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Mostrando postagens com o rótulo cordel

A Corrida da Vida, poema de Braulio Bessa

Na corrida dessa vida é preciso entender  que você vai rastejar,  que vai cair, vai sofrer  e a vida vai lhe ensinar que se aprende a caminhar e só depois a correr. A vida é uma corrida  que não se corre sozinho.  E vencer não é chegar,  é aproveitar o caminho sentindo o cheiro das flores e aprendendo com as dores causadas por cada espinho. Aprenda com cada dor, com cada decepção, com cada vez que alguém lhe partir o coração. O futuro é obscuro  e às vezes é no escuro que se enxerga a direção. Aprenda quando chorar  e quando sentir saudade, aprenda até quando alguém lhe faltar com a verdade. Aprender é um grande dom. Aprenda que até o bom  vai aprender com a maldade. Aprender a desviar  das pedras da ingratidão, dos buracos da inveja,  das curvas da solidão, expandindo o pensamento fazendo do sofrimento  a sua maior lição. Sem parar de aprender, aproveite cada flor, cada cheiro no cangote, cada gesto de amor, cada música dança...

Festa de São João, cordel de Bráulio Bessa

Num país tão rico e belo tão grande, tão cultural Tem festa o ano inteiro Mas junho é especial É o carnaval do sertão Nossa festa de São Jo ão Cheia de gente animada Vem pra cá você também Que eu vou dizer o que tem Nessa festa arretada Tem pamonha, tem canjica Milho cozido e assado Tem beju, tem tapioca Com cafezinho coado Bolo de milho e fubá E pro cabra se esquentar Tem o famoso quentão E a boca não se aquieta Duvido fazer dieta Nas festas de São João Tem o calor da fogueira Que esquenta o coração Bandeirinhas coloridas Colorindo essa nação Tem a quadrilha do bem Que não faz mal a ninguém Que não rouba, nem desvia Só orgulha o brasileiro Não se importa com dinheiro E nem sonega alegria! Tem as ruas enfeitadas Tem matuto arrumado Todo nos panos, nos trinks Jeitoso e bem perfumado Tem tanta moça bonita Com vestidinho de chita Dançando lá no terreiro Chega a poeira levanta Nessa festa que encanta Todo o povo brasileiro. Tem forró de pé de serra Herança de Gonzagão, Que não é um inimigo...

Nossas Curvas Sinuosas, Oliveira de Panelas

 Sei que a Fênix das cinzas ressuscita E o deserto acomoda os dromedários... Dá o gato, seus pulos necessários Cada um, ao seu modo, se habilita. Nosso dom, faz a vida tão bonita! Mas falhamos, nas lides dos "contrários:" Divergimos dos pâramos solidários Desprezando o melhor que nos habita! Urge o tempo que a nossa consciência  Dissemine a celeste fluorescência  Desterrando o que temos de "feroz". Nesta prece, que faço em cada verso, Rezo ao MANTRA que paira no Universo  Que restaure o amor em todos nós! João Pessoa, 21/01/23

Lua Bonita, cordel de Zé do Norte e Zé Martins

Lua bonita Se tu não fosses casada Eu preparava uma escada Pra ir no céu te buscar Se tu colasse teu frio com meu calor Eu pedia ao nosso senhor Pra contigo me casar Lua bonita Me faz aborrecimento Ver São Jorge no jumento Pisando no teu quilarão Pra que casas-te com um homem tão sisudo Que come dorme faz tudo Dentro do seu coração Lua Bonita Meu São Jorge é teu senhor E é por isso que ele "véve" pisando teu esplendor Lua Bonita Se tu ouvisses meus conselhos Vai ouvir pois sou alheio Quem te fala é meu amor Deixa São Jorge No seu jubaio amuntado E vem cá para o meu lado Pra gente viver sem dor Deixa São Jorge No seu jubaio amuntado E vem cá para o meu lado Pra gente viver sem dor Ouça AQUI   Lua Bonita com Belchior e Dominguinhos

Se Ter, Bráulio Bessa

Ir sozinho ao cinema, Visitar uma livraria, Uma cerveja no bar Um café na padaria. Ter você pra você mesmo Também é ter companhia. Nem sempre estar sozinho É sinal de solidão. Vez por outa o mundo chama E a nossa resposta é não Por ter marcado um encontro Com o próprio coração.

