Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Agosto

Passo, poema de Marcelo Valença

Um passo de pedra Um pé de assoalho Cansaço de asfalto Piso e desfaço Um traço de luz Um risco de som Espaço de tempo Pausa e compasso Um pedaço de ar Um gelo de céu Resquício de agosto Garoa e mormaço Leia mais do autor: Azuis Hora Bolas Sê Rocha Lugar Algum Bastidora Encanto

Soneto de Maio, Vinicius de Moraes

Suavemente Maio se insinua Por entre os véus de Abril, o mês cruel E lava o ar de anil, alegra a rua Alumbra os astros e aproxima o céu. Até a lua, a casta e branca lua Esquecido o pudor, baixa o dossel E em seu leito de plumas fica nua A destilar seu luminoso mel. Raia a aurora tão tímida e tão frágil Que através do seu corpo transparente Dir-se-ia poder-se ver o rosto Carregado de inveja e de presságio Dos irmãos Junho e Julho, friamente Preparando as catástrofes de Agosto... Ouro Preto, maio de 1967 Imagem: Pixabay

Terceira Idade, Miryan Lucy Rezende

     Lembro-me bem. Foi quando julho se foi, que um vento mais gelado, mais destemperado, que arrastava ainda folhas deixadas pelo outono, me disse algumas verdades. Convenceu-me de que o céu começaria a apresentar metamorfoses avermelhadas. Que a poeira levantada por ele daria lições de que as coisas nem sempre ficam no mesmo lugar e que é preciso aceitar que a poeira só assenta depois que os redemoinhos se vão.      Foi quando julho se foi que a minha solidão me convidou para uma conversa. E me contou de tempo de esperas. E me disse que o barulho das árvores tinha algo a dizer sobre aceitação. E eu fiquei pensando como elas, as árvores, aceitam as estações que, se as estremecem, também lhes florescem os galhos. Mas tudo a seu tempo. Foi em agosto que descobri que os cachorros loucos são, na verdade, os uivos que não lançamos ao vento. São nossos estremecimentos particulares que a nossa rigidez de certezas não nos permite encarar.      O mê...

Nascida em 20 de agosto: Cora Coralina

O Poema Mulher da Vida, mostra que quem é maduro acolhe e irmana-se, não julga nem condena sem autoridade para isto.  Cora Coralina poeticamente abraça a outra mulher. E só, porque não precisa mais que isso. 

Soneto de Maio, Vinicius de Moraes

Suavemente Maio se insinua Por entre os véus de Abril, o mês cruel E lava o ar de anil, alegra a rua Alumbra os astros e aproxima o céu. Até a lua, a casta e branca lua Esquecido o pudor, baixa o dossel E em seu leito de plumas fica nua A destilar seu luminoso mel. Raia a aurora tão tímida e tão frágil Que através do seu corpo transparente Dir-se-ia poder-se ver o rosto Carregado de inveja e de presságio Dos irmãos Junho e Julho, friamente Preparando as catástrofes de Agosto... Fonte: site Vinicius de Moraes Imagem: doodle do Google para o centenário de V.M em 2013

Vento, Cecília Meireles

Passaram os ventos de agosto, levando tudo. As árvores humilhadas bateram, bateram com os ramos no chão. Voaram telhados, voaram andaimes, voaram coisas imensas; os ninhos que os homens não viram nos galhos, e uma esperança que ninguém viu, num coração. Passaram os ventos de agosto, terríveis, por dentro da noite. Em todos os sonos pisou, quebrando-os, o seu tropel. Mas, sobre a paisagem cansada da aventura excessiva - sem forma e sem eco, o sol encontrou as crianças procurando outra vez o vento para soltarem papagaios de papel.  Imagem:The White Orchart -Van Gogh - 1888  

Horóscopo poético - Virgem - 23 de agosto a 22 de setembro

VIRGEM Vinicius de Moraes Se Florence Nightingale era Virgem Não sei... mas o mal é de origem. A mulher de Virgem aceita a amante Isto é: desde que não a suplante. Sexo de consumo, pães-de-minuto Nada disso lhe há de faltar O condomínio é absoluto A Virgem é mulher do lar. Opala, safira, turquesa São suas pedras astrais Na cuca muita esperteza Na existência, muita paz."

Horóscopo de Vinícius de Moraes - Leão

A mulher de leão Brilha na escuridão. A mulher de leão, mesmo sem fome Pega, mata e come. A mulher de leão não tem perdão. As mulheres de leão Leoas são. Poeta, operário, capitão Cuidado com a mulher de leão! São ciumentas e antagônicas Solares e dominicais Ígneas, áureas e sardônicas E muito, muito liberais.