades do mês que ontem findou. Mas é sempre muito incerto e não se sabe nunca se de fato é maio que renasce ou se é um resto de encanto que ficou guardado no coração dos amantes, para ser gasto em meses futuros, quando os dias forem cinzentos e os caminhos da noite estiverem cerrados. Agora que não tem maio, pergunto, o que será de nosso amor, única coisa que...
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