Mandacaru, Sim Senhor! Dalinha Catunda

Não dou sombra nem encosto, Mas não vejo defeito em mim. Tenho um verde exuberante. Meu fruto é da cor de carmim. Minha flor esbranquiçada Dignifica qualquer jardim. Dono de uma beleza agreste. No sertão enfeito caminhos. Tenho um caule suculento, Todo bordado de espinhos, Entre pedras broto e cresço Nem com a seca eu definho. Sou um fiel representante Do forte povo nordestino. O verde traduz esperança, Vermelho a grande paixão, De uma gente que tanto adora: Sua terra, seu mundo, seu chão. Os espinhos são as agruras, Do sertanejo tão sofredor. A paz vinda com as chuvas, Represento em minha flor. Ninguém melhor do que eu, O nordestino representou. Fonte: Cordel de Saia Imagem: flor do mandacaru. .

Verdades e Mentiras, Bráulio Bessa

A mentira é perigosa, nos transforma em outro ser. Diz a lenda que mentir faz nosso nariz crescer. Sua força é mais voraz, pois quem mente sempre faz a confiança encolher. A confiança que é alicerce e suporte. Toda mentira enfraquece. A verdade nos faz forte pra suportar qualquer dor e pra sarar qualquer corte. A obra da confiança é pouco a pouco construída. Passo a passo, gesto a gesto, demora pra ser erguida. Se a base não for bem forte, num sopro ela é demolida. Palavras, belos discursos podem conter falsidade, mas atitudes e gestos revelam qualquer verdade. Dizem que a verdade dói, já a mentira, destrói, escurece seu olhar, lhe deixa fraco, inseguro, e o caminho mais escuro é o pior de caminhar. Por isso, pra iluminar um amor, um sentimento, seja sempre verdadeiro, e não só por um momento. Seja honesto em sua essência, pois a própria consciência é seu pior julgamento. E sempre será assim: o correto e o errado, a verdade e a mentira caminhando lado a lado. Há quem grite uma verdade,...

O Rio Capibaribe Um Gigante Pernambucano, Roberto Celestino

                                                         Bem na Vila do Araça Município de Poção, Serra do Jacarará Pra banhar a região, Vai se ver nascer um rio Que terá mil desafios Pra cumprir sua missão.                   Corre todo em Pernambuco Esse rio abençoado, Que de  Capibara-ybe Pelos índios foi chamado. E o rio de águas claras Se tornou das Capivaras Assim fora batizado.                        Ele tímido desce a serra Inicia a jornada, Muito tem a percorrer Nessa sua caminhada. Logo chega a Jataúba, E depois que lhe saúda Vai-se embora em disparada. Inda há quarenta e um Municípios pra passar, Banhará muitas cidades Que estão a lhe esperar. E em grande serpenteio, Segue ele seu passeio Ansioso em ver o mar.   ...

Cordel do São João, Gustavo Dourado

São João arrasta-pé: Forró, fogueira, baião… Xote, xaxado e quadrilha… Foguete, bomba, balão… Caruaru-Campina Grande: São João bom é no Sertão… São João lá na Bahia: Na festa do interior… Irecê, Ibititá… Cruz das Almas, Salvador… Em Recife dos Cardosos: Fogueira, paz e amor… Arraiá, queima de espada: Cará, milho, animação… Festa junina e joanina: No Brasil é tradição… Santo Antônio e São Pedro: O quente é o São João… Sortes e adivinhas: Simpatia e acalanto… Pai-Nosso, Salve-Rainha: A festa é um encanto… Santo de cabeça pra baixo: Atrás da porta no canto… Crisma, batismo de fogo: Dançar e pular fogueira… Asssar batata na brasa: Cantar a Mulher Rendeira… Baião de Luiz Gonzaga: Com forró a noite inteira… Latada, pamonha, canjica: Mel, cuscuz e macaxeria… Cachaça de alambique: Cana quente de primeira… São João é no Nordeste: Pra curar a pasmaceira… Mês de junho, 24: O Dia de São João… É festa da cristandade: É antiga tradição… Até no Antigo Egito: Já tinha celebração… Pular fogueira, dança...

