Tão abstrata é a ideia do teu ser Que me vem de te olhar, que, ao entreter Os meus olhos nos teus, perco-os de vista, E nada fica em meu olhar e dista Teu corpo do meu ver tão longamente, E a ideia do teu ser fica tão rente Ao meu pensar olhar-te, a ao saber-me Sabendo que tu és,que, só por ter-me Consciente de ti, nem a mim sinto. E assim, nesre ignorar-me a ver-te, minto A ilusão da sensação, e sonho Não te vendo, nem vendo, nem sabendo Que te vejo, ou sequer que sou risonho Do interior crepúsculo tristonho Em que sinto que sonho o que me sinto sendo. F.P - dezembro de 1911 Imagem: Baile, Picasso