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O Lírico Lamartine, conto de Alcântara Machado

      Desembargador. Um metro e setenta e dois centímetros culminando na careca aberta a todos os pensamentos nobres, desinteressados, equinânimes. E o fraque. O fraque austero como convém a um substituto profano de toda. E os óculos.Sim: os óculos. E o anelão de rubi. É verdade: o rutilante anel de rubi. E o todo de balança. Principalmente o todo de balança. O tronco teso, a horizontalidade dos ombros, os braços a prumo. Que é que carrega na mão direita? A pasta. A divina Têmis não se vê. Mas está atrás. Naturalmente. Sustentando sua balança. Sua balança: o Desembargador Lamartine de Campos.      Aí vem ele.      Paletó de pijama sim. Mas  colarinho alto.      - Joaquina, sirva o café.      Por enquanto o sofá da saleta ainda chega para Dona Hortênsia. Mas amanhã? No entanto o desembargador desliza um olhar untuoso sobre os untos da metade. O peso da esposa sem dúvi...