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Mostrando postagens com o rótulo literatura brasileira.

Tu e Eu, Luís Fernando Veríssimo

Somos diferentes, tu e eu. Tens forma e graça e a sabedoria de só saber crescer até dar pé. Eu não sei onde quero chegar e só sirvo para uma coisa – que não sei qual é! És de outra pipa e eu de um cripto. Tu,lipa Eu,calipto. Gostas de um som tempestade roque lenha muito heavy Prefiro o barroco italiano e dos alemães o mais leve. És vidrada no Lobão eu sou mais albônico. Tu,fão. Eu,fônico. És suculenta e selvagem como uma fruta do trópico Eu já sequei e me resignei como um socialista utópico. Tu não tens nada de mim eu não tenho nada teu. Tu,piniquim. Eu,ropeu. Gostas daquelas festas que começam mal e terminam pior. Gosto de graves rituais em que sou pertinente e, ao mesmo tempo, o prior. Tu és um corpo e eu um vulto, és uma miss, eu um místico. Tu,multo. Eu,carístico. És colorida, um pouco aérea, e só pensas em ti. Sou meio cinzento, algo rasteiro, e só penso em Pi. Somos cada um de um pano uma sã e o outro insano. Tu,cano. Eu,clidiano. Dizes na cara o que te vem a cabeça com coragem e...

Bandeira, Marcelo Valença

Minhas cores são todas E minha bandeira é o agora Da sobra dos dias À luz do crescimento Uma flâmula de todo o saber Minhas armas De criação em massa Um risco, um som e uma palavra Tremulam aos ventos do que virá Sou livre Ninguém impede meu caminhar Na minha terra livre Voa quem é de céu Reza quem é de fé Canta quem é de voz Beija quem é de lábio Dança quem é de alegria Minhas cores são todas E minha bandeira Ativa e altiva É o amor

= S D Comunikssaum, Antonio Prata

  A 1a  vz q abri mail e dei de kra c/uma msgm acim, naum entendi nd. Pensei q era pau do outlook, pblma do cputador. Naum, nd diço: era soh + uma leitora que flava eça stranha lihngua da internet. Como a cada dia que paça, rcbo+ msgs nece dialeto sqzito, percbi q, ou aprendia eu tb a tklar acim, ou fikava ptrahs. Na natureza nd c perde, nd c cria, td c transforma: tinha xgado a hr de eu tb me transformar. Minha 1a  atitud foi tklar para Ehrika, uma garota que screv neça lihngua, e prgntar como eu fazia p aprendr. Ela flou sgte: " tipo... eh soh tocar CH por X, Ç por SS, H em vez de acento (é/eh; só/soh) e comer o max d letras pocihvel. Entendeu?" O q naum entendo eh pq tnta complicação. Era taum fahcil scrver o bom e velho port...  Pgntei p Joaum, 1 primo meu q screv  ateh poemas dece jto: pq as pçoas estaum screvndo acim? Ele me garantiu q era pq era + fahcil. Serah? Olha soh, Joaum, Ehrika e td mdo: p tklar naum uso 4 tklas. Para tklar não, tb uso soh 4. Eh=...

A Várzea Tem Cajazeira, Joaquim Cardozo

  A várzea tem cajazeiras... Cada cajazeira um ninho Que entre o verde e o azul oscila; Mocambo de passarinho. Na baixa funda, mais funda, Tenros que se alojam verdes: Verdes de capim de planta; Vista, mais vista a perder-se. Maracujás enredados... Flor da paixão, do martírio; Entre as balsas dos remansos Baronesas cor-de-lírio. Nessa várzea sou planície, Vaga dimensão dormente; Tendida no chão conforme Sou de mim sombra somente. Rumos de céus desvelados Onde chego e me afugento!? - Já me escuto como em sonho De tão longe que me ausento! Em redes de ramos verdes Me estendo como um caminho, Me espreguiço dessa várzea, E me embalo desse ninho. (Poesias completas, Joaquim Cardozo 1979)

Bilhete A Um Candidato, Rubem Braga

                             " Olhe aqui, Rubem. Para ser eleito vereador, eu preciso de 3 mil votos. Só lá no jóquei, entre tratadores, jóqueis, empregados e sócios eu tenho, no mínimo mas no mínimo mesmo, 300 votos certos; vamos botar mais 100 na Hípica . Bem, 400. Pessoal de meu clube. o Botafogo, calculando com o máximo pessimismo, 600. Aí já vão mil.    Entre colegas de turma e de repartição contei, seguros 200; vamos dizer 100. Naquela fábrica da gávea, você sabe, eu estou com tudo na mão, porque tenho apoio por baixo e por cima, inclusive dos comunas; pelo menos 800 votos certos,mas vamos dizer 400. Já são 1.500.      "Em Vila Isabel minha sogra é uma potência, porque essas coisas de igreja e caridade tudo lá é com ela. Quer saber de uma coisa? Só na Vila eu já tenho a eleição garantida, mas vamos botar: 50...

