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Mostrando postagens com o rótulo exploração

Filho de Ouro, Inez Cabral

Dei sorte na vida. Apesar das dificuldades para sobreviver, da pobreza, do medo do tráfico, maus tratos das patroas, e outras mazelas, Deus me deu um filho de ouro. Ele fez muitas bobagens na vida, mas quando amadureceu, virou um homem de bem. Trabalhou na PM, chegou a sargento, acabou exonerado. Nunca entendi por quê, nem ele explicou. Arrumou logo outro serviço, virou segurança. Ganha mais. Agradeço todos os dias pela sorte que tenho. A única coisa de que não gosto, é que nesse emprego, ele tem que andar armado. Nunca vou entender por que homem gosta tanto de arma. Ele diz que é pra proteção. Já é homem adulto, sabe melhor do que eu o que é bom. Estou que não me aguento de felicidade. No meu aniversário, sem que eu esperasse, me deu uma chave de presente. ─Que é isso, meu filho? ─Um presente. Arrumei para a senhora. Se for esperar pela casa prometida pelo governo, vai morrer esperando. Essa é a chave de um apartamento. É da senhora. Não precisa levar nada, está mobiliada, tem ...

Conversa Sobre Poesia Com o Fiscal de Rendas, Vladimir Maiakovski

Cidadão fiscal de rendas, desculpe a liberdade! Obrigado... não se incomode...  estou à vontade! A matéria que me traz é algo extraordinária: o lugar do poeta na sociedade proletária.. Ao lado dos donos de terras e senhores industriais estou eu também citado por débitos fiscais. Nós somos proletários e motores da pena. A poesia é como a lavra do rádio - um ano para cada grama. Para extrair uma palavra, milhões de toneladas de palavra-prima. Porém, que flama de uma tal palavra emana perto das brasas da palavra-bruta! Tal palavra põe em luta milhões de corações por milhares de anos. Você conhece por certo o fenômeno rima. Em linguagem de fisco a rima é uma letra a termo fixo para desconto ao fim da linha sem mais prazos. E sai-se à caça da minúcia de flexão ou sufixo na caixa escassa das conjugações e casos. Tenta-se pôr uma palavra nessa linha, ela não cabe, força-se, e se esfarinha. Cidadão fiscal de rendas, eu lhe juro, as palavras custam ao poeta um duro juro. Para nós...

100 anos da Mad Maria, a Estrada de Ferro Madeira - Mamoré

Há um século, no norte do país, investidores americanos quiseram construir uma estrada que suplantasse o Canal do Panamá. A construção integraria, Bolívia e Amazonas ou, mais  sinceramente, exploraria látex  grande riqueza naquela época. Mas por que estou falando aqui da Estrada de Ferro Madeira Mamoré?  Porque essa é uma história interessantíssima que não é ensinada nas salas de aula, mas que está, romanceada, no livro Mad Maria de Márcio  Souza.    O autor escreveu um livro imperdível: amargo, vibrante, esclarecedor, um alerta  para a situação de abandono da Região Norte, válido até hoje. Mad Maria teve sua primeira edição lançada em 1980 pela editora Marco Zero. Leia também: Galvez, O Imperador do Acre .   Conheça o autor amazonense clicando aqui