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Mostrando postagens com o rótulo comunismo

Refletindo Com Érico Veríssimo

  Érico Veríssimo, Incidente em Antares Por alguns segundos o padre permanece em silêncio, de dedos trançados sobre o peito, a cabeça baixa. — Como é difícil viver... — balbucia. — O Mauro embarcou de volta para Porto Alegre hoje no ônibus das quatro. Não se despediu do pai. É que esta manhã tiveram em casa uma altercação violentíssima. O Mauro temeu até que o pai o agredisse fisicamente. Não podem mais viver embaixo do mesmo teto. — Tudo por causa de política, naturalmente... — Sim, Inocêncio detesta as ideias do filho. — Ouvi dizer que o rapaz é comunista. E verdade? — Comunista é o pseudônimo que os conservadores, os conformistas e os saudosistas do fascismo inventaram para designar simplisticamente todo o sujeito que clama e luta por justiça social. Por outro lado, não ignoramos que na Rússia Soviética não existe nenhuma liberdade de crítica ou de expressão e que um escritor pode ser condenado a três ou cinco anos de trabalhos forçados na Sibéria por ter escrito poemas, artigos...

Viagem ao Crepúsculo - Samarone Lima

Conhecia Samarone Lima , apenas por fotografia. Protótipo do mochileiro. Por essa imagem simpática e também pelo fato de que desde há muito queria saber sobre Cuba dos cubanos, comprei seu livro.  Viagem ao Crepúsculo é um relato, muito bem escrito, do que Samarone viu em Cuba. Mas o que ele viu viajando nos ônibus onde todos viajam, nos trens usados no dia a dia dos nativos, comendo o que todos comem e compram com cadernetas de racionamento ou clandestinamente. A saude do país mostrada por quem trabalha em hospitais de lá, não através de estatísticas distribuidas para o exterior. Inicialmente, me inteirei do país através da blogueira Yoani Sánches e hoje terminei o livro Viagem ao Crepúsculo . Senti, uma tristeza imensa nas duas ocasiões. Vontade mesmo de chorar. Não só pela vida que os cubanos levam dentro de seu país, mas pela desilusão em que vivem. A desesperança é coisa muito doída. Minha tristeza é também pelo fato de que fora da ilha, ainda há, e como há, quem...

Libertação - Sándor Márai

Companhia das Letras,  lança agora o pequeno volume intitulado Libertação , escrito durante o mês de agosto de 1945, ainda sob o calor da guerra, porém só publicado após a morte do autor. Em meio a uma Budapeste cercada pelas tropas soviéticas e devastada por incessantes bombardeios, Erzsébet, a protagonista, procura um abrigo para proteger o pai, famoso astrônomo e matemático conhecido por suas posições antifascistas. O desmoronamento do totalitarismo nazista intensifica o clima de perseguição e eliminação de inimigos de todas as matizes, de judeus a simples liberais. Com a cidade ocupada pelos alemães, tanto a Gestapo quanto os fascistas húngaros ansiavam por colocar as mãos sobre o renomado cientista. Erzsébet, movida pelo desespero, recorre a uma personagem denominada apenas como o adventista a fim de ocultar o pai. Depois de 10 meses de fuga, o cientista fica emparedado em um recinto semelhante a um túmulo.(do Jornal  do Brasil)