O Ator, Carlos Drummond de Andrade

Era uma escravo fugido por si mesmo libertado. Meu bisavô foi à Mata vender burro brabo fiado. Chega lá, deita no rancho para pitar descansado. Duzentas, trezentas léguas em macho bem arreado, por muito que um homem seja de ferro, fica estrompado. "Vou dormir, sonhar meu sonho de cobre e mulher trançado. Por favor ninguém me amole que trago dependurado no arção da sela meu coldre com pau-de-fogo. Obrigado." "Dormir tão cedo, meu amo? se no rancho do outro lado do rio tem espetac'lo que há de ser de vosso agrado. Faz três dias  ninguém cuida na roça e no povoado senão de ver esta noite  A Vingança do Passado. "

Por causa da Revista Veja - 2

O jornalista  Sérgio Rodrigues publicou no blog Todoprosa da Revista Veja pequena antologia de contos de carnaval, com trabalhos encontráveis com uma busca simples no Google. Listou  os 6 bons contos que encontrou: 1) O Bebê de Tartalana Rosa, João do Rio (citado como destaque) 2) Restos de Carnaval, Clarice Lispector 3) A Morte da Porta Estandarte, Aníbal Machado 4) Antes do Baile Verde, Lygia Fagundes Teles 5) Fevereiro ou Março, Rubem Fonseca 6) A Máscara, Sérgio Rodrigues Na postagem, o blogueiro lamentou não ter encontrado disponível dois contos que considera imperdíveis. Por concordar com o jornalista  este blog disponibizou: Caprichosos da Tijuca , Marques Rebelo  e do Batalha do Largo do Machado , Rubem Braga

Aniversariantes de Janeiro: Euclides da Cunha

Clique na imagem para saber sobre E.A Eu Quero Eu quero à doce luz dos vespertinos pálidos Lançar-me, apaixonado, entre as sombras das matas _ Berços feitos de flor e de carvalhos cálidos Onde a Poesia dorme, aos cantos das cascatas... Eu quero aí viver _ o meu viver funéreo, Eu quero aí chorar _ os tristes prantos meus... E envolto o coração nas sombras do mistério, Sentir minh'alma erguer-se entre a floresta de Deus! Eu quero, da ingazeira erguida aos galhos úmidos, Ouvir os cantos virgens da agreste patativa... Da natureza eu quero, nos grandes seios túmidos, Beber a Calma, o Bem, a Crença _ ardente a altiva. Eu quero, eu quero ouvir o esbravejar das águas Das asp'ras cachoeiras que irrompem do sertão... E a minh'alma, cansada ao peso atroz das mágoas, Silente adormecer no colo da so'idão... Euclides da Cunha, 1883

Prêmio Jabuti 2011 - Vencedores

                                   Vencedores da  53ª edição do Jabuti 2011: Categoria: Romance Título: Ribamar Autor: José Castello Ed. Bertrand Brasil R$37,00 Categoria: Poesia Título: Em Alguma Parte Alguma Autor: Ferreira Gullar Ed.José Olímpio R$30,00 Categoria: Conto e Crônica Título: Desgracida Autor: Dalton Trevisan Ed.Record R$37,00 Para conhecer todos os premiados, clique aqui

Um Instante,Ferreira Gullar

Aqui me tenho como não me conheço nem me quis sem começo nem fim * aqui me tenho sem mim * nada lembro nem sei * à luz presente sou apenas um bicho transparente.

Sexta poética - 1

Furtos Francisco Oliveira Neto (Frank) Quem você pensa que é? Que vem sentir os meus passos Na calçada Que fita os meus olhos E não diz nada Que cheira o meu perfume Sorrateiro E ronda a minha casa O dia inteiro Quem você pensa que é? Que ouve os meus pássaros Cantando Que abre a minha janela Imaginando Que debruça em minha cerca Pensativo E pisa em minha grama Sem motivo Afinal Quem você pensa que é? Que se esconde em meu jardim Que rouba a flor do meu jasmim E entrega a outra mulher