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Mostrando postagens com o rótulo Ítalo Calvino

Lua e Gnac, conto de Ítalo Calvino

     A noite durava vinte segundos, vinte segundos o GNAC. Durante vinte segundos se via o céu entrecortado de nuvens negras, a foice da lua crescente dourada, sublinhada por um halo impalpável, e depois estrelas que quanto mais se olhava para elas mais acentuavam sua  pequenez, até a poeira da Via Láctea, tudo isso visto rápido rápido, cada detalhe no qual nos detínhamos era algo do conjunto que se perdia, pois os vinte segundos logo terminavam e começava o GNAC.      O GNAC era uma parte de incrição publicitária SPAAK-COGNAC no telhado em frente, que ficava vinte segundos acesa e vinte segundos apagada, e quando estava acesa não se via mais nada. Inesperadamente, a lua empalidecia, o céu se tornava uniformemete negro e achatado, as estrelas perdiam o brilho, e os gatos e as gatas que havia dez segundos emitiam grunhidos de amor, mexendo-se lânguidos um na direção do outro ao longo das calhas e dos eirais, agora, com o GNAC, se agachavam sobre as telh...

Zemrude, Ítalo Calvino

      É o humor de quem a olha que dá a forma à cidade de Zemrude. Quem passa assobiando, com o nariz empinado por causa do assobio, conhece-a de baixo para cima: parapeitos, cortinas ao vento, esguichos. Quem caminha com o queixo no peito, com as unhas fincadas nas palmas das mãos, cravará os olhos à altura do chão, dos córregos, das fossas, das redes de pesca, da papelada. Não se pode dizer que um aspecto da cidade seja mais verdadeiro do que o outro, porém ouve-se falar da Zemrude de cima sobretudo por parte de quem se recorda dela ao penetrar na Zemrude de baixo, percorrendo todos os dias as mesmas ruas e reencontrando de manhã o mau humor do dia anterior incrustado ao pé dos muros. Cedo ou tarde chega o dia em que abaixamos o olhar para os tubos dos beirais e não conseguimos mais distingui-los da calçada. O caso inverso não é impossível, mas é mais raro: por isso, continuamos a andar pelas ruas de Zemrude com os olhos que agora escavam at...

Livro onde menos se espera

"Se um Viajante numa Noite de Inverno", romance de Italo Calvino (1923-1985), é talvez o mais bem-sucedido esforço de valorização do leitor em uma obra literária. Deixado nesta tarde no térreo do Ed. Centro sul, Boa Viagem, Recife Arnaldo Jabor apresenta uma nova coletânea de crônicas em que temas públicos misturam-se ao universo de nossas fixações interiores. Política, sexualidade, miséria, arte, memória, medo ? ao usar o cotidiano como matéria-prima de seus textos, Jabor associa fato e ficção, revelando paixões e taras que talvez preferíssemos ocultar. Livro: Pornopolítica  deixado na tarde de hoje no prmeiro andar do Ed.Centro sul, Boa Viagem, Recife Bacamarte, Pólvora e Povo de Olímpio Bonald Neto, foi deixado hoje, como pode ser visto, sobre um carro estacionado na frente do escritório de uma grande cadeia de supermercado na zona oeste da cidade do Recife. Esperamos que  quem  encontrar algum  desses livros faça  como nós e deixe novam...