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Elegia de Baby, crônica de Carlos Drummond de Andrade

     Tinha sete anos, e ainda era mais criança do que qualquer menina de sua idade. Pesava mil e quinhentos quilos, e chegaria a pesar quatro mil, se vivesse. Não viveu. Nascida na Índia, veio morrer no Leblon, sob a lona de um circo devastado pelo temporal — e essa madrugada de vento furioso, que ameaçava acabar com o mundo, terá sido um dos “fatos” de sua pequena vida sem acontecimentos.      Já se sabe que o necrológio é de Baby, a elefantinha que morreu de infecção na garganta. Esses animais são rústicos e delicados, e se no meio nativo se alimentam de plantas espinhentas, de cujo contato fugimos, padecem entretanto dos mesmos males que padecemos, e têm, quanto a nós, a desvantagem de uma sensibilidade que se ajustaria melhor ao nosso corpo que ao deles, ao passo que a nossa poderia chamar-se mais precisamente elefantina.      Vão rareando os elefantes, e com eles a doçura e a paciência na face da terra. Que a espécie caminha para o fim, ...

No Circo, Aluízio de Azevedo

     Terminava a primeira parte do espetáculo quando D.Olímpia entrou no circo pelo braço do pai.      Havia uma grande enchente, o público vibrava ainda sob a impressão do último trabalho exibido,que devia ter sido maravilhoso, porque o entusiasmo explodia por toda a platéia e de todos os lados gritavam ferozmente: "Scott! À cena Scott" Dois sujeitos de libré azul com alamares dourados conduziam para o interior do teatro um cavalo que acabava de sair. Muitos espectadores, de chapéu no alto da cabeça, estavam de pé e batiam com a bengala nas ostas das cadeiras; das galerias trovejava barulho infernal e, por entre aquela descarga atroadora, só o nome do idolatrado acrobata sobressaia exclamado com delírio por mil vozes:      "Scott" Scott"      Olímpia sentiu-se aturdida; o pai, no íntimo, arrependia-se de lhe ter feito a vontade, cansentindo em levá-la ao circo; mas o médico recomendara tanto que n...