Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Garrincha

O Jogador e Sua Bola, Affonso Romano de Sant' Anna

         A bola não é um mero artefato de couro. É um ser alado, de ouro, ave sagrada, que rompe as traves da gaiola, isto quando não é flor que ao abrir-se em gols nos mostra a luz de sua corola.          A bola difere do diamante. Não tem arestas. E, no entanto, arisca, risca a pele em ritmo de festa. Não tem arestas porque é polida, não pela mão, mas pelo pé do ourives, caso se chame Garrincha ou Pelé.          Se na Espanha a bola fosse um  touro, no gol, um toureiro faria da rede a capa ou estola. Mas, sendo no Brasil, ela é samba que o sambista cantarola, é toque na cuíca e caçarola, e a bandeira que o passista na avenida desenrola.              O jogador não é só mestre. É aluno que  carrega consigo a escola. E para ele o mundo é a bola. E sendo a bola seu coração, ele sabe  a liçã...

Mané Garrincha

     "Se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um dos seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos...Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho". Isto é de Carlos Drummond de Andrade, o maior poeta modernista brasileiro. E nunca foi lido pelo alagoano Amaro - analfabeto, bêbado,cafuzo e mulherengo. Porém, pai de Manoel Francisco dos Santos, o essencial Garrincha, um dos melhores boleiros do planeta, que nasceu em 28 de outubro de 1933, no distrito mageense de Pau Grande, no Estado do Rio de Janeiro.      Mané era o quinto filho de casa e a irmã mais velha, Rosa, vendo nele o passarinho indomável e de canto suave, passou a chamá-lo de Garrincha. E ele,  bem como o apelido, desde cedo mostraria o que lhe era de gosto e tem...