Minha Voz Não Silencia Porque Poeta Não Cala, Antonio Carlos Nóbrega

Nem na faca, nem no grito, nem na tapa, nem na bala, nem na forca, nem na força, nem na dor que a tudo estala. Minha voz não silencia porque poeta não cala. Nem no açoite, nem no tiro, nem na lança que empala, na angústia, na tortura, nem na morte que avassala. Minha voz não silencia porque poeta não cala. Minha voz vem do peito e da garganta de Homero, de Lorca e Lourival, Bob Dylan, Leminski e João Cabral, de Camões, de Cecília que encanta. É a voz que exalta, grita e espanta a amargura, a tristeza, e a tudo embala. É o grito do mundo, da senzala, de Drummond, Vilanova e Neruda. Da beleza e do sonho não desgruda... É que a voz de um poeta nunca cala. Nem no fogo, afogado, nem no ódio que embala, nem no berro, nem no ferro, nem na cela, sem a fala. Minha voz não silencia porque poeta não cala. Nem na tranca, nem no tranco, nem no tronco da senzala. Nem na trama, nem no golpe, na mentira que entala! Minha voz não silencia porque poeta não cala. O racismo, a mentir...

A Dor de Ser Poeta, Vinícius Gregório

Talvez não seja tão bom Ser poeta nessa vida; Talvez seja até sofrida A vida com esse dom. Afirmo isso em bom som: Alegria nos renega! É que o poeta se entrega, Sente a dor de todo mundo... Tem sempre um choro profundo Que no sei peito se apega. Saudade é sempre pior No coração do poeta! Alegria é nossa meta, Mas a tristeza é maior! Eu sinto a dor do menor Abandonado e sem trilho,  Sinto a dor do andarilho, Sinto do velho a idade, Eu sinto até da saudade, Da mãe que perdeu o filho... Eu sinto a dor de quem ama, Mas não pode ser amado. Eu sofro multiplicado Quando a paixão não me inflama. Eu sinto o queimar da chama De quem sente solidão. Sinto a fome de um irmão Que a muito tempo não come, Eu sinto a praga da fome Que atrapalha meu sertão. O poeta nasce feito Com seu destino traçado. Já nasce predestinado A sentir dor no seu peito... Deus nos criou desse jeito: Uma raça diferente. Sinto a dor de toda gente Que não tem sonho nem meta... S...

Cantoria, Cora Coralina

Meti o peito em Goiás e canto como ninguém. Canto as pedras, canto as águas, as lavadeiras também. Cantei um velho quintal com mudada de pedra. Cantei um portão alto com escada caída. Cantei a casinha velha de velha pobrezinha. Cantei colcha furada estendida no lajedo; muito sentida, pedi remendo pra ela. Cantei mulher da vida conformando a vida dela.

Meu Pequeno Oratório, Cora Coralina

Minha Nossa Senhora das Graças toda minha. Das raízes e dos troncos. Das florestas e das frondes. Dos rios que correm para o mar e dos corguinhos sem destino. Dos altares, dos montes e das grunas. Dos pássaros sem voo, e das rolinhas bandoleiras.

Guriatã Um Cordel Para Menino, Marcus Accioly

XXI do trem-de-ferro Quem grita na noite? Não vejo ninguém, é o eco do grito do apito do trem, é a boca-da-noite que grita também, é o eco do eco que ecoa no além. Quem grita na noite? Não vejo ninguém, é o grito da ponte debaixo do trem, é o vento que chora por morte de alguém, é o coro das almas que dizem amém. Quem grita na noite? Não vejo ninguém, é a boca-do-túnel na frente do trem, é o grito sem grito de um eco que vem dos montes que aos montes ecoam mais cem. Quem  grita na noite? Não vejo ninguém, é o sonho-barulho das rodas do trem, é a luz de uma estrela que tange belém no sino-silêncio que a noite não tem. Quem grita na noite? Não grita ninguém, é o trem dos fantasmas nos trilhos sem trem, é a voz dos dormentes que às vezes contém o grito da vida que a morte detém. . ...