Quem vai acreditar em incêndios espontâneos da floresta? Eu sofro as minhas dúvidas, porque, sem sair do lugar, levantando apenas os olhos para a janela, vejo essa "espontaneidade" manifestar-se ao mesmo tempo em vários pontos da mata que reveste - ou revestia- este grande bloco de pedra que é o morro Dona Marta. Levanto os olhos porque ouço o crepitar do fogo: e as labaredas já correm por todos os lados, envolvem as árvores com sus fitas vermelhas e amarelas; depois, já não são fitas, mas grandes sudários brilhantes que incham ao vento, palpitam, dilatam-se, rompem-se, atiram-se a outras inúteis, correm pelas ervas baixas, vão mais longe e mais longe, levando nuvens negras que o vento dispersa. As cinzas vêm cair em pedaços na minha varanda. A passarada, sonora de medo, trêmula e sussurrante, procura outras árvores, que não estejam a arder. E como este fogo anda em volta dos arranha-céus que já foram instalados onde antes a mata verdejava, alguém chama às...
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