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Análise, poema de Fernando Pessoa

Tão abstrata é a ideia do teu ser Que me vem de te olhar, que, ao entreter Os meus olhos nos teus, perco-os de vista, E nada fica em meu olhar e dista Teu corpo do meu ver tão longamente, E a ideia do teu ser fica tão rente Ao meu pensar olhar-te, a ao saber-me Sabendo que tu és,que, só por ter-me Consciente de ti, nem a mim sinto. E assim, nesre ignorar-me a ver-te, minto A ilusão da sensação, e sonho Não te vendo, nem vendo, nem sabendo Que te vejo, ou sequer que sou risonho Do interior crepúsculo tristonho Em que sinto que sonho o que me sinto sendo. F.P - dezembro de 1911 Imagem: Baile, Picasso

Terapia do Joelhaço, Martha Medeiros

Imagem: Pedro Uhart      Sentado em sua poltrona de couro marrom, ele me ouviu com a mão apoiada no queixo por dez minutos, talvez doze minutos, até que me interrompeu e disse: "tu estás enlouquecendo".      Não é exatamente isso que se sonha ouvir de um psiquiatra. Se você vem de uma família conservadora que acredita que terapia é pra gente maluca, pode acabar levando o diagnóstico a sério. Mas eu não venho de uma família conservadora, ao menos não tanto.      Comecei a gargalhar e em segundos estava chorando. " Como assim, enlouqueceu??"      Ele riu. Deixou a cabeça pender para um lado e me deu o olhar mais afetuoso do mundo, antes de dizer: "Querida, só existem duas coisas no mundo: o que a gente quer e o que a gente não quer".      Quase levantei da minha poltrona de couro marrom ( também tinha uma) para esbravejar: "Então é simples desse jeito? O que a gente quer e o q...